Terceira vitória seguida, estamos nos acostumando muito mal a estar fazendo pós jogos com clima bom de vitória mas a de ontem e a cada vitória existe um cenário diferente a ser tratado, diferente das outras vitórias um placar baixo, um jogo bem mais travado com mérito demais da defesa e com problemas ofensivos, foi um grande jogo do Joe Woods e um não tão bom do Stefanski e suas chamadas, quando que você imaginaria eu falando isso mas foi o que aconteceu.

O Browns venceu e um ponto que refletimos em grandes times na NFL são dias complicados que mesmo assim a vitória vem, neste domingo foi assim, um ataque movido a chamadas não tão boas junto com uma partida bem ruim do Mayfield e um jogo corrido que novamente rendeu e sustentou o ataque. Enquanto isso a defesa fez mais uma partida impecável e foi o lado da bola que fez com que essa vitória acontecesse. A defesa está emplacando números entre os melhores da liga e na última década não teve uma defesa do Browns com tanto rendimento quanto a essa temporada, mas a posição de quarterback sempre exige mais e sempre será. Você realmente só vai tão longe quanto esta posição pode levá-lo. Então, quando recebermos uma atuação como foi o do Baker Mayfield no domingo, pelo menos precisamos conversar sobre isso.

O clichê “quarterbacks recebem muito crédito e muita culpa” é muito verdade, aliás cada um tem seu método de se analisar a posição, a importância, a pressão e a mídia faz um entorno muito grande para o que o jogador traz para o jogo. Todos nós assistimos à apresentação de domingo e cada um absorveu de uma maneira diferente o desempenho ofensivo do Browns. Todos saímos frustrados mas aliviados por terem chegado ao 3-1 na campanha, mais uma vez nas mãos de Kevin Stefanski. Existe muita felicidade em vários tópicos desse time mas uma preocupação, um jogo como esse faz o início da temporada do Mayfield não ser confortável, e não parecer aquela versão que depois da semana 7 foi o combustível do Browns chegar a todo vapor nos playoffs da última temporada.

Nós temos as fitas de qual o potencial que o Mayfield tem e entrando nessa temporada onde o Browns hoje é um time que é colocado como um time de playoffs e que vai ser uma das forças da liga na pós temporada se espera que as atuações do melhor potencial do Mayfield estejam dentro de campo na atualidade. No entanto, vimos Mayfield ser inconstante em grande parte das quatro primeiras semanas. Ele teve flashes de qualidade que lembravam a versão 2020, mas não o suficiente. Tivemos dois estágios, o primeiro que nos 45 iniciais contra o Chiefs tivemos o Mayfield que a gente quer ter e após o Q4 em Kansas um Mayfield que nos deixa ainda desconfortáveis.

Mayfield não teve culpa na derrota da estréia, após isso teve lances “grandes” perdidos contra o Texans, momentos que poderia ter facilitado a vitória contra o Bears e agora o jogo de ontem. O Browns mostrou que se pode vencer jogos mesmo com atuações medianas/ruins do seu QB mas é isso mesmo que a gente quer? Ou que o Browns e o próprio Baker quer? O caminhar da temporada é formada por uma linha e o Baker precisa se aproximar do quão longe o potencial dele pode chegar, ontem ele se distanciou dessa linha mas existe uma temporada inteira para termos um resultado final.

Agora existe pegar suas métricas e colocar elas em comparação com outros quarterbacks, a gente também precisa entender que existe dias péssimos nessa posição, até para o Mayfield ao longo da carreira, jogos contra o 49ers em 2019 e o Steelers em 2020 tiveram notas bem baixas perto dessa do último domingo. Em uma pesquisa rápida a gente vê jogos bem ruins dos melhores quarterbacks dos últimos tempos:

Peyton Manning Em 2001 ele teve um desempenho de 19 de 32 para 173 jardas, onde lançou três interceptações e terminou com uma pontuação de 35,0 em uma derrota de 41-6 em Miami.

Drew Brees Em 2003, em seus dias de San Diego Chargers, ele teve um desempenho de 7-15 para 49 jardas e uma interceptação com uma classificação de 26,8. Então, també em 2005, ele teve um desempenho de 22-44 para 215 jardas e três interceptações onde teve um QB Rating de 35,7.

Vamos para essa temporada e a estréia do Rodgers, 15 de 28 passes completos para 133 jardas e duas interceptações errando muito lances grandes dentro do jogo.

Mayfield teve seus jogos ruins mas cada um com cenários também diferentes, o de ontem foi um dia onde ele lutou para estar com precisão em passes longos, as tomada de decisão e o processamento mental estavam cada vez mais desconfortáveis durante o caminhar do jogo e por isso o impacto foi muito grande já que a precisão é algo que está adentrado ao seu jogo e que tanto falamos bem.

Jake Burns trouxe uma pesquisa muito boa em relação a esses passes para mais de 20 jardas. Em 2018, ele teve 11 touchdowns e apenas quatro interceptações. Em 2019, ele lutou na maior parte do ano com sete touchdowns e sete interceptações, mas depois se recuperou em 2020 com seis touchdowns e apenas três interceptações. Ele ficou entre os 3 primeiros em porcentagem de conclusão ajustada em arremessos de mais de 20 jardas no campo em 2018 (51,4%) e 2020 (51,8%). Ele foi 12º no total de EPA (pontos esperados adicionados) nesses lances em 2018 (29,38) e 7º no total de EPA em 2020 (28,95).

As fitas da estréia contra o Chiefs e contra o Vikings ontem serão os pontos base para distinguir a evolução dele durante a temporada. Quando Stefanski esta em seus grandes dias de play-caller e Mayfield está processando bem o campo com uma mão quente para precisão, eles são brutais para o adversário conseguir parar como foi em boa parte do jogo do Chiefs.

Mas quando Mayfield perde aqueles arremessos planejados, você começa a ficar preocupado e o ataque fica estagnado. Faltou muito apenas leituras simples, como o lance que o Felton estava livre, sendo mostrado em sua visão mas ele não tomou a decisão d e fazer o passe simples e curto. O domingo foi um combo de processamento muito mal feito junto com a precisão, até porque em alguns momentos suas leituras foram boas mas a precisão estava totalmente descontrolada e perdeu recebedores livres.

 

Esses não são os tipos de arremessos que Mayfield erra normalmente, o jogo contra o Vikings não é de sua normalidade. Este jogo tem o potencial de ser único neste grau de dificuldade dele a impor essas questões, mas você pode absorver ter uma ideia das razões de preocupação para o continuar do ano. E sabe o que resta fazer? Embrulhar esse jogo e jogar no lixo. Mayfield se mostrou alguém que administra muito bem os ensinamentos de péssimas atuações, o pós semana 7 da temporada passada foi a amostra de que ele consumiu tudo que aconteceu nos 6 jogos iniciais. Se ele realmente está ainda com problemas no ombro após a subluxação contra o Texans então faça ele descansar no banco e se recuperar. Browns sabe e o próprio Baker sabe que é preciso de recuperar e não se pode demorar tanto, a história da temporada só começou a ser escrita e ainda tem muito a acontecer.

O lado defensivo do Browns pela primeira vez os termos Elite e Uma das melhores defesas da liga já podem ser colocadas a eles, Joe Woods em duas semanas foi perfeito em suas chamadas, administrou uma defesa bastante agressiva em blitz e um primeiro desafio com um quarterback que estava indo bem. Cada setor está muito bem, a linha defensiva do Browns conseguiu 22 pressões ao QB onde 16 dessas foram com apenas quatro jogadores alinhados. Myles Garrett teve mais flashes absurdos e conseguiu seu sack, Clowney não estabeleceu números mas é o caso do “quem viu sabe” desse domingo, mais uma vez sempre ajudando a colapsar o pocket e estar envolvido em sacks. Takk McKinley teve seu grande jogo desde o início da temporada.

Você manda um bloqueio triplo contra o Garrett e ainda não tem a certeza que vai conseguir parar ele

Os linebackers tiveram mais um jogo seguro, JOK entrou para a discussão de calouro defensivo do ano, mais uma amostra de físico, e que deve entrar como o LB mãos bem graduado entre todos na PFF. QI contra corrida, usado principalmente no box, ele é o grande exemplo de uma defesa que se mostra cada vez melhor contra jogo corrido, nenhum Running Back que enfrentou o Browns chegou a 100 jardas. Se pegarmos dois exemplos dos 4 melhores da posição na liga, nos últimos dois anos tivemos:

vs Dalvin Cook: 9 corridas para 34 jardas

vs Derrick Henry: 15 corridas para 60 jardas

A defesa vem ganhando formato dentro dos números gerais da liga: 

De acordo com os rankings de certos quesitos:

– Segundo lugar em jardas cedidas por jogo (250.3)

– Terceiro em jardas aéreas cedidas por jogo (183.8)

– Terceiro em jardas corridas cedidas por jogo (66.5)

– Quarto em pontos cedidos por jogo (16.8)

Foi a primeira vez desde o retorno do Browns para a liga em 1999 que não cedemos dois dígitos de pontuação pro adversário em jogos consecutivos. A defesa cedeu apenas 2 TDs nos últimos 10 períodos, jogadores que voltaram de lesões começando a mostrar flashes de seus potenciais como Greedy Williams que recebeu um bom número de snaps ontem e saiu com 6 tackles e uma interceptação e Grant Delpit em grandes jogadas desviando passes e novamente fisicamente muito bem perseguindo todo o campo. Até Denzel Ward que teve um início bem abaixo na temporada ontem quase sempre no 1vs1 contra Justin Jefferson o principal alvo do Cousins teve um grande desempenho.

Essa defesa ainda teve Ronnie Harrison saindo durante o jogo e a ausência de Anthony Walker e Greg Newsome, ainda não está completa e não chegou ao seu maior potencial. Defesas ganham campeonatos, a gente sempre falou o quanto esse lado da bola teria que evoluir para o Browns virar realmente um candidato e Joe Woods está projetando uma das melhores da liga. Em jogos como o de ontem que o ataque não produziu da mesma maneira, defesa ganha jogo e ganhou.

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