Um dos maiores buracos remanescentes dentro da defesa do Cleveland Browns após as primeiras semanas de Free Agency é o setor de DE/EDGE para estar ao lado de Myles Garrett. A equipe contratou Takk McKinley e Malik Jackson como veteranos, mas nenhum dos dois deve impedir que o GM Andrew Berry encontre uma solução mais permanente para substituir Olivier Vernon na linha defensiva titular.

O draft de 2021 da NFL oferece dezenas de opções diferentes, uma classe não das mais incríveis dos últimos anos mas uma classe extensa de talentos para não se preocupar com posição de escolha.

Existe nomes suficientes para o Browns por mais que sonhe com algum linebacker ou cornerback foque a escolha de número 26 em Edge Rusher ou até mesmo nomes para o segundo dia do Draft. Mesmo após a contratação de Jadeveon Clowney o Browns ainda deve olhar para mais ajuda as trincheiras e aqui falaremos sobre alguns nomes que nos chamaram a atenção e que certamente também chamou a atenção do Browns.

Antes de tudo precisamos ter a visão de que pelo menos dois ou até três Edge podem sair antes da 26, a nossa aposta é que o mais certo que não esteja disponível seja Kwity Paye mesmo assim traremos algumas visões dos principais da posição:

Kwity Paye – Michigan

Michigan está em uma queda em produção e a cada ano vive mais problemas visando voltar a ser uma das principais universidades do país no futebol, mesmo assim os Wolverines recentemente produziram bons talentos para a NFL como Josh Uche, Rashan Gary, Chase Winovich e Frank Clark. E aqui se encontra Paye sendo mais uma produção no meio de uma cenário complicado de Michigan.

A sua história antes do futebol americano é emocionante, sua mãe fugiu de seu país natal, a Libéria, para South Providence, Rhode Island, que foi dilacerada pela violência. Sua mãe fazia questão de mantê-lo e ao irmão em atividades comunitárias, incluindo esportes. Ela até perseguia seus grupos de amigos para garantir que pessoas positivas que estivessem ao seu lado, apesar de sua difícil situação financeira esse foco nos esportes levaria Paye ao futebol.

Ele chegou em Michigan muito cru mas com um porte físico pronto a ser trabalhado, existiu uma evolução de produção enquanto ele equilibrava em jogos como titulares e reservas mas já jogando todos os jogos a partir da segunda temporada, mas foi a temporada reduzida durante o 2020 que fez Paye se tornar um dos assuntos para este Draft.

Contra o Minnesota, Paye ganhou as honras de Defensive Lineman da Semana depois de registrar três tackles para perda de jardas e um par de sacks. Parecia ser a primeira aparição de tudo que foi trabalhado em seus anos universitários, uma explosão já digna de se prestar atenção, um jogo de mãos agressivos. Os movimentos chop-rip e club-rip de Paye vieram a calhar quando ele derrotou o prospecto da NFL Daniel Faalele por várias vezes.

 

Ao longo dos primeiros três jogos da temporada, Paye acumulou 25 pressões ao quarterback adversário. Ele tem uma habilidade de usar a flexibilidade do tornozelo para se curvar e combinar isso com sua capacidade de explosão, se os tackles ofensivos não conseguirem obter profundidade e chegar ao seu lugar, Paye executará aquele arco apertado e os vencerá com facilidade.

 

Infelizmente para Paye existiu uma combinação de lesões o limitou a uma temporada de apenas quatro jogos e isso causa ainda muitas dúvidas a ele. O uso efetivamente das mãos para se proteger junto a boas habilidades de mudança de direção só o ajudam.

Mas claro existe problemas, tem dificuldades para enfrentar grandes tackles atléticos e isso só irá piorar no próximo nível, em seu tape também faltou uma amostragem para ele na questão contra corridas, ainda um ponto muito inseguro.

Paye já era uma conversa de primeira rodada e após os testes físicos ele se comprometeu como um, Paye é físico e em um lugar fora de Michigan pode fluir ainda mais sua evolução.

Jayson Oweh – Penn State

Quem é Oweh mais um produto defensivo de primeira rodada vindo da defesa de Penn State? Mais do que qualquer coisa, o departamento de atletismo da Penn State é conhecido por sua capacidade de desenvolver atletas de elite. Saquon Barkley e Chris Godwin são dois talentos de elite que evoluíram drasticamente desde sua chegada a universidade. Oweh continuou um bom trabalho em preparo físico. Oweh tinha ofertas de Ohio, Alabama, Notre Dame e Geórgia.

A escolha por Penn State foi também pela localização, estando a menos de três horas de casa, desde o ensino médio seu perfil atlético já era desenvolvido, com suas 236 libras teve uma arrancada de 40 jardas em 4,63 e também já teve um salto vertical em meados dos 30.

Shareef Miller, Yetur Gross-Matos e Shaka Toney eram nomes já com potencial de NFL vindo dessa defesa e até por isso Oweh apenas recebeu a titularidade durante a sua segunda tempo mas mesmo assim mostrou bons flashes durante os jogos. Ele apareceu em todos os 13 jogos do seu segundo ano, acumulando 21 tackles no total, cinco sacks, dois fumbles forçados e um passe desviado.

Em 2020 Oweh recebeu mais responsabilidade e dói a dupla de Edge titulares ao lado de Toney e ele mais do que dobrou seu total de sacks de 2018 a 2019 e, com mais um ano de refinamento os olhares da NFL começaram a crescer.

No entrando existe um questionamento sobre seus zero sacks na sua última temporada, no entanto, essa estatística seria um pouco enganosa para o que realmente ele produziu. Oweh registrou recordes na carreira tanto em tackles quanto em tackles para perda de jardas, com 38 e 6,5, respectivamente. Em dezembro, Oweh tinha uma taxa de vitórias de 18% como pass rusher, uma das maiores taxas na Big Ten.

 

Oweh e seus números físicos é algo predominante, sua explosão é bizarra, muito rapidamente ele já está começando a ganhar na alavancagem, a flexibilidade de torso faz com que ataques que o enfrentavam escolhiam passes mais rápidos por causa de sua chegada no pocket.

 

Seu comprimento também complementa bem sua explosão. Oweh ainda está descobrindo como usar seu comprimento com eficácia, mas esse comprimento permite que ele se mantenha bem na postura quase sempre.

Vamos ainda lembrar que Oweh demorou para ganhar a titularidade e ainda está cru, embora ele tenha mostrado algum desenvolvimento em 2020. Oweh pode ser mais consistente com suas mãos, já que às vezes ele não consegue acumular movimentos pass rush após sua primeira tentativa. Ele também precisa adicionar mais peso e força ao seu corpo pensando no próximo nível.

Ele é mais um Edge onde ainda não se mostrou dos melhores do setor contra corridas principalmente pelo inconsistente jogo de mãos ao longo dos movimentos de Pass Rush.

Ele é uma mistura física onde seus números melhoraram sua visão para a NFL junto com uma visão de que a NFL o ajudará demais nessa evolução de quesitos que o separam de ser um Edge completo, o vejo como um impacto situacional, alguém que vai receber snaps ao longo do jogo e que precise de um preparo para se lançar com alguém mais impactante por longos períodos dos principais jogos da temporada.

Azeez Ojulari – Georgia

Muitos Edge Rusher se mostraram em 2020 e subiram na opinião pública, Ojulari teve certos pontos em sua última temporada em Georgia que o fez ser mais um deles, ele pode ter sido o jogador o mais produtivo em sua posição este ano e aqui o faz ser carta certa no primeiro dia do Draft.

Há um molde definido que Smart procura em seus rushers, em seu molde 3-4, Smart favorece os Edge de borda da trincheira sendo mais leves e rápidos que podem gerar pressão eficiente e Azeez Olujari pode ser o próximo edge rusher da Geórgia a levar esse característica para a NFL.

 

Uma perspectiva de quatro estrelas de Marietta, Geórgia, Ojulari foi um dos seletos jogadores no Top 250, e ele foi o 13º melhor jogador em sua posição. Recebendo muitas propostas decidiu se manter em sua cidade natal já que a universidade da Geórgia ficaria a menos de duas horas de sua casa.

Ojulari entrou na faculdade um pouco abaixo do peso e, portanto, teve um papel limitado como calouro. Em 2019, após a saída de D’Andre Walker, Ojulari foi promovido a um cargo estendido na defesa. Ele jogou em 11 jogos para os Bulldogs, registrando 33 tackles no total, 5.5 tackles para perda de jardas, 5.0 sacks e um fumble forçado. Ele seguiria o caminho de em segundo ano mostrar flashes de um potencial que poderia estourar de uma vez por todas em seu terceiro ano.

Ojulari trabalhou duro para refinar suas habilidades na pré temporada e foi recompensado com uma excelente temporada de 2020. Jogando e começando em dez jogos nesta temporada, Ojulari acumulou 31 tackles no total, 12,5 tackles para perda de jardas, 8,5 sacks, quatro fumbles forçados e dois passes desviados.

Georgia conseguiu ser selecionado para jogar o Peach Bowl e por mais que alguns jogadores escolhem não participar de Bowls, ele escolheu o jogo final a mostrar tudo que deveria estar em seu tape antes das conversas de 2021. Seu último Bowl foi o melhor de sua carreira, Azeez Ojulari foi uma ameaça para os Cincinnati Bearcats na vitória da Geórgia por 24-21 com três sacks, dois fumbles e um safety. Ele tornou a vida extremamente difícil para o quarterback Desmond Ridder e teve seu melhor momento possível para se declarar ao Draft.

Com 1,8 m de altura e 249 libras, Azeez Ojulari é provavelmente o mais adequado para ser um linebacker externo em um esquema de 3-4. Ele não tem o tamanho para ser um lado defensivo de 4-3, mas seus números o fazem não ser um grande problema para isso.

Ojulari é facilmente o prospecto de puro pass-rushing mais polido, “Se você vence as mãos, você vence o homem” essa frase mostra muito bem o que ele quis dizer do seu jogo. No entanto, há alguma inconsistência em seu jogo, principalmente contra a corrida. É previsível, quando Ojulari não está pressionando o campo com sua explosão inicial, ele se perde fisicamente travado contra seu adversário, ele tem a postura boa no confronto mas ele não tem a âncora para se manter firme isso em várias jogadas.

 

Além disso, Ojulari precisa apresentar mais planos de contingência como um pass rusher. Seu estilo dita que ele pode vencer rapidamente, mas quando os atacantes mais longos colocam suas alavancas nele primeiro, ele às vezes luta para se libertar. Ele tem a velocidade da mão, comprimento, força e flexibilidade para trazer evolução nisso no próximo nível. Sua agilidade e força manual o ajudam a competir, e ele tem o suficiente em sua caixa de ferramentas para se soltar e perseguir os running backs quando eles avançam para o lado de fora, tecnicamente o mais bonito de se assistir na classe.

Ele não é uma perspectiva perfeita mas tem o tape que mais enche de esperança a quem o escolher, todas suas características combinam para torná-lo um investimento seguro com alto potencial de lucro, ele está na linha tênue entre o que tudo em si irá se transformar em um nível que a NFL pede e isso falo na questão técnica e principalmente na sua evolução física.

Jaelan Phillips – Miami

Mais da metade das crianças que querem jogar futebol americano querem ser do ataque, com Phillips aconteceu isso, um recebedor durante toda a vida até que seu treinador da High School o convenceu de se mudar para o lado defensivo do jogo e isso literalmente mudou sua vida.

Phillips se tornou um dos prospectos mais badalados das universidades, ele foi classificado como um recruta cinco estrelas pela 247 Sports, além de ser classificado como o número um da posição de Edge. Naturalmente, ele era uma mercadoria muito procurada, recebendo mais de 20 ofertas de faculdade. mas escolhendo UCLA que tinha bastante ligação com sua família por estar perto.

Sua carreira no universitário foi marcada como uma montanha russa de emoções. Ele teve um começo de primeiro ano modesto onde o jogo contra Memphis que seria o de maior número de tackles até aquele momento marcaria também como o começo de pesadelo. Contra Memphis, ele sofreu uma entorse de tornozelo e logo após retornar à ação um mês depois, Phillips machucou o outro tornozelo. Ele perdeu mais tempo de jogo depois de sofrer uma concussão o que resultou em um começo explosivo para terminar com apenas seis partidas, 7 tackles para perda de jardas e 3,5 sacks.

Em 2018 seu azar continuou, após um acidente com uma motocicleta prestes a começar a temporada o deixou com um pulso gravemente quebrado. Embora ele tivesse começado a temporada, foi na base do sacrifício. Apesar da dor severa, ele conseguiu um recorde de sua carreira (na época) 9 tackles, incluindo um sack contra Cincinnati.

Após mais uma concussão que o tirou por algumas semanas, os médicos de UCLA decidiram o cortar. Decepcionado e desiludido, ele se matriculou no Los Angeles Community College para estudar música e conseguiu um emprego em tempo integral. Algo estava faltando, no entanto. Almejando a necessidade de ter o futebol em sua vida novamente, Phillips entrou no portal de transferências.

Miami o escolheu mas pelas regras ele teria que passar 2019 fora dos campos e por isso o foco na sala de musculação foi intensa. Com 6’5 ″, 266 libras, mas ainda com a velocidade e capacidade atlética de seus dias de colégio ele finalmente produziu dentro de campo. Ele terminou a temporada de 2020 em segundo lugar na ACC para tackles para perda de jardas (15,5) e oitavo em sacks (8).

 

Com base apenas em sua fita de Miami de 2020, ele facilmente projeta ser uma força defensiva dominante na NFL. De todas as anomalias físicas na classe draft, Phillips pode ser aquele com o conjunto completo de ferramentas físicas mais ideal sendo tamanho, comprimento ou explosão. Além disso, Phillips tem boa flexibilidade para dobrar em torno da lateral.

Existem vários exemplos em seu tape sendo ele usando essa velocidade de ação combinado com o comprimento de seu braço para forçar os tackles ofensivos para trás. Entre os jogadores que já falamos parece ser o mais intenso contra corridas, o atacar o portador da bola. Isso foi perfeitamente demonstrado contra Clemson, onde ele usou sua corrida para forçar Trevor Lawrence fora do pocket e persegui-lo pelo campo para parar sua corrida.

 

É triste todo esse potencial em campo ser mantido lado a lado com uma preocupação grande sobre seu histórico médico onde será uma grande bandeira vermelha para os times da NFL. As lesões no tornozelo não são muito preocupantes, no entanto, concussões serão algo que as equipes vão querer avaliar de perto.

Em campo ele ser um pass rusher de 6’5 ″, ele pode ser culpado de jogar com o nível do pad muito alto mas isso é algo que será muito mais bem adaptado no próximo nível. Claro que tudo dentro de campo que ele já fez foi em pouco volume, que seria o que ele mais tem de desvantagem aos adversários da posição.

Phillips aproveitou sua última oportunidade no futebol, ele precisa apenas mostrar o quanto ele está saudável para os times e parece ser a aposta mais 8-80 da classe, até quanto vale o amor pelas suas habilidades e físico depois de tudo que aconteceu.

Gregory Rousseau – Miami

A dupla de Miami é a que mais tem o dilema de estarem no primeiro dia do Draft e esse questionamento se mantém na conversa sobre Rousseau. Seu lado defensivo já está no DNA e por mais de conseguiu bons números de tackles como um Safety, no final de sua carreira no colegial ele esteve mas trincheiras, ele não era um recebedor ou um Safety, a sua melhor definição seria ele é um atleta digno.

O caminho turbulento de Gregory Rousseau para o Draft da NFL teve um início sólido para os Hurricanes. Após dois bons jogos iniciais com flashes de uma adaptação a nova posição, Rousseau sofreu uma fratura no tornozelo no jogo contra Savannah State e sua temporada acabou.

Se houvesse alguma preocupação sobre se a lesão afetaria a sua carreira o ano de 2019 tirou de nós isso. Logo no jogo de abertura da temporada contra a Flórida, Rousseau registrou seu primeiro sack e seu primeiro tackle para perda de jardas na carreira. No confronto de meados de outubro contra o Pittsburgh, Rousseau garantiu um recorde de 3 sacks no jogo. Na semana seguinte, ele destruiu a linha ofensiva do estado da Flórida com 5 tackles para perda de jardas e 4 sacks. Mas porque trouxe isso? Existiu uma evolução constante e nesse estágio finalmente ele poderia falar que já não lembrava mais de outras posições e que sim era um Edge Rusher de natureza.

Rousseau encerrou a temporada de 2019 com o segundo maior número de sacks do país, atrás do Chase Young, este jovem garantiu várias homenagens, incluindo ACC Defensive Rookie of the Year, primeiro time All-ACC, e foi nomeado Freshman All-American. Iria rumo a um 2020 de garantia de primeira rodada no entanto optou por não jogar a temporada e se declarar para o Draft.

Com 6’7 ″ e 265 libras, o pass rusher é uma aberração atlética certificada. Ele parece ser tão forte quanto longo, com velocidade e agilidade à altura e isso para uma NFL que cada vez mais o lado físico do jogo é importante a química acontece. As equipes têm mais probabilidade de se apaixonar por um jogador com características atléticas que pode ser treinado do que por um jogador que pode ser talentoso, mas limitado atléticamente.

 

Sua versatilidade em alinhamento também chama muito a atenção, em seu tape ele tem alinhamento no centro, internamente como um tackle defensivo e está em ambos os lados. Internamente inclusive ele faz o melhor trabalho e será uma grande problema para os Guards da NFL.

 

Ele foi um homem que recebeu bastante marcações duplas e mesmo assim manteve seu alto nível no trabalho de pés com velocidade e explosão.

Mas ele ainda sim é uma duvida muito grande por certas questões. O primeiro é a falta de experiência, por mais que existe talentos da NFL que jogaram apenas um ano no college ele negou seu último ano e todo seu preparo antes do Draft foi fora de jogo.

Como um talento atlético puro, Rousseau ainda tem muito trabalho a fazer em seu repertório de movimentos pass-rush. No momento, ele depende de alguns movimentos e de sua velocidade e força para vencer. Quando enfrentar um atacante bem mais forte será preciso mais técnica a vencer o adversário.

Como um pass rusher versátil e produtivo, Gregory Rousseau será uma mercadoria valiosa no Draft ainda mais pelo seu dote físico, mais um talento vindo de Miami que as franquias terão que se perguntar se o seu 2019 já vale a aposta ou não.

Outros Edge Rushers a ficar de olho:

Joseph Ossai  – Texas 

Carlos Basham Jr. – Wake Forest

Ronnie Perkins – Oklahoma

Rashad Weaver – Pittsburgh

Joe Tryon – Washington

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