O pré Draft é sempre muito bom, as vezes você até esquece qual atributo você direcionou pelo tanto de prospectos que você estudou ou apenas deu uma olhada de curiosidade, ainda mais sabendo que o Browns não estava no primeiro dia e é preciso abordar muitas opções para as primeiras escolhas. Além de ter cedido a escolha de primeira rodada por causa do Deshaun Watson o Browns seguiu na linha que a gente tanto conhece da franquia, houve trade down ainda por cima para descer e acumular ainda mais jogadores. A equipe trocou sua escolha de No.44 na segunda rodada novamente com o Texans (que está envolvido na troca pelo Watson), pelas escolhas de No.68 na terceira rodada e duas escolhas de quarta rodada sendo as No.108 e No.124.

Com a nossa escolha o Texans escolheu o WR John Metchie III de Alabama e a gente viu as nossas necessidades ficarem para mais tarde na noite, mas o quanto foi arriscado? Perder certos talentos de recebedor ou linha defensiva em busca de mais picks para o terceiro dia e as novidades que não esperávamos continuou acontecendo. Todos esperavam que a franquia fosse investir logo de primeira em um jogador para a linha defensiva ou para ser alvo de Watson, grandes necessidades do elenco mas a primeira escolha no Draft foi um cornerback. Sim um CB para a falta de compreensão de todos, no momento eu não entendi e até o momento que fui analisar o jogador fiquei indeciso quanto a visão de Andrew Berry mas aqui estou para o primeiro texto pós Draft analisando a escolha de Martin Emerson:

MARTIN EMERSON – CORNERBACK – MISSISSIPPI STATE

Martin Emerson é um dos cornerbacks mais altos nesta classe de draft. Com 6’2″, ele é um atleta que usa seu comprimento a seu favor. Um tamanho de primeira linha para ser um combatente na disputa aérea da bola, a maioria dos ataques evitou Emerson, mas em 2020 ele teve a oportunidade de acumular uma quebra de 11 passes sendo o líder da SEC na temporada nesse quesito onde mostra o quão eficaz ele é quando a bola está no ar. Claro que a grande função de um corner é se preocupar necessariamente com o jogo de passe esquecendo um pouco o combate contra o jogo corrido, mas além de suas contribuições de bom nível na defesa de passe, Emerson é incrível como defensor de corrida, não demonstrando medo de lutar no contato e até mesmo enfrentando bloqueadores para atrapalhar as rotas da corrida.

Anthony Schwartz já conhece Emerson do college e agora eles tem a oportunidade de não brigarem

Jogadores por todo país querem receber oportunidades logo quando entram no college football a ter muito mais visibilidade rápida para todos os telespectadores, para Emerson essa realidade aconteceu. Apesar de ser um calouro menos experiente, ele se tornou um importante defensor dos Bulldogs durante sua temporada de estreia em 2019 aparecendo em todos os 13 jogos sendo que em 5 desses começou o jogo já como titular. Ele totalizou 32 tackles onde 17 dos desses foram solo e um tackle para perda de jardas. Junto com tackles, ele teve dois passes desviados, um fumble forçado e uma interceptação que ele retornou para 45 jardas e aqui foi mostrado a todos que a transição do futebol do ensino médio para o futebol da SEC não afetou Emerson.

Ele tem flexibilidade de esquema para jogar tanto na marcação por zona quanto na cobertura individual, ele usa seu comprimento e fisicalidade para atrapalhar as rotas no Man To Man enquanto sua visão e consciência o ajudam em zona que é mais seu cenário favorito. A defesa do Browns não jogou tanto em zona quanto Emerson esteve na SEC, mas eles podem ver nele alguém apto para o nickel e não duvido que olhem pra ele para se arriscar como um Safety já que as funções com um corner de zona são bastante parecidas.

 

Emerson muitas vezes luta contra recebedores que usam muito bem o arsenal completo de footwork ou com melhores palavras recebedores bem técnicos, pois eles podem criar espaço contra ele e tirar proveito de sua falta de capacidade de mudar de direção. Embora ele corra bem, ele não tem a velocidade de elite desejada dos melhores cornerbacks da NFL e aqui está um primeiro grande problema na transição para a liga. Quanto a mudança de direção existe algo para se desenvolver bastante que é seus quadris rígidos sem tanta rapidez para se mover em questão né responsabilidade postural na jogada. Emerson é uma perspectiva que precisa ser refinada em aspectos do jogo.

Esse trabalho tem várias etapas que eu vejo que é preciso ser melhorado nele, seu footwork não gera equilíbrio por várias vezes na jogada, um corner sem equilíbrio é uma porta aberta para o WR fazer o que quiser, com isso as transições para seu backpedal não são de maneira natural. Tudo isso é preciso melhorar já que são fatores que fazem ele perder distância do seu adversário e em movimentos duplos em seu tape a velocidade quase nunca é recuperada, já que sua velocidade foi citada é preciso tecnicamente não deixar distância para o recebedor estabelecer essa corrida por território e já que o tema é velocidade por isso gostamos tanto dele em cobertura por zona e um perigo quanto a marcação press individual.

 

O seu Pro Day de Mississippi State no final de março melhorou muito os olhares para ele, ele postou dois tempos de corrida nas 40 jardas de 4,48 segundos e 4,52 segundos claro em um dia confortável e sem mudança de direção mas mostrou um bom tempo em algo que era fator negativo de sua análise. O salto vertical de Emerson foi de 32 polegadas e ele saltou 10,4 pés durante os exercícios de salto em largura. No supino ele foi capaz de demonstrar um bom valor de força superior provavelmente com um peso de 225 libras, como é no NFL Combine levantando a barra 17 vezes. Esses números podem não significar tanto quanto as estatísticas da temporada, mas mostram o potencial que Emerson ainda tem para aprender e crescer.

Denzel Ward acabou de assinar uma extensão de cinco anos e Greg Newsome foi selecionado na primeira rodada no ano passado sendo que os dois são titulares absolutos além que eles ainda têm a Greedy Williams por mais um ano, então Emerson pode estar jogando com snap limitados nesse começo né temporada. Emerson não tem praticamente nenhuma experiência no slot, mas ele tem ferramentas que sugerem que ele poderia fazer uma transição efetiva para a função, seja como nickel como já citamos potencialmente operando em um papel semelhante ao que MJ Stewart teve para os Browns nas duas últimas temporadas.

Ele pode ser um corner base para estarmos em Cover 3 e se sua agressividade contra corrido estiver vindo forte da época de college, em uma AFC North que a preocupação contra o jogo terrestre é muito grande ele já vai poder desempenhar essa função mais rapidamente. Não vejo nele um futuro Pro Bowl, a perspectiva que ele chegou é abaixo da mesma que o Newsome chegou por exemplo mas ele pode ser um titular produtivo dentro de um contexto, dentro de um sistema.

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