A sexta-feira foi o primeiro dia onde toda a capitalização de cap e picks foi usada para vemos John Dorsey agir na liga, saímos no fim do dia com o CB Damarious Randall, WR Jarvis Landry e o QB Tyrod Taylor. É só o começo, a Free Agency abre dia 14 e a equipe precisa também fazer alguns ajustes na defesa, essas complementações geram algumas visões para o futuro (em campo e no draft).

QB Tyrod Taylor

Uma pick de terceira rodada por ele parece muito, mas o pensamento em atacarem no desconforto do Bills em não querer mais ele foi certo, irá pagar menos pra ele do que pra qualquer um que estava livre no mercado, além de vir para 2 temporadas num projeto de dar tempo para construção em cima do QB que vier do draft, algo que não sei se outro no mercado aceitaria, vir por menos de no mínimo 2 anos de contrato. Bills já tinha uma fragilidade para o liberar, Browns atacou cedo, Bills salvou $10.44M de Dead Cap. Já no lado financeiro, o jogador perdeu o roster bonus de $6M e seu 1year-$10M não deve ser restruturado pelo Browns.

Mas algo que Tyrod Taylor seria é subestimado na liga, sim para muitos um QB mediano, eu o coloco como mediano/bom, Taylor teve um 92.5 QB rating nos três anos de Bills, passando para 8857 jardas, 51 TDs, 16 INTs (7.2 YPA, 201yd/gm), adicionando 1575 jardas corridas e 14 TDs corridos (o último QB do Browns que terminou com um rating de mínimo 92.5 foi BERNIE KOSAR EM 1987).

Ele não é um passador prolifico mas é eficiente. Ainda que algumas pessoas não aceitem essa dinâmica, ele não é agressivo no jogo aéreo algumas vezes, mas é agressivo com as pernas, e não a se viciar num jogo corrido, mas em Taylor é uma arma muito bem usada e quando é preciso, não só para corridas, ele tem uma boa noção de trabalhar fora do pocket. Algo que sempre foi uma preocupação no seu jogo foi sua demora para soltar a bola: ele tinha as piores médias de tempo para fazer o passe na liga, em 2017 usando 3,11 SEGUNDOS.

Ele também precisa de sistema e foi o que ele não teve no Bills e mesmo assim foi bem, não teve aprovação para as RPOs… Também enquanto a defesa do Bills estava bem a equipe ganhava jogos, já com ela tendo uma regressão durante a temporada, Tyrod teve mais problemas, ele não é um QB que não vá depender da defesa que ganha jogos no tiroteio.

2 lances que mostram o quanto ele tem boa noção fora do pocket, rápido e durável a contato e outro que justifica aos que falam da suas poucas INTs por causa que só lança curto:

Taylor teve o segundo melhor desempenho em interceptações na temporada 2017 quando lançando com pocket limpo (via PFF)
Taylor teve o segundo melhor desempenho em interceptações na temporada 2017 quando lançando com pocket limpo (via PFF)

Com pocket limpo ele tem a segunda melhor porcentagem de INTs da liga. Se juntarmos os últimos 2 anos, sua INT% fica só atrás do Tom Brady! Resumindo: um QB que algumas vezes não é agressivo, mas que tem uma boa proteção da bola, importante característica para o Browns. Os Bills não iam aos playoffs há 17 anos, sempre numa problemática divisão onde habita o Patriots, e por isso o foco era sempre no wild card. Tyrod mesmo jogando bem foi preterido um jogo pelo calouro Nathan Peterman, onde a equipe estava brigando por vaga na pós temporada. Peterman teve 5INTs e o Bills com a derrota prejudicando a corrida por vaga, mesmo assim Tyrod conseguiu levar o Bills a uma histórica ida para o futebol de Janeiro. Os Browns estão desde 2002 sem ir aos playoffs, numa situação bem parecida com vívida pelo Bills, Tyrod tem mais potencial que um McCarron, tem mais saúde que um Bradford, a cartada foi certa.

WR Jarvis Landry

Pagamos barato pelo Landry: uma escolha de quarta rodada (2018) e uma de sétima de 2019; criamos uma paz para o Coleman não ser forçado como slot receiver; podemos parar de forçar Duke Johnson como slot (mesmo com suas boas mãos) e deixá-lo focar em sua posição real. Para estudar sua situação tem que ter calma. Sim, Adam Gase fazia uma sistema que esperava mais dele e ao mesmo tempo o prejudicava por isso, ele tirou água de pedra em Miami com Cutler e Tannehill: 3300 yds e 17TDs em 3 anos. Não, ele não conseguir 10YPC em um schemed open não me agrada, mas longe disso: ele tem boas mãos e consegue separação em lugares curtos, além de ter uma boa agilidade com equilíbrio pós-recepção (mas em rotas maiores não), mas ficar apenas nessa e não contar que liderou a liga em recepções (112), ficou em quarto em TDs recebidos (9). Ele teve uma produção acima de qualquer WR do Browns em 2017:

 

produção dos WRs do Browns vs produção de Jarvis Landry
produção dos WRs do Browns vs produção de Jarvis Landry

Para o lado de ajuda no jogo aéreo é a uma grande ajuda, em partes tem as dúvidas em seu entorno, como Tyrod precisar de separações para ajudar no seu jogo, futuros valores para ele já que eu também não aceitava ele valer 16M. Seu físico evoluiu ao longo da carreira, ainda não sou completamente já convencido com o de hoje, principalmente que revi seu Combine antes mesmo de vir e não gostei nada do seu atleticismo no Combine, mas na mesma balança tem o caso que ele nunca perdeu um jogo por lesão. Os Browns precisavam fazer algum investimento na posição, ainda pode pensar num Sammy Watkins e é claro em opções bem mais baratas, um mid round (mas abrindo espaço para RB no RD2).

CB Damarious Randall

Uma escolha de primeira rodada vinda após uma troca envolvendo inversão de picks de RD4 E RD5 e a ida de Deshone Kizer para Green Bay. Ele tem uma versatilidade para ser um cover man mas também marcar em slot, liderou GB com 4INTs e 13 passes defendidos, teve performances de marcar de igual pra igual big players como Desean Jackson e Josh Gordon (que aliás trocaram “farpas” no Twitter pós GB x CLE da temporada passada, onde Randall foi muito bem no matchup vs Gordon onde o WR teve seu pior jogo na temporada)

Ele foi bem nas responsabilidades em cobertura: de acordo com o ProFootballFocus ele terminou 2017 permitindo completion rate de 62.7℅ 4TDs e um passer rating de 81.7. Dos jogadores defensivos do draft de 2015 ele com 10INTs na carreira só Marcus Peters o supera com 19INTs. E sobre o Kizer: foi para ter Aaron Rodgers como mentor, aprender em paz, no banco, ótimo caminho para a sua carreira.

O mais importante: saímos com tanta movimentação e sem tocar nas escolhas de primeira e segunda rodada, ajuda no corpo de WRs, um QB melhor que as opções que estavam em rumores ainda sim caro, uma boa adição na mais pedida de talento (a secundária).

 

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