A ESPN Americana está com uma série especial de transmitir jogos históricos do Monday Night Football. O jogo escolhido pela emissora dessa semana foi o grande Pittsburgh Steelers @ San Diego Chargers, que foi no dia 12 de Outubro de 2015. Vai ser a continuidade e início de uma nova série de #TBT especial que pretendamos fazer todas as quintas aqui no Black Yellow Brasil. O objetivo é buscar algum jogo ou memória especial sobre o Pittsburgh Steelers para compartilharmos com todos vocês que nos acompanham.

Para manter uma linha cronológica dos fatos que envolveram o jogo, vamos separar a retrospectiva nos momentos abaixo:

  1. Manchetes e histórias da semana envolvendo a partida
  2. 1º Quarto da partida
  3. 2º Quarto da partida
  4. 3º Quarto da partida
  5. 4º Quarto da partida

Prontos? #HereWeGo

Manchetes e histórias da semana

Problemas na posição de Kicker

Steelers vinha de uma derrota difícil para Baltimore Ravens por 23 x 20. A partida foi marcada pela estréia do QB Michael Vick com a camisa do Steelers. Ben Roethlisberger havia se lesionado na semana anterior contra o Rams, após uma entrada desleal de Mark Barron, que jogou em Pittsburgh na temporada passada.

A estréia de Vick, dado que foi em uma semana curta (jogo com Baltimore foi um TNF), foi razoável. O QB terminou a partida com 19/26, 124 jardas e 1 TD e correu 9 vezes para 33 jardas. Ele conseguiu por o time em posição de vencer a partida e o Steelers chegou a abrir uma vantagem de 20 x 7. O problema na derrota foi o K Josh Scobee, um dos piores nomes que já vestiu a camisa de Pittsburgh no passado recente. Scobee errou 2 chutes nos últimos 3 minutos da partida e isso permitiu Baltimore, que tinha Justin Tucker do outro lado, virar a partida. O contestado Kicker foi então dispensado e para seu lugar foi contratado o então desconhecido Chris Boswell.

Declarações do ex-camisa 84

Outro fato que chamou atenção na semana foram declarações de Antonio Brown (AKA Camisa 84) sobre uma queda de produção na mudança de QB e um drop que não costume ter na endzone na partida contra Baltimore. Palavras dele na época:

“Frustração total. Eu valorizo mais o QB (Roethlisberger) agora que não está ali mais. É muito diferente”.

O WR não necessariamente não foi procurado na partida contra o Ravens. Vick o acionou 9 vezes (35% das tentativas) mas só conseguiu completar 5 passes para 42 jardas.

Problemas para marcar TEs e a volta de Antonio Gates no Chargers

Um dos maiores problemas do Steelers no passado recente era marcar TEs, como bem sabem. A equipe teve uma série de problemas na posição de Safety durante o training camp. Existia a expectativa e aposta que Shamarko Thomas, escolha do draft de 2013, onde Steelers subiu até no board para escolhê-lo na 4º rodada, pudesse assumir a posição e fazer dupla com Mike Mitchell.

Na pré-temporada já começaram os problemas, sobretudo de comunicação. Thomas sempre foi marcado pelo seu forte “atleticismo”, tendo um dos maiores SPARQs da class de 2013 … Porém mentalmente, nunca foi forte. Caso você acompanhe nosso podcast há mais tempo, o chamávamos de “toupeirinha” de tão desprovido de inteligência que ele era. A profundidade da questão ficou ainda mais evidente na semana 1 da temporada, quando na partida contra o Patriots o TE Rob Gronkowski terminou com 3 TDs recebidos e 94 jardas.

Para a partida contra o Chargers, Antonio Gates faria sua estréia na temporada. O jogador havia sido suspenso das 4 primeiras semanas da temporada por uso de substâncias ilegais. O TE era até então um dos melhores da posição na liga e buscava o 100º TD da sua carreira na partida contra o Steelers.

 

Todos os fatos relatados acima são de muita importância para entender todo o contexto que foi a partida contra o San Diego Chargers. Guardem as informações com carinho para ter o melhor entendimento possível do jogo.

 

1º quarto – Steelers 0 @ 0 Chargers

A partida começou com Steelers no ataque. A primeira campanha não rendeu muita coisa ao Steelers. Todd Haley, então OC da equipe, tentou inovar no playbook chamando jogadas Wildcat (guarde esta informação) com Le’Veon Bell e DeAngelo Williams no backfield. Foi uma tentativa de surpreender a defesa do Chargers, que já esperava ver o jogo terrestre mais forte em campo. Isso fez que o box na defesa de San Diego ficasse bem cheio e o jogo corrido tivesse dificuldade em avançar. A campanha não rendeu muita coisa e fomos ao punt.

Box do Chargers contra situação óbvia de passe do Steelers

Na primeira campanha do Chargers, eles fizeram exatamente o que todos já estavam esperando: Acionaram Antonio Gates. O TE foi alvo nas 2 primeiras jogadas por parte de Philip Rivers e terminou a campanha recebendo também o Touchdown para abrir o placar. Foram 3/3, 34 jardas e o TD já para abrir o jogo. Na transmissão, o então analista Jon Gruden, atual HC do Las Vegas Raiders, chamou atenção como Gates estava sozinho na endzone e foi um TD fácil. Podem verificar na imagem abaixo:

Na campanha seguinte de ataque, Steelers continuou martelando com seu jogo terrestre. Bell vinha quebrando tackles e tendo certo sucesso em algumas jogadas, mas sem um apoio forte por parte do jogo aéreo, as campanhas eram mínimas. Já tava um pouco claro que Todd Haley havia optado por jogar com seu QB um jogo mais dink & dunk, com passes mais curtos para os WRs conseguirem jardas após a recepção. Quem acompanhou a carreira de Vick, sabe bem que uma das características do jogador era o braço esquerdo potente e muita velocidade com os pés. A proposta de jogo que Todd Haley propôs ao seu QB até então não era muito boa e ela seguiu ao longo do jogo.

Enquanto isso, Vick continuava tentando acionar Antonio Brown. Apenas no 1º quarto foram 4 tentativas em direção ao camisa 84. Apenas 1 deles foi completado e rendeu uma big play de 39 jardas. Infelizmente a jogada não trouxe bons frutos e tivemos que ir para o punt novamente.

No punt, tivemos um outro problema que foi tendência no jogo: Faltas do pior special team da liga, já comandado por Danny Smith na época. Quem fez a falta? A toupeirinha Shamarko Thomas, obviamente. O Steelers já estava sem seu principal jogador em campo, com muita dificuldade de avançar com seu ataque e o special team não ajudava em nada com posição de campo. Foi o fim do 1º quarto.

2º quarto – Steelers 0 @ 7 Chargers

A partida voltou com o Chargers no ataque e um já mostrou outro problema antigo nosso na defesa de Keith Butler. Em uma 3º descida, Rivers foi pressionado e forçou o passe para o velocista WR Dontrelle Inman. Quem estava na cobertura? O LB Lawrence Timmons. William Gay estava fechando na jogada mas não existe Timmons está tão ao fundo no campo marcando um WR veloz. Caso Rivers tivesse acertado, provavelmente seria um TD e o time ficaria ainda mais dentro do buraco.

A bola voltou para Steelers e com Antonio Brown nos retornos de punt, tentando fazer o que pudesse com as bolas na mão, Steelers voltou para outra posse de ataque sem muito sucesso. A insistência no jogo terrestre com Bell continuou, revezando com snaps de Wildcat para surpreender a defesa de San Diego, mas o box adversário seguia lotado e não conseguíamos avançar. Nessa campanha de ataque, foi apenas um 3 and out …

Porém na volta, Tomlin e Haley ainda dispostos a queimar o sapato de Bell correndo, foi uma drive com sucesso pelo chão. O RB correu 6 vezes, com avanços de 8, 9 e até 25 jardas. A boa campanha, com grande ajuda de Roosevelt Nix, o autêntico jogador de futebol americano, rendeu ao Steelers uma posição de campo decente para botar os primeiros pontos do placar. O estreante na NFL Chris Boswell foi para seu 1º chute e conectou de 47 jardas para uma festa imensa da forte torcida do Steelers em San Diego e dos companheiros dentro de campo!

Fizemos os nosso primeiros pontos do placar faltando 04:28 para acabar o 1º tempo.

 

3º quarto  – Steelers 3 @ 7 Chargers

A defesa voltou muito ligada no 3º quarto. Já na 1º campanha defensiva, conseguiu fazer a jogada que parecíamos precisar: Um turnover!

O fumble forçado pelo grande JARVIS JONES em cima do calouro RB Melvin Gordon foi recuperado pela toupeirinha Shamarko Thomas. A dupla dinâmica de Pittsburgh surgiu então como heróis improváveis para ajudar o ataque com posição de campo … Porém o ataque, como era tendência no jogo, não aproveitou nada. Conseguiram avançar apenas 6 jardas e um 3 and out, sem pontos e nada.

No 3º quarto da partida, o ataque do Steelers seguia com muita dificuldade, não conseguindo um first down sequer até então. A defesa tinha consciência que era necessário fazer uma nova grande jogada para o time ter alguma chance de vencer a partida. Foi então que surgiu muito improvável.

O “contestadíssimo” CB Antwon Blake surgiu para fazer uma big play. Ele cortou a linha de passe de Philip Rivers e fez uma interceptação, retornada para TD de quase 70 jardas. Era a jogada que Steelers precisava, diante da ineficiência do seu ataque. Virada e festa até então em San Diego …

Porém, como já estamos quase acostumados, a defesa voltou a dormir no ponto na campanha seguinte. Chargers usou uma figura conhecida na história do Steelers: O TE Ladarius Green, para muitos a pior contratação na história de Pittsburgh. Na campanha, o então TE do Chargers, conseguiu avançar com 2 passes recebidos, de 8 e 24 jardas respectivamente, para encerrar o 3º quarto.

4º quarto – Steelers 10 @ 7 Chargers

Após boa campanha ofensiva, Chargers parou já no nosso campo e em posição de chutar o FG. Josh Lambo conectou de 40 jardas para empatar a partida. 10 x 10 com basicamente todo o 4º quarto pela frente ainda.

Michael Vick continuou jogando muito mal. Ataque ainda não tinha um first down no 2º tempo e tivemos um 3 and out. Chargers receberia a bola e em posição de virar a partida. Nesse momento, tinha 13:52 para acabar a partida.

Na campanha seguinte, ataque do Chargers avançou com uma grande variedade de jogadores. Teve corrida de Melvin Gordon e Danny Woodhead, recepção de Keenan Allen e Malcom Floyd. Rivers queimou o relógio de 13:52 até próximo dos 8 minutos, quando Chargers virou novamente a partida. Quem fez o TD? Claro, Antonio Gates. O experiente TE anotou seu 2º TD no dia. Em todas as grandes campanhas de San Diego e que terminaram em pontos, os TEs tiveram envolvimento grande no gameplan. A defesa de Keith Butler não tinha resposta para marcar os jogadores da posição.

17 x 10 Chargers, com 07:55 no relógio quando Vick voltou ao campo. Ataque ainda sem um first down sequer no 2º tempo todo. O gameplan de Todd Haley para aquele dia não tinha dado muito certo. Eis que surge Ben Roethlisberger na sideline.

O QB desenhou uma jogada para forçar o braço em profundidade de Michael Vick, uma alternativa que o nosso OC até então tinha basicamente ignorado. A tentativa era de encaixa o dink and dunk, como comentamos mais cedo no texto. Roethlisberger desenhou e chamou a jogada de um passe longo para Markus Wheaton e o resultado foi imediato. Touchdown de 72 jardas. Steelers empata a partida com 07:42 no relógio.

Na campanha seguinte, com uma combinação de passes para Ladarius Green e Antonio Gates, Rivers conduziu a campanha que botaria o Chargers de volta. Em longo de 54 jardas FG, Josh Lambo botou Chargers na frente do placar. 20 x 17 faltando pouco mais de 3 minutos.

E agora começa, como falamos aqui em Recife, o BURUÇU.

A arbitragem do dia cometeu um erro bastante GRAVE para o andamento do jogo.

Quando ainda tinha 02:56 no relógio, Josh Lambo foi para o kickoff e foi um touchback. Como bem sabemos, o relógio PARA nesse momento, né? Era para o Steelers receber a posse de bola com os mesmos 02:56. Um erro do operador do relógio e do juiz em campo fez com que o tempo começasse a contar assim que o ataque entrou em campo. Foram 18 segundos “perdidos” pelo Steelers, que poderia fazer falta no fim do jogo. A NFL no dia seguinte soltou uma nota confirmando o grande erro da arbitragem e reforçou ainda que, por mais que fosse identificado pelo Steelers na hora, o “relógio” não está sujeito a desafios por parte dos times. Em resumo: O tempo foi perdido e Steelers fez a jogada com 02:38 no relógio.

Nessa campanha, assim como em outros momentos do jogo, tivemos um herói improvável surgindo para avançar o campo: O lendário Heyward-Bey. O jogador fez 2 recepções dentro do 2 minute warning, uma de 9 e outra de 24 jardas. As jogadas, junto com 2 corridas de Le’Veon Bell, botou Steelers dentro do campo do Chargers.

Faltando 36 segundos no relógio. Michael Vick decide usar umas melhores habilidades e que ainda não havia mostrado no jogo: Correr com a bola. O QB conseguiu um avanço de 24 jardas com os pés e já deixou Steelers em posição de chutar o FG com o estreante Boswell para, no mínimo, empatar a partida.

Com um tempo para pedir e 17 segundos no relógio, o time comandado por Mike Tomlin gostaria de mais. Queria a vitória.

Faltando 12 segundos e na linha de 17 jardas do campo do Chargers, Vick conecta com Heath Miller na linha de 1 jarda. O TE sofreu um hit forte por parte do defensor do Chargers e o juiz apitou a falta em campo. 5 segundos no relógio, 1 tempo para pedir e na linha de meia jarda. É claro que Mike Tomlin não ia se contentar com um FG só para empatar a partida.

O HC então chamou Le’Veon Bell e usou o wildcat, que já estava presente em parte do gameplan do Steelers no jogo. Na linha de meia jarda, o RB recebeu snap direto e aos trancos e barrancos entrou na endzone com o relógio zerado. Steelers vira a partida e consegue uma grande vitória fora de casa. O estádio explodiu de euforia. Como já é tradição, parecia Heinz Field em jogos longe de Pittsburgh.

Uma curiosidade válida para compartilhar por toda a representatividade, é que a 1º árbitra mulher na história da NFL, Sarah Thomas, foi a responsável por indicar o TD. Foi um ótimo trabalho por parte dela ter identificado a marcação já dentro de campo, já que foi um lance difícil de apontar na hora.

Mais uma vitória marcante na história do Steelers!

O que acharam desse novo formato de texto? Deixem seus feedbacks no twitter @blackyellowbr!

#HereWeGo

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