O Steelers está se preparando para enfrentar o Detroit Lions no Sunday Night Football da semana 8 da NFL em meio às notícias de Martavis Bryant solicitando (ou não) troca, pedidos para sair, reclamações por maior participação no plano de jogo ofensivo… Tanta coisa já aconteceu nesse front que decidi parar um pouco para fazer uma recapitulação do drama que tem sido a relação entre a franquia e o wide receiver.

O início

O Steelers selecionou Bryant, vindo da universidade de Clemson, com a 118ª escolha geral do draft 2014, no 4º round, para integrar um corpo de recebedores que, além de Antonio Brown, contava com Darrius Heyward-Bey, Lance Moore e Markus Wheaton. Bryant anotou um touchdown já com sua primeira recepção, na semana 7 contra o Houston Texans, e encerrou a temporada com 26 recepções, 549 jardas e 8 touchdowns em 10 jogos. Sua média de 21,1 jardas/recepção o colocaram no topo do ranking de wide receivers da NFL em 2014 nesse quesito.

Em 2015, perdeu os primeiros quatro jogos da temporada por violação da política de abuso de substâncias ilícitas da liga, mas acabou retornando apenas no meio do mês de Outubro devido a uma lesão. Nos 11 jogos da temporada, foram 50 recepções, 765 jardas e 6 touchdowns, além de uma lendária recepção para touchdown num flip contra o Bengals em Cincinnati nos playoffs.

Em 2016, após violar novamente políticas de substâncias da liga, Bryant foi suspenso por um mínimo de um ano, período no qual não poderia nem entrar em contato com membros da franquia. O Steelers teve que forçar a ascensão e o uso de outros wide receivers mais novos, como Eli Rogers e Cobi Hamilton (principalmente porque não contava com Le’Veon Bell, também suspenso). A liberação para a sua volta só foi assinada em 1º de Setembro de 2017, quando já havia perdido a oportunidade de jogar em todas as partidas da pré-temporada de Pittsburgh, e teve que assistir novamente a outros jogadores ganharem espaço no plano de ataque.

O drama

O clima já começou a ficar pesado quando, com a 62ª pick do Draft 2017, O Steelers selecionou o wide receiver JuJu Smith-Schuster, de USC. Martavis veio a público (no Twitter) e reagiu estranhamente à escolha:

o jogador apagou o tweet, mas a internet não deixa barato (fonte: PennLive.com)

Até o head coach Mike Tomlin foi forçado a intervir na situação, também pelo Twitter:

A vaga de WR2 do time estava em aberto para quem quisesse pegar, fosse Bryant, fosse JuJu, ou até Eli Rogers, quem quer que apresentasse o melhor desempenho teria mais oportunidades de mostrar serviço. E como é possível ver no infográfico no final da página, Martavis foi quem começou com toda a prioridade da posição, mas vê, aos poucos, sua participação diminuir.

Então começou a o drama que estamos vendo agora: Bryant começou pedindo que o time o desse mais oportunidades, snaps e passes em sua direção, onde teoricamente seria uma posição de um jogador acreditando em seu próprio potencial e assistindo a um ataque engasgado, com dificuldades de avançar em campo.

Mas não parou por aí: o insider da NFL, Ian Rapoport, declarou que o jogador estaria tão insatisfeito que solicitou ao time que o trocasse (nota: Rapoport não tem lá a melhor das reputações no Steelers, especialmente depois de forçar que Big Ben teria pedido pra ser trocado do time), informação reforçada pela namorada do jogador e depois prontamente negada pelo próprio Bryant.

Porém, após a última partida da equipe, contra o Bengals, Martavis Bryant parece ter simplesmente parado de se esforçar para esconder o seu desejo de ser trocado. Em discussão em seu Instagram, afirmou que “JuJu não está nem perto de ser tão bom quanto eu. Tudo o que eles [o time] precisam fazer é me dar o que eu quero [a troca] e vocês podem ter JuJu e quem quer que seja”:

https://twitter.com/MattFrasco/status/922271033582915585

O redator da ESPN, Jeremy Fowler, também já recebeu informações de fontes de que ele gostaria da troca. Josina Anderson, também da ESPN, entrevistou o jogador, que reforçou que, apesar de querer ficar, precisa que o time o use ao nível de seu potencial ou permita que ele vá ser usado em outro lugar e, se não for trocado, não irá renovar contrato com o time. Tanto Mike Tomlin quanto Art Rooney II já informaram que o jogador não está disponível para troca. Ben Roethlisberger, tentando resolver o assunto internamente, já disse que o jogador deveria vir falar com ele e acharão um jeito.

Nesta semana, o jogador já faltou encontro obrigatório com o time para uma ida ao médico e foi oficialmente colocado na lista de inativos para a partida de domingo em Detroit.

O que resta?

Quando perguntado a respeito, Roethlisberger disse que não apenas mais passes de touchdown para Martavis, mas para todo mundo, já diminuiria a pressão e o drama rondando o setor de ataque da equipe, em nova tentativa de trazer para si a responsabilidade.

Com os seus 36 targets em 7 jogos, Bryant tem uma média de 5 passes em sua direção por jogo, ficando em terceiro lugar na equipe (obviamente atrás de Antonio Brown – 84 – e Le’Veon Bell – 42). JuJu tem apenas 26 targets. Apenas 50% dos passes em sua direção foram convertidos em recepções.

O contrato de calouro do wide receiver ainda tem mais uma temporada inteira de duração, indo, portanto, até o final da temporada 2018 (o Steelers ganhou mais um ano no contrato automaticamente quando Bryant não foi ativo em nenhuma rodada da temporada 2016). Se por um lado o Steelers ficaria sem prejuízo financeiro ao cortar o atleta, não precisa se apressar em liberar um jogador com esse potencial que custa tão pouco.

É com esse percentual que Bryant quer aumentar a sua participação em campo? Quantos passes o time pode simplesmente deixar de dar a Brown e Bell com o intuito de satisfazer o recebedor #3 (arriscando inclusive reações semelhantes dos dois acima)? O que precisa ser feito para que Martavis pare de tumultuar o ambiente de mídia da equipe e resolva o problema internamente?