A Free Agency da NFL se iniciou e as análises pré-FA estão no site. Após duas semanas, já é cabível fazer uma pequena análise do período. É o que este texto se propõe a fazer.

O resumo da free agency, entretanto, pode se resumir em uma frase até o momento: O que aconteceu com Bruce Allen?! E, pelamordedeus, que esta incorporação, de uma alma que entende de futebol americano, não canse de lutar contra a pomba-gira que normalmente habita aquele corpo.

Exagero? Pode ser.  Mas ver os Redskins atuando de forma responsável, respeitando uma mentalidade direcionada ao draft. Não gastando rios de dinheiro para nomes consagrados, que ficariam no máximo três anos na franquia. E vazariam sem deixar saudades. Isto é algo que este torcedor quase acéfalo sonhou por muito tempo. E parece ser o foco atual do front office.  Notem: a palavra “parece” é utilizada aqui, muito porque, quando se trata dos Redskins, e do amálgama Allensnyder, três passos atrás é a distância correta a observar.

Introduzido o texto com um parecer positivo da free agency, cabe entender o porquê disso. Para isso, precisamos ver quais foram nossas movimentações até agora:

(02/04/2018, 10h00)*:

  1. Contratamos: QB Alex Smith (troca); CB Orlando Scandrick (dispensado); WR Paul Richardson (FA); OLB Pernell McPhee (dispensado); P Sam Irwin-Hill (dispensado);
  2. Renovamos: MLB Mason Foster; MLB Zach Brown; WR Bryan Quick; K Dustin Hopkins; CB Quinton Dunbar; S Deshazor Everett;
  3. Perdemos: QB Kirk Cousins (FA); OLB Trent Murphy (FA); TE Niles Paul (FA); C Spencer Long (FA); WR Terrelle Pryor (FA); CB Kendall Fuller (troca); CB Bashaud Breeland (FA); WR Ryan Grant (FA); SS Su’a Cravens (troca).

Vocês devem notar que há uma particularidade acima. Diversamente do que vários sites falam sobre nossa FA, incluí a renovação do LB Mason Foster, isto porque estamos contando o ano de 2018. Se não, não poderia sequer cogitar sobre a trade Alex Smith x Kendall Fuller, que ocorreu pré-FA.  Também poderia incluir aqui outro jogador que seria FA nesta offseason e teve seu contrato renovado ainda no início de 2017. Numa ÓTIMA renovação, o RT Morgan Moses. O que mostra, mais uma vez, que a pomba-gira está fora do corpo de Bruce Allen há um tempinho…

Há alguns lados das contratações que devem ser analisados, então farei por tópicos, como abaixo declinarei.

Aspectos positivos da Free Agency

Escolhas compensatórias

O primeiro item a ser analisado tem a ver diretamente com a troca de Alex Smith. O que pontuei em um artigo anterior, que pode ser lido neste link aqui. Existe a possibilidade de ganharmos uma escolha de terceira rodada compensatória no draft 2019.

Efetivamente, apesar de termos feito quatro contratações, apenas uma delas foi de um efetivo free agent. O WR ex-Seattle Paul Richardson. Além disso, perdemos cinco jogadores para a free agency.  E por que isso é importante?

Porque as escolhas compensatórias levam em consideração, para ser atribuídas pela NFL, somente as contratações e perdas de efetivos free agents. Isto é, continuamos elegíveis à escolha de terceira rodada que mencionei naquele artigo. Além de, possivelmente, mais algumas.  A contratação de Paul Richardson será compensada com a perda de Ryan Grant e/ou Terrelle Pryor.

A principal contratação que se espera concretizar, do NT Johnathan Hankins (dedos cruzados aqui!), também não interefe no tema, já que ele foi dispensado do Indianapolis Colts. Não é um free agent “puro”.

Mais uma vez, a ausência da pomba-gira no corpo de Bruce Allen fez algo de bom. Fez com que aqueles olhos e mente, finalmente, lessem as regras da NFL!

Corpo de wide receivers

O segundo item tem relação direta com nossa principal necessidade ofensiva, pontuada com mais detalhes neste link, é uma interessante leitura.

Como pontuei ali, o WR Paul Richardson sempre foi o principal alvo da franquia, por trazer um elemento que não tivemos em 2017: Um WR rápido (ele fez 4.40s no tiro de 40 jardas no combine. Para efeito de comparação, nosso último WR esticador de campo, DeSean Jackson, fez 4.35s, isto é, bastante semelhante) e com boas mãos.

E seu contrato foi, apesar de tudo que lemos aqui no Brasil, simplesmente excepcional: um cap hit de apenas U$4milhões no primeiro ano. Posteriormente, U$7,5milhões em 2019 e U$8,5milhões em 2020, com uma saída após o terceiro ano (2021) com apenas U$4milhões de dead cap.

O wide receiver Paul Richardson assina contrato com os Redskins

Com Brian Quick (outro excelente contrato), Robert Davis, Maurice Harris melhorando e substituindo, assim, o WR Ryan Grant, que era, na prática, no WR 4. Trata-se de uma melhora significativa no corpo de WRs da franquia, já que temos, após o hiato de um ano, novamente um WR1 e um WR2 no elenco.

Manutenção da base de draft da franquia

Em 2017, tivemos nada mais, nada menos, que 17 (!) titulares da primeira semana advindos do draft.  Com a ausência de grandes contratações, esta linha de pensamento – que este torcedor quase acéfalo entende correta – está sendo mantida pela franquia.

Fez-se uma opção pela classe de draft de 2015 (Brandon Scherff, Preston Smith e Jamison Crowder) em detrimento da classe de draft de 2014, quando escolhemos Trent Murphy, Spencer Long, Bashaud Breeland e Ryan Grant. Sendo que, como pontuado, já havíamos efetuado a renovação do principal expoente da classe, o RT Morgan Moses. Estas renovações – especialmente de Preston e Crowder, que não têm a opção de quinto ano inerente à primeira rodada que tem o contrato de Scherff – serão caras e, deixando estes jogadores irem embora na Free Agency, teremos a possibilidade de utilizar o draft de 2019 para eventuais buracos do elenco. Isso já que teremos, prevejo, mais escolhas compensatórias que somente a praticamente garantida escolha de terceira rodada decorrente do contrato do ex-melhor QB de todos os tempos porque joga na franquia que torço.

Manutenção do corpo de MLBs titular

Como expus brevemente neste artigo, nossa defesa iniciou a temporada de 2017 acalmando a alma dos torcedores de antanho que, como eu, já viram grandes defesas com os Redskins. Apesar disto, foi despedaçando com o passar da temporada. Terminou com o maior índice de lesões entre todas as franquias da NFL – que dilacerou, também, nossa linha ofensiva.

A renovação dos MLBs Mason Foster e Zach Brown gera estabilidade no combate ao corpo corrido. Juntamente com o upgrade que está sendo feito no setor médico e de recuperação de lesões da equipe, dá meios para que nossa principal deficiência seja diminuída ou até execrada (será?) na temporada porvir.

Algum valor pelo SS Su’a Cravens

Este é um tema controverso: após ficar um ano de fora, flertar com aposentadoria, alegar concussão e finalmente estar disponível (será?) para 2018, o SS Su’a Cravens foi trocado para o Denver Broncos pela alternância de picks de 4º e 5º round, além de uma escolha de 5º round e uma possível escolha de 6º round no draft 2020.

Ex-escolha de segunda rodada, não houve poucos que levantaram a voz para criticar a troca; porém, sob estes olhos quase acéfalos, apesar do enorme talento de Cravens, sua presença poderia gerar muita instabilidade no vestiário.

Levando em consideração que praticamente não contávamos com o jogador por conta do fato, a troca foi excelente: ganhamos as picks nº 109, 142 e 163 e enviamos as picks nº 113 e 149, além do jogador.

Transcrevo aqui, quase ipsis literis – porque postada via WhatsApp –, a analogia de um dos torcedores mais presentes da franquia, parte essencial para este site existir, o “dotô” Fábio, do @RedskinsFansBrazil:

“Imaginem que vocês pagaram 90 mil reais num carro novo. Mas logo de cara esse carro se envolveu em um acidente grave de trânsito e quase deu perda total. Ficou vários meses parado em uma oficina sendo consertado e agora, depois de pronto, o mecânico diz que ele está remendado, mas bom pra andar de novo.  Você seguiu sua vida, trocou de carro e agora quer vender/passar pra frente essa bomba de qualquer jeito. Você até pede uns 80 mil de cara, pra ver se um otário aceita. Mas quando percebe que as pessoas que podem comprá-lo estão levando seus mecânicos para darem uma olhada e sabem que ele já foi batido e quase destruído, percebe que se não vender por 65 mil vai acabar com o mico na mão.. Aí você aceita os 65 antes que ele passe a valer ainda menos!”

Aspectos negativos da Free Agency

Secundária

Nossa secundária sangrou nesta free agency e deve ser trazida como um dos aspectos negativos da intertemporada até aqui.

Perdemos nosso CB2, Bashaud Breeland. Apesar de não ser sido brilhante, era um cornerback bastante sólido na maioria dos snaps jogados.  Além dele, perdemos o nickelcorner titular do esquema defensivo, Kendall Fuller. Assim como a esperança que o retorno do SS Su’a Cravens trazia para a posição.

O CB Orlando Scandrick foi contratado como um veterano que chega para trazer sua experiência aos jovens valores da secundária. Porém, ele é, pensando quase acefalamente, inferior a todos os jogadores que perdemos.

Apesar dos votos de confiança que foram dados aos jovens FS Montae Nicholson (22 anos), CB Quinton Dunbar (25) e CB Fabian Moreau (23), todos com um possível grande futuro pela frente, saímos desta free agency com várias dúvidas na secundária. Além de não endereçarmos, para mim, a principal delas: A ausência de um excelente tackleador como SS. Posição que DJ Swearinger, apesar da enorme vontade e capacidade de liderança, tem uma certa ausência de… talento.

Linha Defensiva

Quanto à linha defensiva em si, nota-se que o front office tentou e tem tentado, durante todo o período de free agency, incorporar talentos complementares e, até o momento, não tem conseguido.

Perseguimos os DTs Sheldon Richardson e Sylvester Williams, consideramos o DT Bennie Logan e aguardamos – possivelmente em vão – o fechamento de contrato com o DT Johnathan Hankins.

Pelo número de jogadores que entramos em contato e a ausência de contratação até agora, não é preciso muito para saber que, apesar de termos, efetivamente, uma necessidade na linha defensiva – especialmente face às lesões e à necessidade de alta rotatividade –, a ausência de contratações para ela traz preocupações, que podem, entretanto, ser solucionadas via draft.

Resumindo

Quase todas as necessidades pontuadas no artigo sobre necessidades para free agency foram endereçadas. Bruce Allen fez um trabalho para espantar a pomba-gira que, até agora (batam na madeira! toc, toc, toc) vem dando certo.  Aguardemos o draft para que nossas expectativas para a temporada 2018 sejam – ou não – correspondidas.

Que Touro Sentado continue iluminando os contatos e os contratos de Allensnyder nesta free agency!

#HTTR
#EuSouRedskins

texto por Antonio Cruz
revisão por Diogo Miranda

*Mudanças no roster após a redação deste texto: Assinou contrato de 1 ano com o DT Phil Taylor, que já estava no elenco.

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