A temporada de 2021 está prestes a começar para o Baltimore Ravens. Mais um ano com expectativas elevadas por um time que é favorito para estar nos playoffs e está entre os candidatos ao título na AFC. Assim, para nos prepararmos, separamos as sete principais narrativas para acompanhar ao longo do campeonato.

1 – Lamar Jackson evoluirá?

Os últimos playoffs terminaram com mais uma derrota nas semifinais de conferência e o ataque do Ravens mostrou novo desempenho de elite no jogo terrestre, mas ainda precisava de evolução na parte aérea. Com novas armas formando o grupo de recebedores mais talentoso da equipe em muitos anos, cabe a Lamar e ao coordenador ofensivo Greg Roman fazerem a produção crescer.

O ataque aéreo de Baltimore nunca será pautado em volume, mas sim em eficiência para complementar o jogo corrido. Contudo, Lamar ainda pode mostrar melhorias em seu arsenal técnico. Detalhei um pouco mais sobre isso na thread abaixo:

2 – Quem será o RB1?

Em uma sequência inacreditável de eventos, o Ravens perdeu três de seus quatro RBs por toda a temporada em um período de menos de duas semanas. Com isso, foram contratados os veteranos Le’Veon Bell, Devonta Freeman, Latavius Murray e Trenton Cannon para complementar o grupo que tinha Ty’Son Williams como sobrevivente.

Williams é o favorito para liderar a rotação na semana 1 enquanto os outros companheiros entram em forma e se acostumam com o esquema. Pessoalmente, vejo Ty’Son como a opção mais interessante, por ser um jogador mais novo e que pode ser bem auxiliado por Murray. Caso Bell recupere o físico de outrora, pode ser uma forte arma como recebedor. Por fim, não vejo muito acréscimo na contratação de Freeman em relação a este grupo e Cannon deve atuar apenas entre os especialistas.

3 – Como o grupo de recebedores vai produzir?

Eric DeCosta tomou como missão transformar o grupo de recebedores do Ravens. Já foram muitas escolhas de Draft e contratações investidas na posição. Agora, o trabalho parece completo e cabe aos jogadores corresponder. O trio formado por Sammy Watkins, Hollywood Brown e o calouro Rashod Bateman promete ser completo e tem bom potencial. Além disso, Tylan Wallace, Devin Duvernay, James Proche e Miles Boykin oferecem uma variedade de talentos e importância em outros setores como reservas.

Em termos de expectativas, Watkins tem muito talento, mas precisa ficar saudável. Hollywood deve ter mais chances de jogar no slot, já tem química forte com Lamar e é um bom alvo em profundidade. Bateman tem habilidade nas rotas e depois da recepção, mas deve estrear apenas em outubro. Nesse vácuo, Duvernay provavelmente receberá oportunidades, especialmente pelo slot. Cabe a ele aproveitar a chance enquanto Bateman está fora para conquistar mais espaço.

O restante do grupo deve ter menos snaps no ataque, mas Proche e Wallace podem ter chances nas primeiras semanas. Além disso, vale lembrar que Mark Andrews continua como o principal alvo de Lamar e sua produção deve permanecer constante.

Ronnie Stanley, LT do Ravens

4 – A OL vai encaixar? Quanto tempo vai demorar?

Foram muitas mudanças em uma OL que sofreu muito com instabilidade em 2020. O LT Ronnie Stanley está de volta após uma séria lesão. Pode demorar um pouco para recuperar o ritmo, mas ainda é um dos melhores da sua posição. Outro nome que continua entre os titulares da unidade é Bradley Bozeman. No entanto, passou o período de treinamentos se preparando para fazer a transição para C. Ele jogou na posição em Alabama, mas foi guard em toda a carreira na NFL até aqui. Por fim, entre os titulares que já estavam no elenco, Tyre Phillips e Ben Powers parecem ainda estar disputando quem será o LG titular. Ambos jogaram como guards na OL de 2020 e provavelmente o vencedor dessa batalha será o ponto fraco da unidade e ainda terão a sombra do calouro Ben Cleveland.

Entre novas aquisições, Alejandro Villanueva será o RT. Depois de jogar toda a carreira como LT nos Steelers, veio para Baltimore para substituir Orlando Brown no lado direito da linha. Ele ainda tem alguma adaptação para fazer a jogar na ponta oposta e não é mais o jogador que foi antes, mas ainda promete ser sólido. Outra contratação foi o RG Kevin Zeitler, que já passou por Bengals, Browns e Giants antes de parar no Ravens. Trata-se de um guard veterano, inteligente e bom na proteção, embora esteja mais velho.

No fim das contas, é uma OL forte, com bons nomes, mas que precisará de tempo de adaptação. A unidade vista como titular quase não treinou junta e são uma série de mudanças e recuperações no processo. Isto pode fazer com que existam alguns tropeços no processo, mas o esperado é que mais para o segundo mês da temporada estejam em um nível próximo de top 10 da liga.

5 – Justin Madubuike dará um salto?

O interior da linha defensiva do Ravens é habitado majoritariamente por jogadores envelhecidos, como Calais Campbell, Brandon Williams e Derek Wolfe. Isto fez com que a torcida esperasse que pelo menos um atleta mais novo fosse escolhido para o setor. No entanto, isto não aconteceu e a comissão técnica parece ter muita confiança nos jovens Justin Madubuike e Broderick Washington.

Madubuike especialmente apresentou flashes explosivos no ano passado e teve um forte desempenho nos treinamentos. Isto o torna um dos principais candidatos da equipe a explodir em 2021. A grande questão fica em torno de como ele entrará na rotação e qual será a sua carga de snaps, mas as expectativas são elevadas.

6 – Como será a rotação dos pass rushers?

Se existe um setor que é uma incógnita para o Ravens de 2021 é o pass rush. Depois de perder os dois principais nomes do grupo em 2020 na Free Agency, coube a DeCosta basicamente fazer uma reformulação. Para isso, selecionou Odafe Oweh na primeira rodada do Draft e depois buscou Daelin Hayes na quinta rodada. Também contratou o veterano Justin Houston por um valor muito abaixo do esperado durante o Training Camp. Os três se juntaram a Tyus Bowser – que teve contrato renovado -, Pernell McPhee e Jaylon Ferguson.

Entre estes seis, Ferguson e Hayes devem ter menor participação defensiva. Houston acabou de chegar, mas é o mais experiente e provavelmente o melhor pass rusher do grupo. Já Oweh é uma máquina física, com talento contra a corrida, mas que precisa desenvolver o arsenal técnico para apressar os QBs. Bowser é o coringa do grupo, com potencial atlético e ótima habilidade na cobertura, sendo um dos melhores da posição no quesito na NFL. Enquanto isso, McPhee deve ter snaps limitados para produzir melhor, mas ainda é capaz de grandes desempenhos como foi o caso da vitória contra o Titans no último Wildcard. Sua principal participação deve ser alinhando pelo meio da linha em jogadas óbvias de passe.

É uma unidade com incógnitas, composta por jogadores que precisam se provar e veteranos que estão no final de suas carreiras. Esta combinação não oferece um teto tão elevado, mas a produção ainda pode ser semelhante a do ano passado.

7 – Como será o desempenho de Patrick Queen e Malik Harrison?

Para fechar as principais narrativas, a lesão de LJ Fort deixou óbvio que Patrick Queen e Malik Harrison terão muitos snaps pela frente no segundo ano na NFL. Queen foi uma escolha de primeira rodada, jogador muito explosivo e rápido, mas que mostrou dificuldades processando o jogo como calouro. Já Harrison teve menos snaps em 2020, mas mostrou evolução nos treinamentos e provavelmente já seria titular de qualquer forma.

A grande verdade é que esta é uma dupla com uma enorme variância entre os cenários possíveis de desempenho. Nenhum torcedor ficaria chocado se os dois sofressem na cobertura e fossem explorados por ataques mais competentes. Por outro lado, também não seria surpreendente se Queen tivesse um salto e se acostumasse com a velocidade da NFL para fazer grandes jogadas com consistência. No geral, uma boa temporada para os dois seria um ótimo sinal para esta defesa, mas fica a incerteza com o nível que podem alcançar.

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