O Inquieto Baltimore Ravens

O front office do Ravens está dando uma aula sobre não se conformar com o elenco nessa temporada. Mesmo com uma campanha de 4-2 e boa vantagem na liderança da divisão, a diretoria viu que a defesa estava indo mal e foi atrás de mudanças.

Adi√ß√Ķes ao Front Seven

Estava com problemas de comunicação no meio do campo e com LBs perdidos nas leituras? Traz o Josh Bynes e o LJ Fort e coloca Chris Board e Kenny Young no ostracismo.

Bynes já entregou jogadas de alto impacto com uma interceptação contra o Steelers e um passe desviado que virou a interceptação do Humphrey contra o Bengals. Já o Fort teve espaço razoável na semana 6 com o Onwuasor machucado e é um bom jogador para Special Teams

Enquanto isso, Chris Board e Kenny Young já perderam totalmente o espaço na semana 6, com snaps apenas como especialistas. Young inclusive foi até trocado por uma nova peça que ainda será mencionada.

Mais ajustes

Na DL, Martindale optou por usar mais OLBs nas rota√ß√Ķes da semana 6 e reduziu os snaps de Michael Pierce e Brandon Williams, mantendo os dois descansados. De acordo com dados do @FilmstudyRavens, o time teve apenas 1,58 DLs por snap contra o Bengals, menor marca do ano.

Al√©m disso, a contrata√ß√£o do Jihad Ward foi estranha e n√£o era esperado que ele tivesse muitos snaps, se tivesse… No entanto, o jogador chegou e j√° teve uma boa quantidade de jogadas, alinhando principalmente por fora em forma√ß√Ķes com muitos pass rushers e gerando alguma press√£o.

Outro nome que merece ser citado √© Tyus Bowser. Ele pode n√£o estar recebendo tantas chances e n√£o ser o que era o esperado na √©poca do Draft, mas costuma corresponder em seu papel limitado. J√° tem 2 sacks no ano e √© um dos poucos que gera press√£o, al√©m de ser √ļtil na cobertura.

Jaylon Ferguson tamb√©m passou a ganhar mais espa√ßo, sobretudo com forma√ß√Ķes intensivas em OLBs. Contudo, ainda n√£o mostrou a que veio em termos de produ√ß√£o, apesar de estar recebendo cada vez mais snaps.

O pass rush ainda é o principal problema do time e apenas Judon é confiável semana sim, semana não. McPhee ainda é capaz de produzir e ajuda quando alinha pelo meio. Isso ainda é muito pouco, mas é difícil ver alguma solução no curto prazo.

De qualquer forma, cr√©ditos para a comiss√£o t√©cnica por estar tentando algumas forma√ß√Ķes diferentes e tamb√©m por estar testando novas op√ß√Ķes em campo. Por mais que possa n√£o trazer um √≥timo resultado, mostra um time que n√£o aceita o n√≠vel atual e que quer lutar parar ser √≥timo.

Agora, para a secund√°ria…

As falhas de comunicação foram um problema terrível. Não foi tanto analisado na semana 1 porque o adversário era o Dolphins, mas os erros já estavam lá. A verdade é que Tony Jefferson foi um investimento equivocado da equipe e deixá-lo com o ponto no capacete foi mais um erro.

Perder Jimmy Smith logo no primeiro jogo fez com que o time tivesse que experimentar para ocupar o posto de CB pelo lado de fora. Marlon Humphrey joga em um dos lados, Brandon Carr assumiu o slot depois da les√£o do Tavon Young e ficou um buraco.

Os primeiros testes foram com Cyrus Jones (breves e terr√≠veis) e Anthony Averett. Este √ļltimo teve mais oportunidades, mas n√£o se firmou, cedendo uma s√©rie de jogadas grandes ou em situa√ß√Ķes importantes. O pr√≥ximo passo ent√£o foi tentar com Maurice Canady.

Canady nem entrou nos 53 iniciais do time para a temporada, mas pareceu ter tomado a vaga ao longo dos √ļltimos jogos, inclusive tirando Averett da rota√ß√£o. Ele tem feito algumas boas jogadas alternadas com coberturas ruins, certamente representando um ponto fr√°gil.

Com isso em mente, Eric DeCosta foi ao mercado. Primeiro se especulou uma troca por Jalen Ramsey, mas, no fim das contas, o que aconteceu hoje foi uma por Marcus Peters. Nela, o Ravens mandou apenas o LB Kenny Young e uma escolha de quinta rodada no próximo Draft, escolha essa herdada do Minnesota Vikings em uma troca pelo Karee Vedvik.

Sobre Marcus Peters no Ravens

Esse √© um movimento de risco baix√≠ssimo e recompensa bem alta. Peters j√° atuou em n√≠vel de elite na liga e √© um CB que pode ser caracterizado como “boom-or-bust”. Ele arrisca em busca de jogadas de alto impacto, mas acaba cedendo recep√ß√Ķes grandes por conta disso.

Ele já apresentou alguns problemas de vestiário e sua baixa intensidade em tackles é bastante documentada. Por outro lado, a produção é bem alta (24 INTs, 6 fumbles forçados e 36 passes defendidos).

Nesse ano, o PFF tinha ele entre os 15 melhores CBs da temporada. Eles apontavam 10 recep√ß√Ķes cedidas em 16 lan√ßamentos em sua dire√ß√£o para um total de 166 jardas, mas duas intercepta√ß√Ķes compensando.

Marcurs peters, um dos 10 melhores CBs pela PFF agora é um Raven!
Fonte: Pro Football Focus

Isso mostra que ele não era tão visado, mas que quando era atacado, normalmente era pego em posição desfavorável, provavelmente pela mentalidade agressiva de buscar turnovers.

A grande verdade é que o investimento feito foi tão baixo e ele é uma melhoria tão óbvia em relação ao Canady que o movimento vale muito a pena para o Ravens. Na pior das hipóteses, deixa o time na Free Agency em troca de um LB que não seria usada e uma escolha que veio de um K sem time.

No melhor cenário, ele encontra seu melhor jogo em Baltimore, gera turnovers e ajuda a defesa a se estabilizar. Além disso, com a volta de Jimmy Smith (provavelmente na semana 9), o time ganha muito em termos de peças de reposição e rotação.

Mais considera√ß√Ķes

Outro ponto que também deve ser visado é que a entrada de Chuck Clark após a lesão do Tony Jefferson pareceu ajudar na comunicação da defesa. Ele recebeu o capacete com o ponto, permitiu uma maior rotação entre os LBs e o time cedeu menos jogadas explosivas (contra ataques ruins).

Clark e Anthony Levine alinharam 8 snaps como os ILBs contra o Bengals com o Ravens com forma√ß√Ķes de 7 DBs (quarters). O time tamb√©m usou o dime (6 DBs) em 24 snaps, o pacote defensivo mais frequente no jogo. Dados novamente do @FilmstudyRavens.

DeShon Elliott ainda teve boa participação, mas se lesionou e foi para a IR. Até Justin Bethel, CB que foi trazido apenas para os STs, teve snaps defensivos contra o Bengals.

A grande conclusão disso tudo é que o Ravens não irá se conformar com apenas ganhar mesmo sem convencer. A comissão técnica e o GM querem um esforço completo e uma equipe dominante. Talvez isso não aconteça, mas, como disse anteriormente, o trabalho de ajustes é louvável.

Esse texto é uma compilação da thread do nosso colaborador e comentarista João Gabriel Gelli. Você pode conferir a thread original aqui.

Todos os conte√ļdos publicados neste site s√£o de responsabilidade de seus autores e n√£o necessariamente refletem as opini√Ķes e posicionamentos da FN Network.

2 respostas

  1. A postura do front office √© louv√°vel por buscar evolu√ß√£o no elenco. Realmente existe uma margem boa para o time evoluir. Temos boas varia√ß√Ķes para o plano de jogo encaixar contra qualquer advers√°rio e o time ficar cada vez mais s√≥lido dos dois lados da bola. Temos tamb√©m chance de desbancar Patriots e Chiefs (ser√°?). Os Ravens est√£o se renovando e est√£o melhores do que pensei que estariam este ano. Podemos sonhar alto? Sauda√ß√Ķes Casa do Corvo, voc√™s s√£o √≥timos!

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