Geralmente, o prêmio de melhor técnico da temporada é dado para aquele que conseguiu se manter mais consistente durante os jogos, trazendo várias vitórias. John Harbaugh foi premiado na temporada de 2019-2020, quando o Baltimore Ravens teve um recorde 14-2 (maior da história da franquia), com o time sendo o vice-líder em jardas ofensivas por jogo e com uma defesa top 5, além de ter consagrado Lamar Jackson como o segundo MVP unânime na história da NFL.

Chegando na semana 17 da temporada 2021-2022, existem alguns motivos para ele repetir o feito.

Enverga, mas (as vezes) não quebra

Quem torce para o time roxo e preto em 2021 sofreu MUITO. O placar terminou com uma posse de diferença em 10 de 15 jogos, mas somente em 4 destes terminou com uma derrota – sendo 3 seguidas mais recentemente. Além disso, o time teve um aproveitamento muito melhor quando estava atrás do placar faltando poucos minutos do que quando empatado ou liderando o jogo.

A grosso modo, ler que o time vem sofrendo muito para manter a liderança num texto que quer vender a ideia de que o HC merece ser considerado o melhor do ano parece ser um absurdo, então vale refrescar a memória de quem está lendo sobre algumas coisas que aconteceram no time da “Charm City” em 2021.

Lesões

Nem havia começado a temporada direito e o Ravens teve algumas baixas muito importantes. O LB L. J. Fort foi o primeiro a sofrer ruptura de ligamento cruzado anterior (LCA) durante o jogo de pré-temporada contra Carolina Panthers em agosto. Na semana seguinte, foi a vez do RB J. K. Dobbins sofrer a mesma lesão em jogo de pré-temporada.

Isso foi suficiente para critica-lo sobre a decisão de colocar titulares para disputar “um jogo que não vale nada”. Dias depois, ela retornaria a assombrar o elenco: no mesmo treino, Marcus Peters (CB) e Gus Edwards (RB) também romperam o LCA no início de setembro, sendo que este último era previsto para ser o titular com a baixa do Dobbins.

Mais recente foram as lesões de Marlon Humphrey (CB) no fim do jogo contra Pittsburgh Steelers e do quarterback Lamar Jackson no começo do jogo seguinte em Cleveland. Sem contar que, depois desse jogo contra o Browns, houve um surto de COVID-19 (ocasionado pelo contato com os jogadores adversários).

Entrando na semana 17, foram ao todo 162 vezes reportado algum nome na Injured Reserve (IR) esse ano, sendo 20 nomes fora de jogos dentre os 53 relacionados, segundo Pro-Football Reference. Nesses dados não há a relação dos jogadores que testaram positivo e ficaram fora dos jogos.

Nada pode abalar

Apesar de fazer o artista gráfico chorar por ter que mudar várias vezes no ano a forma de mostrar os relacionados na lista de machucados por não caber no espaço que havia deixado anteriormente, John Harbaugh tem administrado bem um time todo sequelado como este. O Ravens entrou na semana 13 com 8 vitórias e apenas 3 derrotas.

A nível de comparação, o San Francisco 49ers, que tem histórico de sofrer bastante com lesões (esse ano reportou 135 vezes algum nome pra IR e teve 31 jogadores fora), conseguiu 6 vitórias no mesmo período, mesmo número de vitórias que teve na temporada passada inteira, a qual sofreu com algo muito similar com o que Baltimore tem sofrido esse ano.

Agressividade e decisões polêmicas

Desde 2019, a dupla Jackson-Harbaugh tem sido muito agressiva nos jogos. Um dos primeiros atos foi no jogo contra Seattle, onde Lamar insiste em querer tentar uma quarta descida curta e o diálogo que ele tem com o técnico nessa decisão viralizou desde então.

John confia muito no seu QB1 e tem deixado de usar o melhor kicker da NFL em situações que poderiam ser facilmente um field goal para tentar ganhar mais território.

No início da temporada de 2021, a decisão de tentar a quarta descida em cima do Kansas City Chiefs foi crucial para ganhar o jogo e mostrou o quão sangue frio ele pode ser. Nos últimos 4 jogos, entretanto, ele tem sido duramente criticado por tentar as conversões de 2 pontos para ganhar o jogo e tentativas de 4ª descida mal sucedidas.

Em entrevistas, ele diz que não se importa muito com as críticas, já que o objetivo dele é ganhar jogos e foi isso que ele tentou fazer. Vale lembrar que mesmo dando a cartada final, o processo de escolha e decisão das jogadas passa por vários outros técnicos, assistentes e até jogadores, mas ele tem a maior responsabilidade pelo time.

Competitividade

Por fim, um dos maiores motivos para John Harbaugh estar nas conversas de técnico do ano é a capacidade de manter os jogos competitivos (até certo ponto), mesmo com várias adversidades. Os duelos contra os times da conferência nacional são alguns exemplos claros disso.

Contra o Vikings, possibilitou que o time, mesmo com uma defesa bem ruim, pudesse levar o jogo para a prorrogação e vencer. Em Chicago, descobriu que seu QB titular não jogaria minutos antes do jogo começar e mesmo assim conseguiu ser decisivo, ganhando o jogo nos minutos finais. Contra o Packers, entrou em campo contra o melhor time da NFC com diversos desfalques defensivos devido ao surto de COVID-19 no time e sem o QB titular de novo, mas conseguiu jogar até certa altura de igual para igual e perder somente por 1 ponto de diferença.

Mesmo com uma série de 5 derrotas seguidas, em 4 delas foram por menos de 3 pontos, sendo que estava sem seu quarterback titular na maioria dessas partidas, além de inúmeros desfalques na defesa por lesão e COVID. Não são muitos técnicos que conseguem gerenciar tantas (quase) vitórias em situações como essas. O próprio John teve sua primeira temporada negativa quando sofreu com muitas lesões, terminando com 5 vitórias.

Obviamente, existem outros nomes que administraram muito bem sua equipe durante a temporada de 2021-2022 e merecem o prêmio. Mas, com certeza, John Harbaugh tem feito muito para estar disputando junto a eles.

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