Fala, galera pele-vermelha!  Fácil falar sobre a temporada neste bom início, certo?  Vamos no hype, certo? Então… Sendo quase acéfalo, resolvi trazer um possível problema desta temporada. Até o momento, foram dois jogos bons e um apagão mental contra os Colts. Neste artigo Redskins e ‘playcalling’, falarei sobre o amor incondicional de Jay Gruden pelo jogo corrido nas primeiras descidas.

Redskins e ‘playcalling’

Estatística não é meu meio de vida, mas ela faz parte de qualquer análise de um jogo de futebol americano. Muitas vezes de um jeito um tanto quanto pedante. Como dependo – também – do pedantismo para minha vida profissional, nestas linhas tento deixar de sê-lo – falhando miseravelmente muitas vezes, como neste texto.

Há vários estudos sobre a eficiência de jogadas no futebol americano. A obviedade da frase pulula nas mentes incautas dos leitores, mas a frase foi dita para citar um pequeno estudo, feito pelo Walter Sharpp (tt: @sharppfootball). Baseado em estatísticas avançadas (ou não), invariavelmente, as franquias que vão ao Super Bowl são as que têm maior eficiência em primeiras descidas. Isto facilita o movimento das correntes com segundas e terceiras descidas curtas.

E qual a jogada mais eficiente em uma primeira descida? Acertou quem disse o passe, com uma média de 6 jardas por passe tentado.  E qual a jogada que mais usamos? Não é surpresa para qualquer um que acompanhe os jogos. Corrida. A estatística mostra que, em média, alcançamos por volta de 4 jardas por tentativa.

Números atuais

Nesta temporada, utilizamos a corrida na primeira descida em quase 63% (59 tentativas em 94 primeiras descidas) das jogadas desta situação. Nossa média de jardas conquistadas com estas corridas na primeira descida é de 4,6 jardas.  No passe, nossa média de jardas na primeira descida é de 7,6 jardas por tentativa, com 71,9% de aproveitamento (22/32 tentativas, das 83 primeiras descidas que tivemos).

Trazendo esses números um tanto crus, o xingamento do nosso head coach poderia começar. Por que não corremos menos e passamos mais em primeiras descidas? Há, entretanto, um outro aspecto a ser considerado. Um tanto quanto etéreo, mas necessário à análise, que gostaria de falar aqui.  Gruden não está de todo errado.

Isso porque, pegando somente as primeiras metades dos meros três jogos até agora, vemos que a diferença entre chamadas de corridas e passes está seguindo um padrão interessante. Foram 50 corridas (com média de 4.7 jardas por tentativa) e 51 passes tentados (72,5% de acerto, média de 9,6 jardas).  Na segunda metade desses jogos, o balanço quase se mantém. Foram 49 corridas ao todo (média de 3,6 jardas) e 45 passes (64,5% de acerto, com média de 6 jardas).

Esse balanço de jogadas é importante para manter vivo o melhor amigo de qualquer QB: o play action. Este proporciona mais tempo para os lançamentos e fazem com que a efetividade do passe seja maior.  Mas por que cargas d’água corremos tanto em primeiras descidas, que é o motivo principal deste textículo? Acredito que os motivos sejam bastante simples.

Redskins e 'playcalling'
O Head Coach do Redskins, Jay Gruden, observando mais uma corrida em primeira descida que deu errado..

Razões de tantas corridas em primeiras descidas

Primeiro, em 2/3 dos jogos, estávamos ganhando – e bem – na virada de jogo; isso faz com que o time acabe por correr mais com a bola no segundo tempo. Por conta do clássico conceito de que corridas fazem o relógio andar. Passes, quando incompletos (são quase um terço das vezes que isso acontece), fazem o relógio parar.  Puro gerenciamento de relógio clássico. Não escrevi “correto”, escrevi “clássico”.  No último jogo, contra os Packers, quase 100% das nossas primeiras descidas foram jogadas de corrida no segundo tempo.

Segundo, que o receio numa jogada de passe em primeira descida é alto. Caso seja um passe incompleto (o que ocorre em quase 1/3 das tentativas, em nossa média atual), ainda teremos de caminhar mais dez jardas. Em tese, com uma média de 4,7 jardas por tentativa, não é tão ruim ficar em segundas descidas para 5/6 jardas. Já eliminando, desde logo, que a defesa se apronte para uma clara jogada de passe, bastante mais improvável de concluir.

Terceiro, há outro detalhe, pensando na própria temporada. Ficando os Redskins “carimbados” como um time run first, nosso play action funciona muito melhor. Lembram do TD do Paul Richardson? Vejam o posicionamento dos defensores cobrindo os gaps (eles fizeram inclusive uma blitz). Estavam tão preocupados com uma corrida, que espaçaram os jogadores. Não estavam bem preparados para uma big play (aliás, que belo lançamento do SmYth, que bela rota do Richardson).  Era uma primeira para dez!

Concluindo o raciocínio acéfalo

Enfim: não sou muito fã de adotar a postura de corridas na maioria das primeiras descidas.  Mas não me parece que seja o caso – ainda – de falar que nosso head coach esteja totalmente errado, ainda mais estando 2-1 na temporada.

E é isso: viva Gerônimo e que Touro Sentado continue zelando por nós.

#HTTR
#EuSouRedskins

P.S.: Os números citados foram tirados do site Pro Football Reference.

texto por Antonio Cruz

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“Hail to the Redskins, hail victory! Braves on the warpath, fight for old D.C.!”

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