Algumas surpresas estão acontecendo nessa 100º temporada da NFL. Times que não estavam cotados para disputar o titulo de divisão estão se destacando, outros estão decepcionando, mas uma coisa não mudou dos últimos anos pra cá: o New England Patriots terá mais um ano positivo.

QUEM TEM BILL, TEM DEFESA

Desde 2001, os Pats SEMPRE terminaram a temporada com um record acima ou igual a nove vitórias. São dezenove anos com temporadas positivas. Só para ter uma noção do feito, o New York Jets tem o mesmo número (19) de temporadas vitoriosas em sua HISTÓRIA.

Mas o record de 9-1 engana um pouco o torcedor.  Com um início de temporada fulminante de sua defesa; Bill Belichick – que voltou a chamar as jogadas defensivas após a ida de Brian Flores para Miami – conseguiu estabelecer números impressionantes.

São 28 turnovers para a defesa dos Pats e apenas 9 touchdowns sofridos (5 terrestres e 4 aéreos). Com isso, a equipe de Massachusetts tem a melhor defesa em jardas totais e jardas aéreas, sendo um pesadelo para os adversários (menos para o até então MVP da temporada, Lamar Jackson).

RECEBEDORES, LINHA OFENSIVA E REDZONE: UMA TEMPORADA ABAIXO DO ESPERADO

Com 42 anos, o maior vencedor da história do esporte, Tom Brady, tem números que parecem sólidos. São 2,752 jardas, 14 touchdowns e cinco interceptações. Sim, a idade pesa. Não adianta esperar o rendimento de Brady o comparando com Lamar Jackson, Deshaun Watson ou Patrick Mahomes. Ele tem 42 anos e está na hora de lidar com esse fato. Talvez nem o próprio Brady esteja pensando desse jeito. Mas, para um ‘senhor’, ele ainda é um ótimo jogador.

A maior falha de Brady essa temporada é seu deslocamento no pocket. Ele vinha sendo elogiado por ter melhorado bastante isso durante seu ‘envelhecimento’, mas decaiu bastante nesse ano. Suas decisões por vezes são precipitadas, mas ele é o menos culpado nisso tudo.

Tom Brady ainda segue sendo decisivo, clutch e preciso em seus passes. É hora de pensar em um quarterback? AINDA não. Mas ao final da próxima temporada, com certeza será preciso pensar para quem o ‘marido da Gisele’ irá passar o seu ponto eletrônico.

RECEBEDORES

Rob Gronkowski se aposentou após o titulo do Super Bowl LIII. Josh Gordon foi dispensado e já defende os Seahawks. N’Keal Harry só estreou semana passada contra os Eagles. Antonio Brown foi apenas uma ilusão de óptica, parece que nem aconteceu.

Como se pode ver, os Patriots não tiveram vida fácil para entregar armas a Tom Brady essa temporada. Apesar da troca por Mohamed Sanu na deadline, o corpo de recebedores tem como seu principal nome o bom e velho Julian Edelman. O MVP do último Super Bowl até deu passe para touchdown no último domingo.  São 714 jardas e quatro touchdowns

Phillip Dorsett, que teve um início fulminante, acabou se lesionando e ainda não mostrou o mesmo nível após voltar aos gramados. O corpo de Tight Ends é quase nulo, usado basicamente para bloqueios em corridas.

Porém, quem tem Tom Brady, não precisa de muito. Os Running Backs – Michel e White – colaboram muito com o jogo aéreo em screens e checkdowns, mostrando uma química apurada entre eles e o Quarterback dos Pats.

Não é um corpo que se encha os olhos, mas é mais do que o necessário para Brady. Basta o nível se elevar e química – não esquecendo que as chamadas de McDaniels são cruciais para isso – ser criada.

LINHA OFENSIVA

Parte importante da linha, o Center David Andrews sequer participou de um jogo nessa temporada. O Tackle Isaiah Lynn saiu da injury reserve apenas essa semana. Ou seja, desfalques também foram sentidos na linha ofensiva patriota.

É verdade que os números contra sacks são bons, sendo a quarta que menos cedeu, mas a proteção do jogo corrido é bem ruim. E quando se tem um quarterback de 42 anos, você precisa preserva-lo. A lesão do fullback James Develin também atrapalha, já que McDaniels adorava usa-lo em bloqueios principalmente pelo meio da linha.

Com a volta de Lynn, a tendencia é uma melhora no jogo corrido e que Brady não seja tão apertado no pocket como vinha sendo com Marshall Newhouse. Mas o técnico de OL Dante Scarnecchia é um gênio, tem anos de experiência com Belichick e pode tranquilamente mudar o panorama dessa linha.

REDZONE

Com 48,3% de aproveitamento na redzone, o Patriots é o 28º pior time de toda a NFL. E com a lesão do kicker Stephen Gostkowski, os Pats optaram muitas vezes por forçar uma quarta descida quando a posição não era favorável ao seu kicker – Mike Nuggent, na época – e não conseguiram. Com o baixo desempenho de Nugent, Nick Folk foi contratado e foi bem na última semana contra os Eagles.

Algumas chamadas de McDaniels vem sendo muito questionáveis. Um playbook por hora conservador e por hora pesado demais. As vezes dá certo – como na vitória contra os Eagles – as vezes dá muito errado – como na derrota contra os Ravens e até nas vitórias contra Bills e Browns, em que a defesa carregou.

É preciso correr melhor com a bola, fazer bloqueios mais inteligentes e ter um playbook mais consistente. Josh e Tom sempre foram conhecidos por terem uma química invejável entra OC e QB, mas no momento isso não vem acontecendo.

Mas todos conhecemos os Patriots. Quando menos se esperam, eles voltam a aparecem. Não se surpreenda caso a equipe melhore seu desempenho em redzone nessas ultimas rodadas, afinal, os playoffs estão logo ali.

O ATAQUE DO PATRIOTS É TÃO RUIM ASSIM, AFINAL?

Em números, o ataque não é ruim. O jogo aéreo funciona, a proteção acontece e Brady tem seu tempo no pocket para poder achar seus companheiros. O problema é o jogo corrido. Alguns anos atrás, era normal o Patriots não se preocupar com o jogo corrido, por muitas vezes foi o pior em jardas terrestre. Mas estamos em 2019 e é necessário descansar Tom Brady.

A linha ofensiva precisa melhorar, principalmente seu miolo. A falta de Andrews e Develin é sentida, mas se a equipe quer ganhar seu sétimo anel precisará correr muito melhor com a bola. Elogiado anteriormente por ser parte do jogo aéreo, é necessário alertar que pelo chão Sony Michel não vem fazendo um bom trabalho. O segundo-anista tem 154 carregadas para 515 jardas, com uma fraca média de 3.3 jardas por tentativa.

Mesmo com tantos problemas no jogo terrestre, a campanha 9-1 não tem só mérito da defesa. Brady conseguiu vencer jogos pela força do ataque e muitas vezes contando com pouco recebedores disponíveis. Mas quando foi preciso fazer um jogo de nível ofensivo alto (como foi contra o Ravens, em que a equipe tomou 34 pontos), o ataque não apareceu.

É necessário para os Patriots ligar a luz de alerta. Sem um jogo terrestre melhor, os playoffs tendem a ser um desafio para a equipe patriota. E Brady precisa continuar sendo Brady. Não é necessário brilho ou honrarias, ele pode ganhar seu sétimo anel apenas sendo ele mesmo.

Não se pode subestimar os Patriots, mas também não podem achar que são um tipo de bicho-papão. Lamar Jackson já mostrou que é possível, mas na final passada da AFC todos colocavam os Chiefs de Mahomes como francos favoritos. O vilão sempre volta uma hora, mas se o ‘ritual’ for correto, ele ‘finalmente morre’.

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