Por Adam Hoge para a NBC Sports Chicago

Na maior parte da última década, a NFL se esforçou para tornar mais seguro um jogo violento. É uma tarefa difícil talvez impossível mas as intenções são boas. A cada ano, mais regras são estabelecias no jogo. E a cada ano, não só fica mais difícil jogar na defesa, mas também fica mais difícil apitar.

A esperança é que, com o tempo, os jogadores aprendam técnicas mais seguras para os tackles, mas é um processo longo que começa nos níveis mais básicos conforme os jogadores se desenvolvem. Enquanto isso, aqui estamos nós em 2020, e parece que a defesa na NFL está quase extinta.

Então, haverá um time moderno da NFL que descobrirá como jogar uma defesa legalmente boa e física sob as rígidas regras de hoje?

Estou aqui para dizer que esta equipe já existe: O Chicago Bears de 2020.

O problema? A NFL treinou a arbitragem como se o distanciamento social também se aplicasse a jogar na defesa. Se você espirrar a menos de dois metros de um wide receiver, provavelmente será penalizado por interferência de passe. E se você acertar um jogador ofensivo com força, provavelmente será penalizado, mesmo se seguir as regras.

Não, esta não é apenas mais uma coluna reclamando sobre a arbitragem. Este é um apelo para a NFL perceber o que está acontecendo diante de seus olhos. A liga passou uma década tentando mudar a maneira como os times jogam defendem, na esperança de que eles se adaptem e aprendam como parar os ataques sem ter como alvo as cabeças dos jogadores. Agora existe uma equipe provando que isso pode ser feito e qual é a resposta da arbitragem da NFL?

Falta. Falta. Falta.

Em um tweet que já foi excluído, Eddie Jackson, o safety do Bears mostrou sua frustração nas redes sociais na noite de domingo, ao postar: “Se você acha que esses árbitros não têm algo contra nós, você é louco.”

É duvidoso que o escritório oficial da NFL esteja visando ativamente os Bears por causa de como eles jogam fisicamente. O que é muito mais provável é que os Bears estão simplesmente jogando de acordo com as regras diferenciadas em um nível superior ao que os árbitros são capazes de aplicálas. O que a liga devia fazer era editar trechos de vídeos mostrando como a defesa dos Bears está jogando e enviá-los para os outros 31 times como um exemplo perfeito de como jogar uma defesa regulamentar em 2020.

Caso em questão: Kyle Fuller. Fuller é um dos cornerbacks mais físicos da liga, mas ele dominou uma “ombrada” que é totalmente legal e igualmente chocante. E os árbitros simplesmente não sabem como lidar com ele, embora estudem e se preparem para esses jogadores / jogos semanalmente. Na semana 1, Fuller foi penalizado por força desnecessária (unnecessary roughness) quando seu capacete literalmente atingiu a bola. Isso realmente aconteceu. No domingo, contra os Panthers, ele foi penalizado por um óbvio tackle ombro a ombro, mas tecnicamente, a liga pode defender a decisão por causa da forma ambígua como a regra está escrita:

“Bater com força na cabeça ou pescoço do jogador indefeso com o capacete, máscara, antebraço ou ombro, mesmo que o contato inicial seja inferior ao pescoço do jogador.”

Então você pode acertar a área da cabeça ou do pescoço mesmo se acertar mais abaixo do que o pescoço?

As regras são a raiz do problema. “Capacete no capacete” ou “mirar o topo do capacete” são termos fáceis de entender. Mas hoje, existem “receptores indefesos” e “movimentos de futebol” e “áreas da cabeça ou pescoço” que aparentemente se estendem abaixo do pescoço.

Olha, eu entendo. A NFL quer banir os golpes perigosos jogo. Mas onde é a linha divisória? Se jogadores como Fuller estão se adaptando às regras e ainda assim encontrando uma maneira de fazer jogadas que mudam o jogo com sua fisicalidade, eles devem ser recompensados e não serem mais punidos ainda.

Acho que posso falar pelas pessoas que assistem ao jogo e querem ver contato“, disse o defensive tackle Akiem Hicks em setembro, após ser penalizado por cair em cima do quarterback Matt Ryan, dos Falcons. “Eles querem ver o quarterback maltratado um pouco. Você não quer que ele fique tranquilo no pocket e saia de férias.”

Hicks está certo. Os fãs de futebol ainda curtem uma boa defesa. E eles definitivamente não gostam quando jogadas defensivas que mudam o jogo são revertidas por causa de chamadas ruins da arbitragem ou regras mal escritas.

Na semana 5 contra os Buccaneers, Fuller forçou um fumble com uma trombada que deveria ser colocado no Hall da Fama do Futebol Profissional como a forma perfeita de defesa em 2020. E ainda, o árbitro de fundo, que não estava perto da jogada, ainda jogou uma flag atrasada porque ele reagiu ao impacto do golpe em vez de apitar baseado no que ele realmente viu. Foi um tackle legal, e o acontecimento mais surpreendente foi que os árbitros reverteram a chamada depois de confabularem. Infelizmente, esse bom senso durou apenas uma semana.

Enquanto isso, a interferência no passe continua a travar o jogo, principalmente porque é chamada de maneira inconsistente. Eddie Jackson teve dois retornos para touchdown anulados nesta temporada para o mesmo tipo de contato que não foi marcado neste domingo, quando o cornerback do Panthers, Rasul Douglas, escalou as costas de Allen Robinson para defender um passe dentro da linha de 5 jardas. 

Mas depois que a revisão das chamadas de interferência de passe se transformou em um desastre completo em 2019, parece que o padrão agora é fazer a chamada para qualquer tipo de contato apenas para evitar o que aconteceu no NFC Championship Game há dois anos [Nota do tradutor: aquele lance que ficou famoso entre o Rams e Saints]. Se eles não conseguiam acertar nem com o replay, como os árbitros em campo poderiam acertar em tempo real?

Em vez de conviver com uma chamada errada, a NFL criou um problema muito maior, em que a arbitragem não sabe como fazer uma marcação de interferência no passe de forma consistente assim como quando eles não sabiam o que era uma recepção por oito anos.

Isso se tornou um padrão na central de arbitragem da liga. Eles reagem e corrigem de forma exagerada, o que só torna as regras mais obscuras e mais difíceis de apitar. Enquanto isso, seus melhores árbitros continuam deixando a liga por empregos mais bem pagos na televisão.

Pior, excelentes jogadores defensivos como Eddie Jackson e Kule Fuller estão sendo impedidos de se tornarem superestrelas justamente quando estão jogando de acordo com as regras. Pode acreditar que Eddie Jackson está contando o número de touchdowns que ele deveria ter creditados a si, conforme seu tweet neste domingo: “São 8 TDs em 4 anos.”

Infelizmente, apenas cinco foram confirmados.

A defesa ainda importa. E os Bears de 2020 estão provando à NFL que é possível ter uma defesa boa, física e que pode transformar o jogo.

A única resposta da liga é lançar outra flag.

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