Quando comecei a assistir com frequência às temporadas da NFL, tinha muitas dúvidas sobre as regras aplicadas, sobre qual era o propósito do jogo, aos poucos entendi que não era apenas um jogo de trombadas, um jogo violento como era postulado naquela época em 2002. Acreditem, já existia o frisson do início da dinastia do time do New England Patriots: devido à grande campanha do ano anterior, com a ascensão do jovem Tom Brady, que hoje reina na NFL como um dos maiores jogadores da História da Liga (para mim o maior com certeza, afinal pude vivenciar praticamente toda sua história na liga, mesmo sendo torcedor do time rival, New York Jets, time a qual comecei a gostar justo nesta época, cuja temporada foi muito boa e em um raro momento ficou a frente de New England).

Dentro deste estigmatismo de torcer para um time, e gostar de um jogador, ou de jogadores adversários, que gostaria de escrever sobre a paixão pelo esporte, que parece que o torcedor americano descobriu a muitas décadas atrás e que nós brasileiros ainda estamos muito longe de ter a clareza do que é o esporte, e vivemos a NFL sem foco.

Neste final de semana que antecede o Super Bowl LIII (entre Patriots e Rams) tivemos o jogo do Pro Bowl, para muitos desnecessário; eu concordo que se avaliarmos apenas olhando a perspectiva do jogo em si, é fraco, ruim com certeza, mas neste evento em particular tivemos o fator chuva que atrapalhou bastante a brincadeira ajudando nesta avaliação negativa, sim a “brincadeira”.

Considero assim porque é um momento de convergência entre experiência e juventude, o momento da passada de bastão entre veteranos na liga e jovens. Nesta semana que passou, todos vimos, através de redes sociais, momentos entre jogadores jovens sendo crianças, proporcionando experiências aos fãs de forma única, diminuindo rivalidades e criando amizades. Momentos sociais, atividades recreativas entre fãs e jogadores, jovens jogadores se tornando referências, entre outras experiências espetaculares. Todos esses momentos que são necessários para eles mesmos, pois uma temporada é feita de grande sacrifício, disciplina, e todos são muito exigidos, mesmo os times (neste caso jogadores) que não vão as finais, estes principalmente buscam no Pro Bowl um momento de alegria e conquista em um ano de derrotas. E também existem aqueles que por motivos pessoais desistem deste momento, por que o consideram irrisório, pois durante o ano tiveram momentos ruins na liga e acabam punindo os fãs, mas respeito a decisão, afinal todos que desistiram de participar são humanos acima de tudo.

E como seres humanos, merecem um momento de descontração ou de paz. A Liga tem seus problemas disciplinares e seu sistema que controla a conduta dos jogadores – em certos momentos é falho, mas em sua maioria dos casos existe – e essa pressão nos jogadores é tensa, todos tendo que cumprir um papel de bons moços, pessoas dedicadas a família e a comunidade. Em sua maioria fazem de bom coração, pois possuem histórias de vida de superação; outros acabam sendo desvirtuados do caminho correto; outros casos são pessoas com vidas normais e heranças de familiares que já convivem dentro do esporte há anos, portanto o Pro Bowl é essa miscelânea e um dos poucos momentos onde eles podem congregar momentos de prazer e alegria, podem ser crianças novamente, tentar acabar com esse momento, criticar, dizer que não precisaria ter é algo feio e pequeno.

“Deixem os caras se divertir”.

Por isso o jogo, analisado apenas na perspectiva técnica, é estigmatizar uma das semanas mais esperadas entre os fãs, fora obviamente aos momentos do Super Bowl e momentos do Training Camp dos times, que também possuem as atividades entre fãs e times, porém neste com um fim mais exclusivo ao fã especifico de um determinado time.

Como citei no inicio do post, sou fã de alguns jogadores específicos, como Troy Polamalu (safety aposentado do Steelers), para mim um dos maiores defensores da liga, sou fã de Marshawn Lynch, um corredor espetacular entre outros vários, e sim, iria adorar poder ter um momento único para fotos com estes jogadores, trocar algumas palavras, perguntar sobre Futebol Americano: e é pra isso que existe o Pro Bowl Experience, acredito que esta festa seja sim muito bem recebida pelos fãs.

Então concluo que sim, existe um estigmatismo na nossa torcida “estrangeira” fora dos EUA, muito da imprensa que hostiliza a experiência pois seu produto possui baixa venda aqui no país onde é transmitido (Brasil), muito diferente de um jogo normal de temporada regular ou playoffs – e nem se compara ao Super Bowl.

Talvez esse seja o grande motivo de que ainda temos muito a evoluir como torcedores/comentaristas da NFL, pois precisamos acreditar que podemos torcer por um time, mas sermos fãs do esporte, fãs de jogadores de outros times, fãs de momentos como o ProBowl ou ProBowl Experience.

Existe a ideia da NFL trazer para o Brasil um evento destes, será que estamos preparados para receber?

Existem muitas dúvidas em relação ao planejamento do evento, locais, valores, tudo isso ainda é muito complicado, mas somente a ideia já é um grande alento para nós como torcida e amantes deste esporte para se preparar para um evento nessa escala, será que estamos prontos para tirar uma foto com o rival sem hostilizar a camisa que ele defende, brincar com o mascote de outro time, sem que exista comentários mal intencionados, enfim, essa civilidade é necessária para que a NFL traga o evento, obviamente que o objetivo tanto da NFL quanto dos patrocinadores é a venda de um produto, mas para nos é um momento de contemplar a experiência.

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