Aaron Judge, o herói da rapsódia

O que me cativa nos esportes, que me vicia, que me domina, é o seu romantismo. Esporte é a coisa mais romântica que existe. Engraçado, ele segue exatamente a cartilha do romantismo clássico: supervalorização das emoções pessoais, subjetivismo, egocentrismo, escapismo, o embelezamento da busca pela vitória e sua idealização como a única coisa que completa o ser.

Desde que o mundo é mundo, o ser humano se junta em dois times, joga um contra o outro e outros torcem por um ou por outro. Corridas de bigas paravam Roma, quatro times competindo entre si no fabuloso circus maximus diante de mais de 150.000 pessoas. Isso é o esporte! Uma dose de romantismo na nossa rotina, por isso amamos ele tanto, por isso ele é tão viciante. Torcer é uma necessidade fisiológica!

Essa necessidade nunca se apagou. Os esportes evoluíram e o homem conseguiu criar um na sua forma mais pura e suprema: o beisebol. Beisebol e romantismo são sinônimos, um duelo justo, corpo a corpo com o seu adversário; um duelo de coração e mente, de olhos e mão atentas; a bola, o strike, a rebatida e a eliminação. Não satisfeitos, colocaram um grande alvo, uma muralha para qual o nosso herói deve enviar essa bolinha de cortiça usando seu taco e sua habilidade, o Home Run.

Qual excalibur presa na rocha, há um recorde impossível, que todos os bravos do reino da MLB perseguem: 61 Home Runs, o marco máximo do Cavaleiro-mor, Roger Maris. “Cavalo! Cavalo! Meu Reino por um cavalo!” brada Sir Rob Manfred, sabendo que os Tudors da MLBPA querem tirá-lo do trono, perdida a guerra das Rosas… Acima da torre de vigia os príncipes observam o vale, mulheres e seu empregados descalços vão e vêm. Mas, do topo de uma colina, à uma distância fria, perto de onde um gato selvagem rosna surge uma forma humana. Numa armadura listrada e montado num lindo corcel branco e azul o nosso herói entra triunfante na cena. Diante da rocha ele para, poderá ele empunhar a espada? Será ele o rei dos Bretões? É seu coração leve como uma pena? Só se ouve o uivo do vento…

28 de setembro de 2022. O dia que a MLB mudou para sempre. 61 anos depois de Roger Maris bater seu Home Run número 61, em 1961, outro Yankee toma o posto. É a passagem de bastão, o novo rei toma posse do seu reino, uma nova era nasce. Vimos hoje a história sendo escrita na nossa frente, e tudo que podemos fazer é nos levantarmos e aplaudir o juíz. Todo mundo, em algum momento, já torceu para o Yankees, estando ciente disso ou não.

Como você pode não ser romântico com o beisebol?

Arte: Kevin Marley (Twitter: @KevinODodger)

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