Acabou a espera de oito meses para ver o Colts novamente em campo. Foram oito meses imersos no medo, expectativa e esperança no novo Colts sob o comando de um novo General Manager. Esperanças que se esvaíram com a notícia de Luck fora de combate por ao menos uma semana, com as lesões nos OTAs e minicamp e com a pré-temporada digna de pena.

Como muitos já esperavam, derrota fora de casa na Semana 1 contra Rams e sua ótima defesa. Wade Phillips mantém sua “tradição” de fazer estreias marcantes com as defesas que treina (de forma magistral). Enquanto isso Chuck Pagano parece gostar de ser derrotado de forma vexatória, já virou rotina perder sendo massacrado pelo adversário.
Assim como em anos anteriores a franquia de Indianapolis começou o jogo de forma errada, time despreparado e completamente perdido em campo. A melhor forma de confirmar o início lento do time é ter o primeiro passe do seu QB titular interceptado, por Trumaine Johnson, e retornado para touchdown. Isso com o placar já marcando 7 pontos pro adversário.

Espera-se que o jogador aprenda com o erro em campo. Um passe curto para o lado esquerdo do campo, telegrafado e entregue nas mãos do defensor. Assim foi a primeira interceptação de Scott Tolzien no primeiro quarto de jogo e, quase como um replay, aconteceu novamente no terceiro quarto resultando em mais 6 pontos cedidos ao adversário. Se não fosse Moncrief isso poderia ter se repetido pela terceira vez e, acreditem, foi por muito pouco. Tolzien terminou o jogo com um QB Rating de 33.8, e não há palavras pra descrever o quão ridícula a sua atuação foi, cada um vai usar a expressão que achar mais adequada à mediocridade do jogo do veterano ex-Packers.

No meio desse turbilhão de erros do ataque, tivemos uma primeira atuação minimamente satisfatória de Marlon Mack. O calouro vindo de South Florida, logo em sua primeira jogada na temporada regular teve um touchdown anulado por supostamente pisar fora de campo. Erros dos árbitros, visível no replay e que Chuck Pagano foi covarde, mais um vez, e não teve peito para desafiar a marcação. Qual o resultado? Tentativas frustradas de conseguir marcar 6 pontos e o contentamento com um field goal. No início do último quarto Mack ainda conseguiu seu primeiro touchdown corrido na liga, já com Jacoby Brissett comandando o ataque. Pena que minutos depois, para “manchar” a estréia, o jovem RB deixou a bola escapar próximo a sua red zone. Brissett recuperou a bola e foi tackleado resultando em um safety.

Completaram-se assim os 16 pontos que o ataque entregou de graça para a defesa do Los Angeles Rams, mais que os míseros 9 pontos marcados a favor. Um jogo desastroso, ataque completamente perdido em campo, linha ofensiva se desmanchando diante de uma defesa forte, ainda que sem Aaron Donald. Não que seja necessário muito esforço para confundir os jogadores de Indianapolis.

Enquanto isso a nossa defesa conseguiu fazer Jared Goff parecer Joe Montana em campo. Foram 21 passes completos de 29 tentativas, 306 jardas e um rating de 117.9 (quase o dobro do rating médio da temporada anterior, 63.6). E parece que já temos o alvo favorito de Goff, o WR calouro Cooper Kupp simplesmente ignorou os defensores do time azul e branco em 4 recepções que geraram 76 jardas e 1 touchdown.

A secundária do Colts foi quase inexistente, cada bola lançada era um “Deus nos acuda” entre os defensores. TJ Green manteve a sua regularidade em ser péssimo em campo, mas agora como CB. Os calouros Quincy Wilson e Malik Hooker pouco atuaram, situação inexplicável tecnicamente, a menos que condições físicas ruins não divulgadas sejam o motivo para “poupar” ambos. Diferente da temporada anterior, Rashaan Melvin também foi mal.

O único que se saiu minimamente bem foi Nate Hairston. O calouro de Temple cedeu apenas 0.35 jardas por snap defensivo em que cobriu o recebedor, número melhor que a média do top 10 da temporada passada (0.82). O desempenho do jovem cornerback foi melhor que outros jogadores da mesma posição que foram draftados mais cedo, como Adoree’ Jackson e Tre’Davious White. Desempenho que merece destaque junto à linha defensiva dos Colts.

Finalmente o time conseguiu melhorar contra o jogo corrido, cedendo apenas 1.91 jardas por tentativa e obrigando Todd Gurley a ter novamente um jogo com números ruins. Destaque para Al Woods, melhor jogador da defesa segundo o Pro Football Focus, com uma nota de 80.3. Em contrapartida, os ILBs foram o calcanhar de Aquiles do time. Em 10 tentativas de passe de Goff, sendo 8 certeiras, o setor conseguiu ceder 132 jardas, quase metade do total. Número absurdo que mostra como o time é deficiente de jogadores na posição.

Além do desempenho já ruim, as lesões parecem não acabar mais. Morrison, Jackson, Walker Jr estão fora de combate, o que obrigou o time a recontratar Sean Spence, dispensado há poucos dias. Número reduzido de jogadores e com a qualidade bastante questionável, de longe o setor mais fraco da defesa.

Não bastasse a sapatada que o time levou, o nosso ilustríssimo Head Coach ainda conseguiu confundir o adversário. Assim como Goff pareceu Joe Montana em campo, Chuck Pagano assistiu a um jogo contra o San Francisco 49ers. Talvez seja esse o motivo do despreparo constante dos jogadores, que estavam perdidos em campo. Espera-se ao menos que o técnico “líder de torcida” seja demitido o quanto antes, já se foram anos desperdiçados, seja por sua covardia em não desafiar jogadas, por trick plays bizarras ou pelas escolhas erradas constantes dentro de campo.

Mais um vez vimos os Colts sucumbirem sem Luck. O time sem ele, hoje, é o último do power rankings divulgado pela Liga, algo que foi comentado por Maurice Jones-Drew mas que a maioria dos “especialistas” ignorou, assim como muitos torcedores esperançosos. Talvez estivemos olhando pro real MVP da liga e o ignorando por 5 anos.

  • Lucas Aliança

    tá na hora do Chuck pagano voar ou sou só eu?

    • Carol Vago

      UHASUHAu Também acreditamos nisso, Lucas. Em breve teremos um texto sobre isso aqui na coluna, fique no aguardo!