No dia 23 de julho de 2020, após uma longa batalha entre a Executiva da MLB, a Associação de Jogadores e o grupo de donos dos time, a temporada encurtada finalmente começou. Obviamente desde o início toda a comunidade sabia que seria algo inusitado, porém os bons resultados de algumas equipes e os péssimos desempenhos de outras têm surpreendido os fãs. Desta forma, as atuações têm tornado a MLB em 2020 interessante e instigante.

Ainda assim, nem tudo está 100%. Isso porque a principal ameaça ao funcionamento da liga – a pandemia do COVID-19 – acabou afetando em massa três equipes. Até o momento, Miami Marlins, St. Louis Cardinals, e mais recentemente Cincinnati Reds, tiveram testagens em massa durante o andamento dos jogos. Isso causou um grande atraso nos calendários. E conforme estes times não jogaram, os adversários de cada dia também foram prejudicados. 

St. Louis Cardinals, do arremessador Jack Flaherty, terá poucos dias para jogar as partidas suspensas durante pausa do time por conta de casos de COVID-19. Foto: Mark J. Terril/AP

Neste sentido, por exemplo, na Divisão Central temos St. Louis Cardinals com apenas 7 partidas jogadas, enquanto a maioria das equipes já está na marca de 20 jogos completos. Com o recente cancelamento das séries de Cincinnati Reds, inclusive, a tendência é que o calendário de equipes como Chicago Cubs e Pittsburgh Pirates fiquem ainda mais prejudicados e apertados. Isso porque os times precisarão jogar duas partidas em muitos dos próximos dias. Este foi um protocolo estabelecido no começo da temporada como forma de encaixar os 60 jogos entre Julho e Setembro.

Em termos de resultado, quem está se destacando positivamente?

Já sabíamos que em 2020 os times da parte de cima seriam destaque. Afinal, equipes como Los Angeles Dodgers e New York Yankees reforçaram elencos já bastante eficientes. Além disso há o fato de parte dos jogos envolver partidas interliga contra adversários em reconstrução – como é o caso de Pittsburgh Pirates e Kansas City Royals. Isso faz com que equipes como Minnesota Twins e Chicago Cubs tenham vantagens desde cedo na competição.

Porém a temporada encurtada surpreendentemente reservou o desempenho de times que, pelo menos no início da temporada, dificilmente seriam colocadas no topo. O Baltimore Orioles, por exemplo, tem doze vitórias em vinte partidas, e é o segundo colocado da Divisão Leste da Liga Americana. A equipe de Baltimore terminou 2019 em último lugar da classificação divisional, 49 jogos atrás do líder Yankees – hoje, porém, a diferença é de apenas duas partidas.

Na Liga Nacional, da mesma forma, Colorado Rockies encaixou uma sequência de vitórias desde o primeiro jogo da temporada. Desta forma eles figuram entre os principais concorrentes a uma vaga nos playoffs expandidos da temporada encurtada. E muito por conta de Charlie Blackmon, o rebatedor que é o grande destaque até o momento, mas também por um conjunto sólido de arremessadores. Em 2019, Colorado terminou em penúltimo, na frente apenas de San Diego Padres.

E por desempenho ruim, quem são os destaques?

Dificilmente algum time está surpreendendo negativamente mais do que o Boston Red Sox. Não somente por ser o pior time da Liga Americana e por ter perdido uma sequência de seis partidas, mas também porque o time foi muito melhor em 2019. Além de ter sido campeão da World Series em 2018!

Guilherme Marodin, um dos analistas do SoxCast (podcast da família Fumble Na Net voltado ao torcedor de língua portuguesa das Meias Vermelhas) enxerga que o problema está nos braços do time. “O grande problema do time segue sendo os arremessadores. Em toda a história da franquia, a pior média de corridas cedidas dos arremessadores (ERA) em uma temporada foi de 5.02. Até o momento nesta temporada encurtada estamos na marca de 6.10. Dos quatro principais titulares (Nathan Eovaldi, Martín Perez, Ryan Weber e Zack Godley), apenas Perez tem uma média abaixo de 5.00”, explica

Martin Perez é um dos arremessadores titulares do Red Sox com menor média de corridas cedidas. Foto: Billie Weiss/Boston Red Sox

O time de Boston está em uma difícil rotina de ver a equipe chegar na quinta entrada perdendo por 4 ou 5 corridas. Red Sox é o time que mais cedeu pontos aos adversários, com 133 até o dia 15 de agosto. Por fim, a  falta de opções para escalar arremessadores e o baixo desempenho de peças- chave do ataque puxam todo o elenco para baixo em termos de performance.

Outro campeão recente com desempenho ruim

Em segundo lugar, outra equipe que está deixando (e muito) a desejar é o Houston Astros. Assim como o Red Sox, que recentemente foi campeão da Liga, o Astros levou o troféu em 2017, mas faz uma campanha aquém do esperado. Principalmente por ter perdido dois arremessadores e dos principais nomes do elenco – Gerrit Cole assinou com o New York Yankees e Justin Verlander está na lista de contundidos, sem previsão de volta.

Além disso, os rebatedores do Houston Astros não estão produzindo nem de perto o que fizeram nos anos anteriores. E o cenário gera desconfiança da comunidade de fãs do esporte, ainda mais depois que o time foi finalmente punido pela Major League Baseball por conta do roubo de sinais durante a pós-temporada de 2017. José Altuve e George Springer, dois dos grandes nomes entre os rebatedores do time, não alcançam nem a baixa marca de .200 de média de rebatidas – até .250 o rebatedor é considerado improdutivo.

Individualmente falando, quem são os principais nomes até agora?

Conforme já mencionado, Charlie Blackmon, defensor externo do Colorado Rockies, tem chamado atenção pela alta média de rebatidas nesta temporada encurtada de 2020. Nos 20 jogos em que atuou neste ano são 35 rebatidas, 20 corridas impulsionadas e só 11 eliminações por strikeout em 80 oportunidades no bastão (at bats). Ele está registrando média de rebatidas de .438 – o que significa que chega em base em 43% das vezes que rebate. O número impressiona, mesmo que a temporada encurtada tenha menos partidas que o convencional.

Outro que pode registrar recordes desde cedo em 2020 é Shane Bieber, arremessador do Cleveland Indians. Em cinco jogos que começou neste ano, foram quatro vitórias, apenas cinco corridas cedidas e 54 eliminações por strikeout, uma marca que figura entre as maiores da história do esporte.

Uma surpresa é como grandes estrelas demoraram a esquentar. Mike Trout, por exemplo, passou um pouco apagado nos primeiros jogos, mas já registra 15 corridas impulsionadas nos últimos 15 dias. Da mesma forma Mookie Betts, que foi trocado por Boston para o Los Angeles Dodgers, também teve um começo devagar, mas registrou o sexto jogo da carreira com mais de três home runs.

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