O CONTEXTO DA ESCOLHA

Para responder tal questionamento é preciso retroceder um pouco e fazer uma análise do contexto da escolha. O Colts tem feito ajustes à curto prazo depois da fatídica aposentadoria de Andrew Luck. Jacoby Brissett foi o escolhido para ter uma chance de ser o protagonista da equipe como titular. Entretanto, não deu conta do recado e por vezes passou a sensação que o time estava com o freio de mão puxado, como dito pelo próprio center da equipe Ryan Kelly em entrevista aos jornalistas: “parecia que às vezes a equipe jogava para não perder”.

Na Free Agency (FA) o Colts buscou o QB Phillip Rivers ex-Los Angeles Chargers para ser o novo QB da franquia. Rivers dispensa apresentações e com boas movimentações na FA (DL DeForest Buckner) e no Draft (WR Micheal Pittman Jr e o RB Jonathan Taylor) principalmente, a organização e os torcedores acreditam que será possível uma briga por algo grande nesta atual temporada.

Recentemente, Frank Reich, HC dos Colts deu entrevista falando que apesar do contrato de Rivers ser de apenas 1 ano, pretende contar com o QB por mais tempo. O que indicaria que essa temporada servirá como base de análise para o staff de como o time irá se comportar no comando do “novo” QB.

Jacob Eason foi o selecionado no quarta rodada (escolha #122) do NFL Draft 2020. Suas características físicas são ideais para a posição, Eason tem 1,98m de altura e bom tamanho de mãos e um braço muito forte.

Após sua seleção, Ballard e Reich tiraram um pouco da pressão da escolha do QB. Em termos gerais, falaram que achavam o valor do jogador no 4th round bom, que ele era um projeto para o futuro, que iria aprender com Rivers e lutaria por uma vaga como 3º QB da equipe. Além de mencionar que o Colts dará todo o suporte necessário e que a organização é o lugar ideal para que ele possa ter tempo para se desenvolver.

No entanto, sabemos o valor que um QB tem em uma franquia da NFL e o quanto ele influencia no jogo da equipe. Uma má escolha poderá fazer a franquia refém de um jogo sem pretensões por algum tempo, como aconteceu com o Chicago Bears de Mitch Trubisky. Sim, o Bears poderia ter posto ele no banco e contratado outro, porém, Trubisky foi primeira escolha geral do Draft, era muito capital de draft investido, havia esperança dele se desenvolver melhor com Matt Nagy como HC e OC da equipe.

Com isso, a escolha de Eason na quarta rodada tira peso da escolha por si só, reafirmando os comentários da organização sobre a seleção os comentários da organização sobre isso. Mas, a pergunta feita lá no começo do texto, segue na cabeça do torcedor, pela expectativa dele poder ser ou não o futuro da franquia.

A ANÁLISE DO PROSPECTO

Farei aqui, uma análise baseada em uma thread encontrada no perfil @BrownMamba13 do Twitter sobre as principais características do jogo de Eason.

A thread é baseada em um jogo entre Oregon e Washington. Nela, observamos várias situações de jogo diferentes mas onde as tomadas de decisão de Eason se repetem. É importante destacar que isso ocorre não só nesse jogo, mas em outros da temporada, acentuando suas características positivas e negativas.

PONTO POSITIVO: FORÇA NO BRAÇO

O primeiro apanhado de lances é um ponto positivo de seu jogo: a força no braço. Washington enfrenta uma 2nd & 8 na linha de 48 jardas do campo de ataque, praticamente metade do campo. Eason faz o play action, planta os pés e o corpo no pocket limpo e lança uma bomba de quase 50 jardas para seu WR ir direto ao TD.

É interessante ver como o Eason tem a capacidade de esticar o campo com o braço, o ponto negativo da jogada é que a bola ficou pendurada no ar um pouco mais do que o necessário, fazendo com que seu WR tenha que desacelerar para receber o passe.

O segundo lance mostra novamente a força no braço e a capacidade de execução da jogada. Washington enfrenta uma 2nd & 2 na linha de 33 do campo de ataque. Eason está em shotgun, recebe a bola, faz um play action e vê seu WR fazendo uma rota curta. Ele lança uma bomba no peito do seu recebedor, que vence a defesa em zona e corre para o TD.

Mais uma vez, a força no braço foi determinante. Ela não serve somente para esticar o campo, mas, para jogadas rápidas, onde o QB precisa fazer com que a bola chegue rápido ao recebedor que conseguiu a separação para avançar.

O terceiro e último lance que demonstram sua potência no braço vem em um lance crucial do jogo. Washington perde por 4 pontos (35-31 Oregon). Eason está em uma 3rd & 23 na linha de 45 do campo de defesa. Oregon manda uma blitz com os LBs pelo meio da linha. Eason é obrigado a se movimentar para seu lado esquerdo e, contra o movimento do corpo, acha seu WR no meio do campo com um passe de 20 jardas.

Eason não estava com o corpo ajustado para o lançamento, mesmo assim manda um passe firme no peito do seu WR.

PONTO NEGATIVO: TOMADA DE DECISÃO

O próximo compilado é um problema que acontece com frequência e que foi levantado pelos analistas como uma das suas maiores dificuldades: pressão no pocket, ele acaba se desesperando e toma péssimas decisões.

O primeiro lance reflete bem isso. Eason em shotgun, está em uma 2nd & 12 na linha de 15 do campo de ataque. A defesa de Oregon mais uma vez chama uma blitz pelo meio da linha, o RB que estava ao lado de Eason vai bloquear o jogador da blitz. Mesmo assim ele consegue pressionar Eason no dropback, que toma a péssima decisão de lançar a bola enquanto estava se movendo para trás. Passe feito no meio do campo, imaginando que teria um espaço gerado pelos LB que foram para a blitz.

No entanto, Eason lança a bola para seu WR correndo uma rota slant, sem precisão, sem força e em uma leitura bem questionável da jogada. Isso mostra que Eason não leu corretamente a defesa de Oregon pré-snap e que a execução da jogada foi ruim por ter se desesperado com a pressão. O passe que ele lançou, poderia ter se tornado facilmente uma interceptação na NFL.

O segundo lance selecionado foi em uma 3rd & 9 na linha de 31 do campo de defesa. Eason está mais uma vez em shotgun, ele recebe o snap e fixa seus olhos nos dois WR da parte superior do campo, nesse meio tempo, se forma um pocket limpo à sua frente que poderia ter sido aproveitado com alguns passos para frente. No entanto, Eason fica plantado o que consequentemente faz com que o edge pressione o left tackle e apresse a resolução da jogada.

O QB lança um passe perigoso em meio a dois DBs que também poderia ter facilmente virado em uma interceptação na NFL. Mais uma vez mostra a falta de presença de pocket e desespero ao ser pressionado.

PONTO POSITIVO: PRECISÃO

O terceiro compilado tem a ver com uma das características que Ballard e Reich citaram que era importante no QB que estavam procurando: a precisão.

O primeiro lance selecionado é provavelmente o melhor passe de Eason nessa análise. Eason está em shotgun em uma 2nd & 3 na linha de 32 do campo de ataque, ele recebe o snap, faz um play action e observa uma marcação mano a mano sem cobertura no seu WR no canto inferior do campo.

Nesse momento ele decide lançar a bola no ombro de fora de seu WR, fora do alcance do CB e mesmo que bem marcado, a bola vai aonde deveria ir. Vale destacar a bela recepção do WR que estava contestado no lance. O WR agarra a bola pra um avanço de cerca de 25 jardas. Nesse lance em específico, o toque na bola foi ótimo, a leitura do lance foi boa e a força no braço fechou o pacote.

O segundo e último lance analisado desse texto é referente a um lance na linha de 27 jardas do campo de defesa em uma 3rd & 8. Eason mais uma vez está em shotgun, Oregon manda uma blitz. O QB planta os pés e dá um passe para o lado esquerdo com muita precisão para seu WR que estava cruzando o campo. O recebedor estava bem marcado, mas Eason faz um passe baixo, ao alcance do WR e fora do alcance do CB.

Nesse lance, Eason poderia ter assumido o controle do pocket com mais veemência. No entanto, ele viu um duelo entre WR e CB que achou que conseguiria colocar a bola lá (e colocou) sem que estendesse sua movimentação.

CONSIDERAÇÕES SOBRE O JOGADOR

É valido ressaltar que essa análise é uma amostra de pequenos lances de um jogo em específico, no entanto, é possível ver as mesmas características de jogo se repetindo por diversas outras partidas. Sua falta de movimentação no pocket (trabalho de pés), sua deficiência na leitura das defesas e seu desespero com a pressão adversária jogam contra o QB e o fizeram cair até a quarta rodada do Draft.

No entanto, é possível ver traços de um QB que pode vir a ser sólido na posição dentro da NFL. A força no braço, a execução das jogadas e o toque na bola em jogadas que necessitam de mais precisão, podem fazê-lo crescer, principalmente no esquema de ataque de Frank Reich.

O resumo da obra é que seus defeitos são “consertáveis”, problemas de leitura e de presença de pocket são recorrentes em QBs calouros. Além do mais, Eason terá muito tempo para desenvolver e potencializar suas habilidades no estruturado time dos Colts. A montagem do elenco nos mostra que Indianapolis terá um time competitivo por longos anos, mas, necessitam de um QB que leve o time para outro nível. Eason tem as características para isso.

Por fim, é válido ressaltar que seu processo de inserção na NFL deve demorar, visto as declarações da comissão e as claras dificuldades dele com o jogo. Ainda assim isso não é motivo para sermos pessimistas. Nos resta confiar no trabalho da comissão (que fez por merecer esse voto de confiança) e aguardar.

 


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