Conhecendo Sheldon Day

Sejam todos muitos bem-vindos ao novo ano da NFL, jogadores trocando de time e um março maluco na corrida por free agents mesmo com a pandemia do Coronavírus. Muitos torcedores não esperavam uma offseason tão movimentada para o Indianapolis Colts de Chris Ballard, nada muito além dos jogadores mais especulados. Com um dos maiores valores disponíveis no cap space vemos a primeira free agency movimentada de Ballard como GM do time azul e branco.

Muito se falava de como os Colts resolveriam seu ‚Äúproblema‚ÄĚ na linha defensiva. Desde o Draft da temporada passada questionava-se a falta de investimento de capital no interior da linha defensiva. Torcida e jornalistas avaliaram a decis√£o de n√£o refor√ßar a DL como errada, uma vez que Ballard sempre comentou a import√Ęncia de vencer jogos nas trincheiras. J√° nessa temporada vemos mais aten√ß√£o ao setor: dispensando jogadores que n√£o rendiam mais e trazendo jovens. Hoje vamos apresentar Sheldon Day, o jovem que retorna a sua casa.

HIGH SCHOOL

Como diz o ditado, ‚Äúo bom filho a casa torna‚ÄĚ. O mesmo pode ser aplicado a Sheldon Day, defensive tackle rec√©m-chegado aos Colts. Natural de Indianapolis, o jogador de 25 anos fez o seu high school em Warren Central, escola p√ļblica da regi√£o leste de Indianapolis. Pela escola teve um total de 120 tackles em dois anos e 14 sacks, jogando um total de 19 jogos. Foi selecionado para o first team All-State de 2010 e foi considerado first team All-MIC como um junior.¬Ļ

Chegando ao College foi avaliado pelo rivals.com como um prospecto quatro estrelas, a mesma avalia√ß√£o pela 247sports, sendo o terceiro melhor no estado de Indiana e o d√©cimo oitavo melhor jogador da posi√ß√£o a n√≠vel nacional √† √©poca. Enquanto isso, pelo sistema de avalia√ß√Ķes de prospecto da ESPN, Day foi considerado o segundo melhor do seu estado e o d√©cimo quarto melhor defensive tackle do pa√≠s. Recebeu um total de 20 ofertas de bolsa como atleta em universidades, incluindo Clemson, Michigan, Penn State e LSU, mas escolheu permanecer perto de casa indo para Notre Dame. Foi recrutado por Mike Elston em se comprometeu com a universidade ainda em agosto de 2011.[3]

John Hart, head coach de Warren Central sobre como Day convenceu Notre Dame a persuadi-lo: ‚Äúmuitos caras parecem √≥timos no tape e √© dif√≠cil mostrar como eles realmente s√£o bons, mas quando os t√©cnicos o v√™em (Sheldon) pessoalmente eles podem entender tudo isso. Acho que a Notre Dame fez um bom trabalho ao n√£o pression√°-lo, mas ao mesmo tempo eles estavam atr√°s de apenas um ou dois homens da linha defensiva. Naquela √©poca, eles sabiam que tinham que busc√°-lo, porque naquele momento todos no pa√≠s haviam oferecido – LSU, Auburn, Oklahoma, Nebraska e Michigan. Como jogador de linha defensiva, ele n√£o poderia ter escolhido melhores escolas para se destacar em sua posi√ß√£o.”

COLLEGE: NOTRE DAME

Steve Wiltfong sobre a import√Ęncia de Sheldon Day chegando a Notre Dame junto a outros prospectos: “Indiana, obviamente, n√£o √© t√£o rica em talentos quanto algumas das outras √°reas que a Notre Dame recruta nacionalmente, mas eles querem ser jogadores. Eles conseguiram Zack Martin e seu irm√£o mais novo, Nick, Tony Springmann, Tyler Eifert, John Turner e Sheldon Day nesse recrutamento. Eles querem ter certeza de que os jogadores de elite do estado olhem para Notre Dame ano ap√≥s ano, porque todos se conhecem e isso ajudar√° a coloc√°-los no alto n√≠vel‚ÄĚ. [5]

Day iniciou a sua carreira no College em Notre Dame no ano de 2012, tendo participado de todos os 13 jogos da equipe e registrando 23 tackles (13 solo). Ainda teve dois sacks, sendo eles contra os rivais Michigan State Spartans e Michigan Wolverines. Sua melhor performance em um jogo veio contra Wake Forest, onde teve cinco tackles. Também figurou no BCS National Championship Game da temporada contra Alabama. Já em seu segundo ano, apesar de iniciar oito de 11 jogos de ND, teve melhor produtividade, com 33 tackles e dois sacks. Na ocasião ficou apenas atrás de Stephon Tuitt em tackles feitos por um jogador de linha defensiva, seu parceiro de equipe. Nessa temporada também participou do New Era Pintripe Bowl, em que Notre Dame saiu vitoriosa sobre Rutgers.

Em 2014 teve seu primeiro ano como capitão da equipe e iniciou 11 jogos durante a temporada. Ainda que tenha sofrido uma lesão no joelho na reta final da temporada, ainda conseguiu registrar nova melhora em sua performance. Foram 40 tackles (24 solo), 7.5 tackles para perda de jardas, um sack, dois passes defendidos e dois fumbles recuperados. Ainda que tenha se machucado, conseguiu retornar para o Music City Bowl, onde Notre Dame bateu LSU e Day teve uma ótima performance.

Em seu √ļltimo ano no College, Day novamente mostrou uma melhora de suas performances, tend√™ncia recorrente ao longo dos anos. Iniciou todos os 13 jogos do time e teve 45 tackles (33 solo), 15.5 tackles para perda de jardas, quatro sacks, quatro passes defendidos e dois fumbles for√ßados. Liderou o time em alguma estat√≠sticas na temporada, se afirmando como um importante jogador al√©m da fun√ß√£o de capit√£o. Day era figura marcada nos Bowls, tendo sua √ļltima boa participa√ß√£o no BattleFrog Fiesta Bowl contra Ohio State.

Sua temporada de 2015 rendeu in√ļmeras indica√ß√Ķes ao first ou second team All-American (USA Today, Phil Steele, FWAA, Associated Press, Athlon Sports e Sports Illustrated). √Č importante destacar os dois anos como capit√£o de uma universidade de tradi√ß√£o no futebol americano, caracter√≠stica que os Colts procuram intensamente em seus recrutamentos. No mesmo per√≠odo foi eleito o melhor jogador de linha defensiva do Fighting Irish.

O DRAFT

Após um ótimo ano de 2015, Sheldon Day ainda despertava suspeitas de alguns avaliadores. Para muitos, não tinha o tamanho suficiente para jogar em alto nível na liga, ainda que possuísse boa velocidade e um bom motor. Projetavam que seu talento seria suficiente para ser escolhido entre a terceira ou quarta rodada, com potencial para ser um jogador de rotação e, a depender de onde jogasse, um starter.

Em uma visão geral, consideravam que Sheldon Day jogava de forma mais forte e agressiva que o seu tamanho poderia sugerir. Elogiavam seu trabalho de mãos entre os jogadores da mesma posição na classe do Draft. Também destacavam sua habilidade de se posicionar em diversos pontos da linha defensiva e sua velocidade para chegar até a bola. Entretanto, era notável que poderia ter problemas no pass rush, além de poder sofrer contra boas jogadas com double team. Também não apresentava força suficiente para ganhar de forma consistente no bull-rush, além de ter produtividade bem limitada para atacar o QB adversário.

O time em que Day chegasse seria essencial para a sua produtividade e determinação do futuro na NFL. Possuía alguns características bastante específicas então poderia produzir de forma consistente se usado corretamente. Se destacava com o primeiro passo e rapidez em um espaço curto, mas se não ganhasse a batalha contar o OL no primeiro momento, teria dificuldade posteriores. Seu tamanho também já denunciava que seria difícil jogar por muitos snaps, por não ter todas as características físicas de defensive tackle nível NFL.

No dia do Draft, acabou sendo escolhido dentro do esperado nas proje√ß√Ķes. Os Jaguars investiram a sua 103¬™ escolha geral em Sheldon Day.

CARREIRA NA NFL

Day chegou a um Jacksonville Jaguars que tinha uma forte linha defensiva, assim n√£o teve jogos como titular pelo time da Florida. Ainda assim, participou ativamente da rota√ß√£o dos Jaguars, tendo 16 jogos no ano de calouro e mais 12 na sua segunda temporada contra nosso rival da AFC South (n√ļmeros considerando atua√ß√£o no time defensivo e special teams). Em sua passagem teve n√ļmeros t√≠midos: 27 tackles, 5 tackles para perda de jardas e 5 hits no QB advers√°rio. Ainda em seu segundo ano com o Jaguars foi liberado do time e chegou nos 49ers por meios dos waivers. Quase toda a produtividade de Day chegou ap√≥s a assinatura com os 49ers.

A chegada de Day aos 49ers pode ser considerada uma virada na sua carreira. Foi nos 9ers que o jovem teve a oportunidade de iniciar seus √ļnicos dois jogos da carreira, o que nos faz poder dizer que l√° o jogador teve uma virada na carreira. Por l√°, em 34 jogos, teve 42 tackles, com cinco para perda de jardas, 7 hits no QB auxiliando mais em snaps limitados contra o jogo corrido advers√°rio. Quando falamos de press√£o ao QB advers√°rio, ainda conseguiu quatro sacks, boa parte dos seis que contabiliza na carreira. Pelo time da Calif√≥rnia teve maior participa√ß√£o em campo, ainda que como reserva, passou a jogar em aproximadamente 30% dos snaps defensivos enquanto reduziu a menos de 10% o n√ļmero de snaps nos special teams.

CHEGANDO A INDIANAPOLIS

Voltando para casa e se reunindo com o companheiro de 49ers, DeForest Buckner, Day tem tudo para se sentir confort√°vel nos Colts. O pr√≥prio jogador diz que ‚Äúa comunidade fez seu o que eu sou‚ÄĚ, n√£o h√° negativas quanto a vontade de Sheldon voltar para Indianapolis. O garoto que cresceu vendo Peyton Manning e sempre sonhou em vestir a camisa do time prontamente se sentiu atra√≠do pela proposta de Chris Ballard.

“√ćamos √† igreja e, durante a temporada de futebol, volt√°vamos para casa para assistir os jogos do Colts, porque eles jogavam √†s 13h05 e a igreja terminava √†s 12h30. S√≥ me lembro de correr para casa, esperando que cheg√°ssemos a tempo (do in√≠cio do jogo).” O jogador ainda conta que crescer em Indianapolis moldou sua car√°ter e sua atitudes dentro e fora de campo: ‚Äúminha personalidade √© grande porque sou de Indianapolis. Minha atitude de carinho √© porque sou de Indianapolis. H√° tantas maneiras, tantos detalhes que consigo me descrever para dizer que cresci em Indianapolis‚ÄĚ.

Segundo o Spotrac, Shelson Day assinou um contrato de um ano com valor total de US$ 1.75 milh√Ķes. Os valores s√£o distribu√≠dos com US$ 500 mil no momento da assinatura, US$ 1 milh√£o em sal√°rio base e mais US$ 250 mil como roster bonus. Quando comparamos o cap hit do jogador que ‚Äúsubstituiu‚ÄĚ, na ocasi√£o Margus Hunt. O investimento tem boa possibilidade de retorno e baix√≠ssimo custo faz com que consideremos a movimenta√ß√£o boa. Ainda adicionamos um jogador muito mais jovem (25 anos) em compara√ß√£o a idade de Hunt (32), que tamb√©m j√° n√£o teve uma boa temporada de 2019.

ATUAÇÃO NA COMUNIDADE

Ainda que longe de Indianapolis por ter jogado nos Jaguars e nos 49ers, Sheldon Day sempre fez quest√£o de manter seu v√≠nculo com Indianapolis. Desde 2017 o jogador organiza o Sheldon‚Äôs Daylight Camp, evento para crian√ßas de Indianapolis. O pr√≥prio jogador descreve, no site do seu camp, que ‚Äúa miss√£o √© inspirar os jovens a ver a luz por meio da educa√ß√£o como um meio de melhor a situa√ß√£o em que vivem‚ÄĚ.

Day visita constantemente o Riley Children‚Äôs Hospital, institui√ß√£o constantemente vinculada √†s a√ß√Ķes do Colts Community. De acordo com o Indy Star, Day desprende grande esfor√ßo para que seu camp em Warren Central aconte√ßa anualmente, procurando doa√ß√Ķes de diversas pessoas e empresas da cidade. Day: ‚Äúa lista (de quem contribui) √© longa, todas as pessoas que se importam com a comunidade tem me ajudado a dar um retorno como suporte √† comunidade‚ÄĚ. Anualmente cerca de 150 crian√ßas participam do camp organizado por Day, que faz quest√£o de participar de todas as atividades desenvolvidas. A realiza√ß√£o do evento deste ano est√° sob an√°lise por conta da pandemia do coronav√≠rus.

MIC = Metropolitan Interscholastic Conference.


 

Em breve traremos mais textos sobre os jogadores que acabaram de chegar em Indianapolis.

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