Enfim chegamos ao fim da primeira semana (bom lembrar que ela é mais longa, uma vez que a primeira série começa numa quinta-feira) e com ela podemos tirar algumas conclusões que podem se tornar narrativas para um futuro próximo da temporada, seja para o bem, seja para o mal, mas de toda forma, uma base para análises no futuro (até quem sabe para tomadas de decisões no seu fantasy?)

1 – O Boston Red Sox pode ser um time que pode incomodar

Como eu disse no power ranking há algumas semanas, nós teríamos que analisar o Boston Red Sox não pelo seu desempenho na última temporada, mas sim pelos nomes que lá estavam, e como a rotação e o bullpen poderiam fornecer condições para que este time faça frente a New York Yankees e a Tampa Bay Rays (não confunda, os Rays não estão bem colocados no power ranking não por ser um time ruim, mas por mudar bastante e não sabermos o que vem da Flórida).

Pois bem, passados nove jogos, por enquanto o ataque dos Red Sox começa como o esperado: muitas rebatidas e bolinhas arremessadas para fora dos limites do campo externo, mesmo enfrentando o fraco Baltimore Orioles, que ainda venceu a franquia de Massachusetts na primeira série por varrida e devolveu a varrida na série do fim de semana subsequente, varrendo o Tampa Bay Rays na Flórida. A rotação permitiu que os Red Sox vencessem estas duas series após a vassourada tomada em pleno Fenway Park, contudo, há um ponto de inflexão que o Red Sox terá que tomar bastante cuidado, conhecido como “Dia que Garrett Richards vai ao montinho”.

2 – Nolan Arenado não rebate somente no Coors Field

Uma das grandes dúvidas que se tinham sobre Nolan Arenado era se ele tinha a capacidade de ser efetivo fora do Coors Field, uma vez que o estádio é bastante convidativo para os rebatedores, por estar uma milha acima do nível do mar (este mesmo campo que já viu home run de Trevor Story de 505 pés).

Nolan Arenado já chegou metendo o pé na porta, nas séries contra Cincinnatti Reds, Miami Marlins e Milwaukee Brewers, rebatendo em literalmente todos os jogos pelo menos uma vez, estabelecendo a melhor estreia de um jogador do Cardinals, com pelo menos uma rebatida por jogo por 9 jogos consecutivos, contando ainda com um game-winner home run logo pela sua estreia em casa contra os Brewers. Veremos se Arenado vai manter-se consistente. Se mantiver, será um forte candidato a MVP pela liga nacional.

Joe Puetz-USA TODAY Sports

3 – Oakland Athletics está na parte do limbo para baixo

Todos nós imaginávamos que o A’s estava em um limbo, mas ainda assim acreditávamos que este time de Oakland poderia ser uma ameaça real ao Houston Astros, mesmo perdendo alguns nomes. E de fato, os nomes que foram perdidos do lado do ataque não foram grandes perdas: foi um Semien aqui, outra perda ali, os grandes problemas dos Athletics é que quem veio (Elvis Andrus, por exemplo), não está correspondendo para as aspirações que os A’s tinham no início da temporada.

Outro problema que podemos enxergar neste time dos A’s é a incrível falta de consistência do corpo de arremessadores. Bassitt que esperávamos que fosse ser um grande nome para esta rotação ainda não venceu, e ainda por cima tem um ERA acima de 5 pontos, um slump gigantesco para um arremessador que vinha de um 2020 com um ERA de 2.29 (o melhor da carreira) e cedendo basicamente 1.6 Home run por 9 entradas. Se não consertar esta rotação rápido, a casa vai cair antes do All-Star Game.

4 – De Cy Young para… pego fazendo coisas errada?

É inegável que Trevor Bauer se tornou um dos melhores arremessadores no último ano, não à toa foi vencedor do prêmio máximo para arremessadores, o Cy Young. Para termos uma noção de quanto Trevor Bauer melhorou, entre a sua estreia e o ano que ele chega aos Reds, ele tinha um ERA de 4.04, conquistava 9.7 strikouts por nove entradas e cedia 3.5 andadas também por nove entradas. Já em 2020-21, Bauer diminuiu seu ERA pela praticamente metade (2.09), subiu para 12.6 a média de strikouts por 9 entradas e diminuiu a média de andadas para 9 entradas para somente 2.1.

Estes dados são maravilhosos, pena que podem ter sido obtidos de forma ilícita. Na última quinta-feira, a MLB comunicou que estará avaliando as bolas utilizadas por Trevor Bauer na vitória contra o Oakland Athletics, pois, segundo alguns insiders da MLB pela The Athletic, as bolas utilizadas pelo arremessador do Los Angeles Dodgers estavam com algumas marcas de uso de substâncias proibidas pelo regulamento de uso de substâncias da MLB, tais como marcas físicas e textura grudenta das bolinhas, o que poderia indicar uso de pine tar, que é comumente utilizado para dar mais aderência para os arremessos e aumentar o spin rate dos arremessos.

Foto: AP

5 – Meteoro Mercedes

Precisamos falar de Yermin Mercedes. Yermin é um estreante na MLB de 28 anos que passou dez anos maturando no farm system de Nationals, Orioles e Chicago White Sox, onde finalmente fez sua estreia pelas ligas maiores, e com esta informação que descrevo acima, tudo indicaria que seria apenas mais um jogador que teve uma oportunidade nas ligas maiores para poder falar que jogou na maior liga de baseball do mundo.

Neste ano, a MLB trouxe um slogan chamado “Make it Major”, ou faça isso grande, em tradução literal, e Yermin está levando este slogan muito a sério, possivelmente fincando raízes nas grandes ligas: tendo uma média no bastão de 55%, chegando em base em 52% das vezes que vai ao bastão, sendo o atual líder em rebatidas da MLB – com 15 – e tendo apenas três strikeouts em 28 idas ao bastão. Para termos uma ideia de quão bem Yermin está indo, estes números são comparáveis com de nada mais, nada menos que Mike Trout. Se ele conseguirá se manter bem, é outra história, mas vai ser muito legal ver esta história de cinderela caso ela continue.

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