Após 20 anos chegou o fim da maior parceria entre um head coach e quaterback da história da NFL, Tom Brady se foi. Acima de tudo, provavelmente você torcedor do Patriots que está aqui lendo nesse exato momento, foi marcado de alguma maneira pelo eterno camisa 12. Seja por jogos, lances, vitórias ou títulos inesquecíveis que irão ficar para sempre em nossa memória.

Primeiramente, perder o maior quarterback de todos os tempos e o maior jogador da história do Patriots é um baita estrago. Apesar disso, passado o período de luto, o football deve continuar…

Desde já, a grande pergunta que volta a ganhar destaque é: acabou a dinastia? Na verdade, esse questionamento sempre chegava em uma má fase ou após uma sequência de derrotas. Nesse sentido, assumirei aqui essa difícil tarefa e tentarei responder à pergunta sendo o mais consciente possível!

Antes de mais nada, New England perde muito. Tom Brady foi o cara da franquia por 20 anos. O QB tinha a confiança e respeito da comissão técnica, torcida e companheiros de time, o que conta muito para quem joga na sua posição. Porém, ao tomar distância e analisar sem a paixão, podemos notar que Brady já não era mais o mesmo de alguns anos atrás. Mesmo com alguns problemas de lesão na OL e com os recebedores na última temporada, conseguimos perceber essa queda.

A princípio, vamos aos números da última temporada regular:

  • 4057 jardas lançadas, ótimo número sendo o 7º da liga;
  • 60.8% de passes completos – 27º da liga;
  • 24 touchdowns – 13º da liga;
  • qb rating 88.00 – 19º da liga.

Além disso, no wild card, último jogo de Brady com a camisa do Patriots, foram 209 jardas em passes, nenhum touchdown e uma interceptação, terminando o jogo com 59.4 qb rating.

Assim como no ano da conquista do último Super Bowl (SB LIII), o QB já não foi brilhante como algum tempo atrás. A final de conferência contra o Chiefs foi o grande momento da pós temporada, onde Brady apareceu de forma decisiva no último quarto e na prorrogação, levando New England para mais uma final da NFL. Em contrapartida quando analisamos apenas os números, percebemos que o jogo corrido e a defesa fizeram a grande diferença nos playoffs daquele ano. Nos 3 jogos decisivos daquela temporada, incluindo o Super Bowl, Brady lançou 957 jardas, média de 317,7 por jogo; teve mais interceptações que touchdowns, sendo 2 TDS e 3 interceptações; terminando com o QBR de 85.9.

Apesar disso, não estou aqui para falar que ele não serviria mais para os Patriots, que não é mais um ótimo QB ou que estava na hora da mudança. Brady é o maior de todos os tempos, disso não há dúvidas. Acredito que não exista um torcedor de New England que queria vê-lo em outra jersey. Porém meu objetivo aqui é apenas mostrar uma outra ótica, a de que ainda poderá haver esperança e que nem tudo está perdido.

Vamos aos aspectos positivos que ainda contamos no time.

Em primeiro lugar, ainda temos Bill Belichick. Não precisa ser torcedor do Patriots para reconhecer o grande trabalho de Belichick na NFL, o cara conhece e domina esse jogo como poucos. Além do mais, nosso head coach virá motivado para mostrar que pode continuar vencendo sem Tom Brady. Is Patriots' Bill Belichick, chasing a sixth Super Bowl title ...

Logo depois, outro destaque positivo é a linha ofensiva, que contará com a volta do center David Andrews, elevando mais ainda o seu nível. Com isso, mesmo com a aposentadoria de Scarnecchia a OL poderá ser um dos grandes diferenciais na próxima temporada, impactando e dando um upgrade no jogo corrido. Se Sony Michel estiver saudável, poderá ter uma grande oportunidade de deslanchar seu jogo durante o próximo ano.

David Andrews, James Develin, Sony Michel - David Andrews and Sony ...

Nesse sentido, outro ponto a ser destacado é a secundária do Patriots. Stephon Gilmore vem de uma temporada brilhante com 6 interceptações, 20 passes desviados e 2 touchdowns, números que levaram o cornerback a ganhar o título de jogador defensivo do ano. De acordo com um post recente da Pro Football Focus, Gilmore e Jason McCourty foram listados como a segunda melhor dupla de corners da NFL.

Stephon Gilmore, reigning NFL Defensive Player of the Year ...

Apesar disso, existem algumas incógnitas.

A princípio, inevitavelmente a primeira incógnita é a posição de QB. Na posição mais importante do jogo, perder o melhor jogador de todos os tempos, obviamente é um ponto negativo e o time perde muito com isso. Veremos se Stidham conseguirá se provar na NFL.  Contudo se a OL e o jogo corrido ajudarem, acredito que Stidham pode contribuir. Em sua carreira no college ele demonstrou que tem ferramentas para fazer uma boa temporada.

Do mesmo modo, outro fator a ficar de olho é o pass rush. O Patriots perdeu os líderes em sacks da última temporada, Jammie Colins (7) e Kyle Van Noy (6.5), foram para o Lions e Dolphins respectivamente. Nesse meio tempo, a saída desses jogadores pode abrir espaço para Chase Winovich, que fez uma boa temporada no ano passado, muitos apostam em um grande crescimento de Wino para a próxima temporada. Da mesma forma, teremos as chegadas dos calouros Josh Uche e Anfernee Jennings para essa função. Contudo, ainda é cedo para ser considerado como algo consolidado. É um setor para ficarmos atentos.

Além disso, uma outra preocupação para o torcedor são os recebedores. Contamos com Edelman que todos os anos consegue apresentar números consistentes; N’Keal Harry que entra em seu segundo ano tentando se consolidar após uma temporada que conseguiu jogar apenas 5 jogos por motivos de lesão; Mohamed Sanu; Marqise Lee que acabou de chegar do Jaguars; Jakobi Meyers que mostrou uma boa sintonia com Stidham na última pré temporada; ainda temos a posição de tight end que foi renovada no draft com dois calouros Devin Asiasi e Dalton Knee que poderão contribuir.

Em síntese, creio que ainda é muito cedo para afirmar que acabou a dinastia. Vejo algumas pessoas deixarem o desespero tomar conta, falando que o Patriots vai “tankar” ou que já está fora dos playoffs. Ainda tem muita coisa para rolar até a volta da temporada e só o tempo dará mais confiabilidade para dizer que acabou.

Ainda assim, temos muitos bons valores na equipe e contamos com um treinador que sabe tirar o máximo de cada jogador como ninguém. Existem vários exemplos em que um jogador brilha sob as luzes de Belichick, vai para outro time e não consegue mostrar o mesmo desempenho. New England pode sim fazer uma boa temporada.

Em conclusão, brigar pelo título poderia ser um exagero da minha parte, mas acredito que a equipe ainda pode entregar a competitividade que toda liga está acostumada a ver.

DEIXE UMA RESPOSTA