A redenção de Mitch Keller

Por Filipe Saochuk

Mitch Keller sempre foi um prospecto que chamou muita atenção no sistema dos Pirates e ao redor de toda Major League Baseball, e não a toa, chegou a ser o jogador ‘Número 1′ das Ligas Menores de Pittsburgh. Porém, após quatro anos arremessando na equipe principal, as expectativas criadas nunca foram alcançadas… até que este fato começou a mudar na segunda metade de 2022.

Depois de mais um começo de temporada difícil, Mitch Keller chegou a ser transferido para o bullpen, no que parecia ser a gota d’água para aquele que um dia foi o principal prospecto da franquia. De maneira surpreendente, o camisa 23 reinventou o seu jogo e se tornou um jogador completamente diferente. Para a temporada que está prestes a se iniciar, Keller é visto por muitos como capaz de se estabelecer como um dos melhores arremessadores da Liga Nacional.

Trajetória de expectativa e frustração

Mitch Keller foi escolhido pelo Pittsburgh Pirates na segunda rodada do MLB Draft de 2014, diretamente do Ensino Médio. Apesar de ter se comprometido com a Universidade da Carolina do Norte, assinou com a equipe que o draftou para dar início a sua carreira no beisebol profissional.

De 2014 a 2019, construiu a sua reputação nas Ligas Menores, escalando o sistema de Pittsburgh e se estabelecendo não apenas como um dos principais jovens jogadores de sua equipe, mas de toda a liga. Entrando em 2018, por exemplo, Keller foi ranqueado pela MLB.com como o prospecto de número 1 dos Pirates, e a Baseball America o considerou o 12º melhor prospecto da MLB.

Mitch Keller arremessando pelo Indianapolis Indians da AAA (Foto: MiLB.com)
Mitch Keller arremessando pelo Indianapolis Indians da AAA (Foto: MiLB.com)

Na metade de 2019, a grande promessa finalmente se juntou ao elenco principal da franquia, e nos primeiros momentos como “Big Leaguer”, as coisas não saíram como esperado. Em 12 jogos como titular, terminou seu primeiro ano na MLB com um ERA de 7.3.

A temporada mais curta de 2020 foi o melhor momento de Keller até então. Foram apenas cinco jogos e pouco mais de 21 entradas, mas os 2.91 de ERA e 16 strikeouts eram algo positivo para usar de fundação no ano de 2021. Mas novamente, os ventos sopraram em outra direção para o jovem arremessador.

Nesta temporada, Mitch Keller foi estatisticamente um dos piores arremessadores titulares da liga, tendo o terceiro pior ERA entre aqueles que jogaram pelo menos 100 entradas, passando inclusive algum tempo de volta na Triple-A. Aquele que um dia foi uma grande promessa do esporte, agora era um jogador repleto de incertezas.

Na offseason que antecedeu a temporada de 2022, vídeos do camisa 23 arremessando bolas acima de 100 mph geraram um verdadeiro alvoroço nas redes sociais, sendo algo que poderia mudar o jogo de Keller, fomentando mais uma vez muita expectativa. E a empolgação aumentou após um Spring Training muito sólido do experiente, mesmo que ainda muito novo, arremessador.

Tudo indicava que a situação de Mitch estava subindo para um outro nível, até que o início da temporada regular foi outro duro golpe. Após sete jogos e um ERA de 6.61, foi colocado no bullpen. A essa altura o psicológico de Keller parecia devastado, em que o jogador demonstrava se abalar muito facilmente quando algo não dava certo em suas partidas.

Mas no que parecia ser o início do fim da linha, na verdade foi o momento perfeito para o ressurgimento daquele que um dia foi um dos principais prospectos em todo beisebol.

Arsenal renovado: o surgimento de um novo Mitch Keller

Em 18 de maio, diante do Los Angeles Dodgers, Keller utilizou pela primeira vez a sinker em seu arsenal. Algumas semanas depois, sua slider se tornou uma “sweeper”, ou uma sweeping slider, ganhando muito mais movimento lateral. Além disso, sua changeup e sua fastball passaram a ser usados com bem mais moderação, pois definitivamente não vinham sendo tão eficientes.

O talento sempre esteve lá, mas faltava algo para fazer todas as peças se encaixarem no jogo de Mitch. E esta alteração no seu arsenal de arremessos era o que o jogador precisava para ir de um dos piores arremessadores titulares da MLB, para um dos melhores da Liga Nacional no restante da temporada.

Mitch Keller teve o ano de sua carreira em 2022 (Foto: Pittsburgh Post-Gazette)
Mitch Keller teve o ano de sua carreira em 2022 (Foto: Pittsburgh Post-Gazette)

Nos 16 jogos que jogou como titular desde a mudança, registrou um ERA de 2.93, tendo até mesmo pela primeira vez na carreira uma sequência de seis jogos arremessando pelo menos seis entradas. Entre agosto e setembro, Keller obteve uma impressionante sequência de 17 entradas sem ceder uma corrida sequer, e fechou o ano com sete Quality Starts (quando o arremessador entrega pelo menos seis entradas e cede no máximo três corridas merecidas) consecutivos.

Além dos novos arremessos, Mitch Keller demonstrou ser um jogador completamente renovado, muito mais confiante, e capaz de sair de situações difíceis mesmo quando não parecia estar no melhor dos dias. Este era um dos aspectos que mais se destacavam negativamente em seu jogo.

Após uma carreira marcada por alguns altos e muitos baixos, o ainda jovem atleta chega para 2023 com uma imagem totalmente diferente. Keller terminou a temporada passada como um dos melhores arremessadores da Liga Nacional, e após uma intertemporada inteira podendo aperfeiçoar seu novo repertório, as expectativas são novamente altas em cima do camisa 23 de Pittsburgh.

Após um 2022 que mudou os rumos de sua carreira, Mitch Keller é certamente um dos mais interessantes nomes a se observar neste intrigante time dos Pirates para 2023, em que se tudo seguir se alinhando, pode se estabelecer em definitivo como um dos melhores arremessadores da National League.

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