Uma das maiores surpresas da 1° rodada do Draft da NFL de 2020 foi a escolha de um Quarterback por parte do Green Bay Packers. Jordan Love, jogador vindo da universidade de Utah State, foi selecionado com a 26° escolha geral do recrutamento (a partir de um trade up da posição número 30); e chega a Green Bay como o futuro substituto de Aaron Rodgers, um dos maiores QBs da história da liga.

Essa seleção pegou muita gente de surpresa, pelo fato de Rodgers ter ainda 36 anos (idade que não é considerada avançada para um jogador da posição nos dias atuais); e possuir um contrato de mais quatro anos com a franquia.

Com isso, vamos elencar os possíveis motivos dessa escolha e buscar entender o plano do Front Office dos Packers com a mesma.

O contrato de Aaron Rodgers com os Packers

Foto: Twitter @packers

Segundo o Spotrac, Rodgers tem ainda um contrato de 4 anos com os Packers, no valor de $134 milhões; com uma média anual de $33 milhões, sendo $98 milhões totalmente garantidos. Porém, o que a gente precisa levar em conta aqui é que a maioria do valor garantido é nos dois próximos anos de contrato (2020 e 2021), no valor aproximado de, respectivamente, $51 milhões e $31,5 milhões. O valor garantido para os dois últimos anos desse acordo (2022 e 2023) é próximo de, respectivamente, $17 milhões e $2,8 milhões.

Ou seja, se Green Bay quiser colocar Jordan Love como titular já em 2022 e, para isso, cortar ou trocar Aaron Rodgers, não haverá um grande impacto na folha salarial da franquia. Pelo contrário, como o cap hit de Rodgers é de, aproximadamente, $39 milhões em 2022 e $28 milhões em 2023, os Packers estariam abrindo um bom espaço no seu salary cap para pensar em reforçar outras posições; visto que, também, Jordan Love ainda estaria no seu contrato de calouro.

A espera de uma crescente decadência de Rodgers, por parte do Front Office

É óbvio que se a franquia gastou seu cartucho de 1° rodada em um Quarterback e, ainda subiu para garanti-lo; é por que ela pretende que esse jogador seja seu titular em algum momento. Além disso, visto a situação contratual de Aaron Rodgers, explicitada no tópico anterior, essa transição tem tudo para acontecer em breve.

Vale lembrar ainda, que a tendência é que Green Bay busque ao máximo capitalizar em cima do contrato de calouro de Jordan Love (tática que vem funcionando muito bem como forma de montagem de bons elencos na liga). Ou seja, uma vez que Love for bem lapidado nos dois próximos anos, Green Bay não deverá titubear em promove-lo como titular do time em 2023.

Mas, o que visamos trazer nesse tópico é o seguinte: se os Packers estão fazendo nesse momento essa aposta em Jordan Love é por que na visão de seu Front Office, Rodgers está com os dias contados como Franchise QB de Green Bay. Consequentemente, como um dos melhores jogadores da liga em sua posição.

Se você acompanha a NFL há algum tempo, com certeza já assistiu a excelentes momentos de Aaron Rodgers durante sua carreira. Porém, é inegável que nos dois últimos anos, mesmo mantendo bons números em relação a média da posição, o jogador teve uma queda de produção. Dessa forma, é muito provável que a diretoria dos Packers esteja convencida que o atual QB titular da franquia esteja em fase gradual de decadência e dificilmente recuperará o futebol americano apresentado em seus melhores momentos; mesmo tendo ainda uma idade considerada boa para um jogador da posição.

O “projeto” Jordan Love

Foto: Twitter @USUFootball

Se você assistir a um jogo de Jordan Love no college, muito provavelmente você sentirá uma mistura de emoções em relação ao jogador. Isso por que o atleta, vindo de Utah State, ao mesmo tempo que é capaz de fazer jogadas geniais a partir de seu grande talento de braço e de pernas; também é responsável por lançar algumas interceptações bem bizarras a partir de erros de leitura ou tomada de decisão.

Love tem atributos em seu jogo que não dá para ensinar a um QB, como passes contra o movimento do corpo em janelas apertadas. Isso é talento puro. O que precisa ser trabalhado e desenvolvido no jogador é, sem dúvida, o aspecto mental do jogo; no qual ele precisa conseguir ler melhor as defesas, antecipar melhor as jogadas e ser, por vezes, menos displicente com a bola. Se isso for lapidado durante os anos em que ele estará no banco, Love terá todas as ferramentas que um grande Franchise QB da liga precisa e Green Bay terá acertado em cheio na escolha.

Além disso, o ambiente para a lapidação do jogador será favorável. Isso porque, o atual treinador dos Packers, Matt LaFleur, já foi responsável por contribuir em ótimos trabalhos com Quarterbacks nos últimos anos. LaFleur, por exemplo, era o treinador de QBs do Atlanta Falcons em 2016, ano em que Matt Ryan foi e leito o MVP da liga; e também era o coordenador ofensivo do Los Angeles Rams em 2018, ano da melhor temporada, disparadamente, de Jared Goff em sua carreira na NFL.

Ademais, por mais que Aaron Rodgers possa ser uma pessoa difícil de se relacionar, não há dúvidas que Jordan Love vai aproveitar ao máximo qualquer dica que vier de seu companheiro de posição; e buscará assimilar tudo o que puder nos treinos e jogos; a fim de aprender com um dos melhores da história do esporte.

Com isso, é possível entender os prováveis motivos que levaram Green Bay a fazer essa escolha na primeira rodada do Draft da NFL deste ano. Se foi um acerto, só o futuro dirá. Mas será interessante acompanhar o desenrolar dessa nova narrativa que envolve um dos melhores Quarterbacks da história da liga e; quem sabe, uma futura estrela da posição e do Green Bay Packers.

 

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