O New Orleans Pelicans conduziu uma procura por um novo técnico após a dispensa de Alvin Gentry, que culminou com a escolha de Stan Van Gundy para o cobiçado cargo. Na terça, dia 27 de outubro, o Super Mário foi apresentado oficialmente e, no seu melhor estilo, não escondeu o jogo, sendo direto e bem abrangente em sua entrevista.

 

O bate-papo foi transcrito pelo nosso amigo gringo Pelicandae, e lhes trago em português o que rolou. Pontos importantes foram abordados, e esses foram destacados, já que foram 45 minutos de uma ótima conversa.

A entrevista será dividida em 2 partes, para que seus olhos não sangrem pra você poder curtir e entender tudo que nosso gordinho bigodudo falou (é muita informação boa!). Bora?

 

A entrevista começou com David Griffin parabenizando Alvin Gentry por sua representação e contribuição para a franquia.

Griffin: Nós entrevistamos 9 pessoas no total, de uma maneira ou de outra. Estabelecemos um critério claro que seguimos para o que buscamos no próximo técnico, e tomamos nosso tempo para isso. Falamos com muitos de vocês (jornalistas) offline, explicando a demora. Talvez a temporada comece bem mais cedo que o pensado. Nós queríamos tomar nosso tempo para analisar o time, entender quem nós realmente somos, e fazer isso sem o impacto do que aconteceu na bolha nos cutucando. Queríamos nos dar a melhor chance de saber quem somos, e descobrimos que Van Gundy nos dava a melhor opção, com 22 anos de carreira como técnico, 12 anos como Head Coach. Ele provou que vai vencer um monte de jogos na temporada regular. Vencendo quase 66% de seus jogos com o Magic, mais de 60% com o Heat, e mais de 50% nos playoffs, o que é bem raro, portanto é um técnico que pode vencer agora. Mas mais importante para nós, é um professor muito autêntico e sincero, que vai construir longas e duradouras relações com nosso time, e por estar apenas arranhando a superfície do que esperamos ser um longo período de sucesso, SVG foi uma escolha óbvia. Além de ser capaz de vencer agora, sentimos que ele nos dá a melhor chance de ter um time vencedor e sustentável a longo prazo.

Stan Van Gundy: Obrigado à senhora Benson, Dennis Lauscha e Trajan Langdon, David Griffin, Swin Cash, Bryson Graham e todos da organização por essa grande oportunidade. Eu realmente gostava de ser analista na TV, queria ser técnico novamente, mas apenas se uma oportunidade incrível aparecesse, e New Orleans era isso. Primeiro, uma governadora e um grupo de executivos que provou que sabe vencer no nível profissional, como o time de futebol mostra, além de um grupo comprometido com New Orleans, que é importante para mim e para a Kim (esposa). Também a experiência comprovada do Griffin em construir esquipes campeãs, somada à equipe de executivos incrível e o clima de família que a franquia tem.

E claro, é uma equipe muito promissora. Uma mistura de jovens muito talentosos e veteranos de caráter e produtivos, além de uma grande cidade que mal podemos esperar para viver, e eu sabia que tinha feito a escolha certa quando ontem à noite me informaram que eu podia dar essa entrevista de camiseta polo ao invés de terno e gravata. Griffin e Langdon estão se preparando para o Draft, e nós já estamos trabalhando para o início da temporada, contratando pessoal, estou tentando conhecer nossos jogadores. Falei com todos eles, vou começar a encontrá-los pessoalmente, passar um tempo com eles e estudar filme. Mal posso esperar para voltar para as quadras e tentar construir um time duro e disciplinado que verdadeiramente não se curva (Won’t Bow Down). Finalmente, para o povo de New Orleans, minha esposa e eu mal podemos esperar pela oportunidade de representar a cidade e construir um time vencedor aqui.

 

PERGUNTAS

 

Houve alguma potencial última coisa que te convenceu a aceitar o trabalho?

SVG: Bem, obrigado pela pergunta, é complicado pois foi tudo. Tinha tanta coisa boa, e de verdade nenhum ponto negativo que me fizesse hesitar. Se tivesse que escolher uma coisa, diria que me encontrei com Griffin e Langdon, e depois com todos os executivos, e novamente com Griffin, então que teve uma conexão onde eu realmente acreditei nele. Não apenas sua visão do time, que é importante, mas o tipo de gente que ele quer aqui. 

O elenco é muito jovem, como treinar um monte de jovens é diferente?

SVG: Não sei se é tão diferente. Eu acho que uma coisa que já conversei com os jogadores é que definitivamente não quero que eles, ou nós, usemos a juventude como desculpa. Você pode começar a falar “somos jovens, por isso desperdiçamos a bola 3 vezes nos últimos 2 minutos de um jogo empatado”. Olha, são grandes jogadores, e chegaram na liga porque são talentosos. É hora de competir então não quero essa desculpa. Quanto a treinar eles, o que muda é que tem muito mais ensinamento e desenvolvimento dos jogadores. A NBA é diferente da faculdade, e precisa ter mais ensino, precisa de mais ênfase em desenvolvimento, eles estão longe do seu potencial nesse ponto da carreira. Não importa o quão bons eles são agora. Temos que ter isso em mente todo dia.

Você mencionou responsabilidade, a pessoa mais importante nesse ponto é Zion, qual sua estratégia?

Griffin: Obrigado pela pergunta. Eu não diria que ele é o mais importante. Parte do que estamos tentando construir aqui é que ninguém é mais importante que ninguém, é uma coisa de nós. Uma das coisas que mais nos anima com Zion é que ele pensa igual, ele não quer ser colocado num pedestal de forma nenhuma. Responsabilidade começa com você sendo um de nós, e acredito que Van Gundy concorda.

SVG: Totalmente. Por vezes estamos falando sobre responsabilidade, e pensamos que o técnico ou o GM, ou o vice presidente, qualquer um cobra o pessoal, e não é isso. Muito passa por conversar com Zion, e já fiz isso pelo telefone. Mal posso esperar para sentar com ele pessoalmente, mas como Griffin disse, é todo mundo nesse time, sentindo quais são seus objetivos e onde querem chegar em suas carreiras, o que querem ver o time conquistar. E aí, ajudar eles a conquistar esses objetivos, mantê-los responsáveis quanto ao que eles sabem que precisam fazer para chegar lá. Muitas vezes é isso, “hey, você disse que queria ser o melhor da NBA, você disse que queria vencer um título, você disse que faria o necessário pra chegar lá, eu vou te cobrar todo dia. Não é cobrar o Zion ou os outros, é ajudar todos.

Faz 2 anos que você não comanda um time, esperava ser tanto tempo, e como sua perspectiva mudou?

SVG: Não tinha expectativas, mas acredito que o tempo afastado me ajudou a entender algumas coisas e sair daquele túnel, aquela visão fechada do seu time apenas, e ver o que estava rolando na liga como um todo, o que funciona, o que não funciona, coisas que gosta e não gosta. Te permite focar nessas coisas e crescer muito, abre perspectivas. Mantive anotações por 2 anos e meio nos jogos que assisti, coisas que ouvi em clínicas, de técnicos que conversei, e tudo isso me permite ser melhor dessa vez.

Nos conte o que gosta na equipe, pontos fortes e o que você antecipa mudar

SVG: Olha, como disse antes, o que me anima muito é o time que Griffin e Langdon juntaram, uma ótima mistura de jovens talentosos com potencial para se transformar em algo incrível, e ao lado deles você tem ótimos veteranos de muito caráter e produtivos. Portanto, pra mim, essa mistura é muito animadora. Sendo mais específico, é um time que provou que sabe correr e tem profundidade, muita gente que arremessa bem. Temos 2 dos mais únicos jogadores na liga, Brandon Ingram que é o jogador que mais cresceu na liga, um daqueles caras que é muito alto, longo e joga como um armador, vai onde quiser na quadra. E nem tenho uma comparação para Zion. Ele é único, no jeito que joga. É uma cara que vindo de uma lesão, entrou em quadra e foi extremamente produtivo e eficiente. Não tem gente assim por aí. 

Tem muito o que construir aqui, mas quanto a mudanças, não há – e eu adoro que Griffin iniciou a entrevista exaltando Alvin Gentry, pois sempre tive muita consideração por ele como técnico e pessoa. Muito do trabalho é desenvolver os jogadores. É claro pelos números, que esse time precisa melhorar na defesa. Vamos precisar realmente nos comprometer defensivamente, e como técnico, esse comprometimento significa ensinar até um ponto onde sabemos exatamente o que estamos fazendo. De um ponto de vista dos jogadores, eles precisam se comprometer onde se quisermos vencer em alto nível, em uma conferência muito talentosa, precisa ser na defesa. Eles vão se esforçar e dedicar, e nós todos precisamos nos comprometer em melhorar nesse aspecto.

O quanto você sentiu falta de treinar jogadores?

SVG: Você sempre sente falta. De início, não é nada, você tá trabalhando feito louco e dá um tempo, e é bom não ter isso na mente, descansar um pouco. Mas a temporada começa, e você tá fazendo anotações, e a mente volta a trabalhar, você quer voltar a trabalhar. Quanto mais tempo passa, mais você quer voltar a trabalhar, e pra mim, ficar imerso na bolha por 3 meses, respirando basquete o tempo todo, é, você quer voltar. Você vê coisas todo dia que quer implementar, que gosta, que não gosta, eu realmente tava louco pra voltar. Mas novamente, só voltaria numa situação ideal, não voltaria por voltar. Só teve um trabalho que tentei me envolver, e era esse em New Orleans.

Você teve os cargos de Presidente de Operações de Basquete e técnico ao mesmo tempo. Alguns anos após essa experiência, qual sua perspectiva?

SVG: Vou te dizer uma coisa, uma das coisas que mais me animaram foi trabalhar apenas como técnico, e deixa Griffin, Langdon, Swin e Bryson se preocuparem com o resto. Outro dia Griffin mencionou estudar um candidato do draft, e eu comecei a tremer, tipo “não sei se é o que quero voltar a fazer”. Estou realmentet animado em focar apenas em treinar, desenvolver elevar os jogadores a outro patamar.

Continua na Parte 2!

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