Começou quente, esfriou bruscamente e acabou morno. A série de quatro jogos entre San Diego Padres e Atlanta Braves iniciou com uma vitória acachapante, passou por dois jogos onde os visitantes foram melhores e fechou numa partida bastante equilibrada, onde os café e ouro souberam sofrer tanto quanto bastava para conquistar o triunfo.

Ah, para este texto não ficar longo e maçante, sempre que as séries forem de quatro jogos vamos dar uma pincelada na história de cada encontro e focar na análise dos desempenhos individuais. Assim, o resumo fica mais objetivo e agradável para quem está fazendo a leitura, sem perder seu caráter informativo. Combinado?

Então vamos lá. Na primeira partida da série, já na longínqua quinta-feira (14), os Padres deram uma aula do mais puro beisebol, jogando em rede nacional. Uma partida dos sonhos para qualquer torcedor, que mostrou até onde podemos chegar se seguirmos a cartilha de Bob Melvin e seu jogo coletivo. Foram dezesseis rebatidas, impulsionamentos de se perder a conta, lindas jogadas defensivas, roubada de base dupla, um show ofensivo de Manny Machado e um defensivo de Joe Musgrove. Final: Padres 12, Braves 1.

No segundo jogo, realizado no ‘Jackie Robinson Day’, uma decisão polêmica do umpire Roberto Ortiz mudou toda a história da partida. Foi na oitava entrada, quando o placar marcava 2 a 2 e a contagem de momento era 3 a 2 em favor do rebatedor. Ortiz acabou chamando bola para um arremesso alto de Pierce Johnson, no limite da zona de strike, o que desestabilizou o arremessador nos dois duelos seguintes. Resultado? Um home run de duas corridas e outro solo, que decidiram o jogo. O beisebol realmente é um esporte de muitos detalhes. Final: Padres 2, Braves 5.

O terceiro jogo foi uma partida onde o Atlanta Braves acabou empilhando corridas entrada após entrada, enquanto o San Diego Padres passava pela caixa de rebatida mais rápido do que cozinhar um miojo. O home run de Grisham na oitava entrada deu uma falsa impressão de equilíbrio ao jogo. Mas o certo é que ficou barato para nós. Foram nove rebatidas dos atuais campeões, com sete corredores mofando em base. Final: Padres 2, Braves 5.

No jogo que fechou a série, novamente com transmissão em rede nacional, a bateria Yu Darvish e Austin Nola se mostrou afiada. Foram oito strike outs do japonês, que se reabilitou da péssima partida contra o San Francisco Giants e ainda ganhou uma estrelinha do professor Bob Melvin. Seu jogo só não foi mais perfeito, porque permitiu um home run a Ozuna, o que jogou seu ERA para 6.2. Mas é bem melhor que os 10.57 do Oracle Park. Sempre lembrando que, quando mais próximo de zero for o ERA (média de corridas limpas), melhor é o desempenho de um arremessador. Final: Padres 2, Braves 1.

Austin Nola: É o nosso apanhador que passa mais segurança aos arremessadores. No bastão, é um dos nossos principais nomes. Muito se questionava o quanto ele poderia entregar aos Padres quanto estivesse na plenitude de sua forma. E, aparentemente, é muito mais do que imaginávamos.

CJ Abrams: Nosso menino de ouro obteve seu primeiro home run nas grandes ligas. Defensivamente também foi muito bem e ofensivamente arriscou até um roubo de base, fazendo que Bob Melvin mudasse sua estratégia. Optou por dar mais tempo de campo ao garoto, inclusive o utilizando no campo externo.

Eric Hosmer: Cometeu seu primeiro erro defensivo na temporada (que aparentemente não foi computado como um erro). Porém, continua sendo nosso jogador mais constante na defesa e no ataque. Líder da equipe em campo, tem gente que nem lembra mais o quanto queria a sua troca pouco tempo atrás.

Ha-Seong Kim: Não dá para dizer que está substituindo Tatis à altura, porém não está dando brecha a qualquer crítica. Entregando no ataque e muito bem na defesa. O sul-coreano já começa a ver seu nome ecoando de forma orgânica na arquibancada quando parte para a caixa de rebatida.

Jake Cronenworth: Não foi tão bem ao bastão, mas visivelmente ainda está aquecendo. Faltam algum detalhe no giro para dar aquela dose adicional de potência e fazer a basebolinha transpassar o muro. Mas esse a gente sabe que tem pedigree e provou toda sua categoria na defesa, com uma arriscada eliminação ao tocar a base com a mão sem a luva.

Jorge Alfaro: A bateria entre arremessador e apanhador precisa ser perfeita. Quando um dos lados não está em sintonia, problemas acontecem. Foi o que aconteceu com Alfaro no segundo jogo da série, complicando um pouco mais a vida do garoto MacKenzie Gore em sua estreia.

José Azocar: Jogou muito pouco na série, cumprindo funções táticas para Bob Melvin. Não comprometeu, mas também não brilhou. Por outro lado, mostrou ser um atleta onde o treinador deposita confiança.

Jurickson Profar: O curaçauense é o cara deste início de temporada do San Diego Padres. Defensivamente ainda está um pouco lento e com o braço um pouco travado. Mas na parte ofensiva é o nosso jogador mais letal ao bastão. Mantido na parte baixa do lineup, é uma preocupação a mais para os arremessadores adversários, que não tem o esperado refresco.

Luke Voit: Ainda não entregou aquilo para o qual foi contratado. Às vezes parece estar impaciente ao bastão. Outras vezes parece fazer apenas o que lhe foi pedido e gira com potência em todas as bolas. Enquanto isso, foram treze passagens ao bastão na série, com duas rebatidas e um descanso no quarto jogo.

Manny Machado: Jogador extraclasse. Foram seis passagens ao bastão no primeiro jogo para cinco rebatidas. E a sexta não saiu por detalhes. Nos demais jogos foi muito seguro na defesa, comandando o shift e algumas eliminações dupla. Sem contar as acrobáticas defesas na terceira base. É craque!

Matt Beaty: Atuou nos dois últimos jogos da série, na vaga do lesionado Wil Myers. Defensivamente não comprometeu, o que é bom. Ao bastão, passou zerado em seis ocasiões, o que é ruim.

Trent Grisham: Me ajuda, que eu te ajudo. Grisham se mostrou mais seguro defesa e começou a dar sinais de aquecimento ao bastão, com o primeiro homer do ano. Mas ele saiu a partir da rebatida fora da zona do strike. Ou seja, uma precipitação que deu certo. Espero que seja o começo de um novo momento…

Wil Myers: Sentiu uma lesão que o tirou de três jogos. No meio da série anunciou ser esta a sua última temporada como um café e ouro. Mas isso é um assunto para debater mais para o final da temporada. Em campo, obteve duas rebatidas em cinco oportunidades. Completou o diamante uma vez. É aquela formiguinha que ajuda no todo.

Autor: Henrique Porto

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