Sejam todos muitos bem-vindos ao novo ano da NFL. Muitos torcedores não esperavam uma offseason tão movimentada para o Indianapolis Colts de Chris Ballard, nada muito além dos jogadores mais especulados. Com um dos maiores valores disponíveis no cap space vemos a primeira free agency movimentada de Ballard como GM do time azul e branco.

Muito se falava de como os Colts resolveriam seu “problema” na posição de quarterback. Aqui na coluna do Colts Brasil, inclusive, você pode conferir o texto do nosso colaborador William Borella falando sobre as incertezas na posição para a próxima temporada. Ainda que Philip Rivers dispense apresentações faremos um condensado da carreira do jogador desde o high school até a chegada a Indianapolis.

HIGH SCHOOL

Natural de Decatur, no Alabama, Rivers era um admirador de Steve Young, e buscava moldar seu jogo conforme o ídolo, ainda que não possuísse o mesmo atleticismo do QB dos 49ers. Despertou o interesse de diversos técnicos de futebol americano ainda jovem, entretanto seu pai não permitiu que Philip jogasse até atingir a sétima série (1994), dizendo que o filho aprenderia mais vendo os jogos do que dentro de campo. A ausência no campo alimentou o preciosismo de Philip com os detalhes necessários para que o campo de seu quintal, onde organizava suas próprias competições e testes, estivesse sempre perfeito.

Rivers pela Athens High School

O número 17, que usa até hoje, foi escolhido em seu nono ano de futebol juvenil em homenagem a seu pai (que usou o número no High School). Em 1996, quando a família se mudou de Decatur para Athens, Philip se comprometeu em jogar futebol pela Athens High School, onde seu pai, Steve Rivers, foi admitido como novo técnico principal do time de futebol americano. Inicialmente jogou como QB do time de calouros da escola, mas em seu segundo ano mudou de posição e foi para o outro lado da bola. Atuou como linebacker, posição que possibilitou imenso aprendizado.

Ao fim da temporada, após a saída do QB titular da equipe, que já era senior na temporada de Rivers como LB, Philip foi promovido a titular no comando do ataque. Como titular no high school, ele nunca teve um recorde negativo, 11-2 em 1998 e 10-3 em 1999, fato que se repetiu no College.

Sua última temporada no colegial fez com que Philip se consolidasse como o melhor jogador da posição no Alabama, o que despertou o interesse de universidades com programas de futebol famosos, como Auburn e Alabama. Entretanto as circunstâncias levaram o jovem QB a escolher North Carolina State University como seu destino no College. Steve Rivers, pai e mentor de Philip, resume muito brevemente o motivo da escolha: seu filho queria jogar o mais rápido possível.

“Auburn realmente tentou persuadi-lo fortemente. Alabama também recrutou Philip, assim como Ole Miss, mas, é claro, eles tinham Eli Manning. NC State o recrutou também, e o ofereceram primeiro (o que ele queria). Eles ofereceram a ele titularidade em seu primeiro ano. Agora, por que ele foi para lá? Eu diria dois motivos. O primeiro era o técnico Joe Pate, que eu conhecia há muito tempo. E o segundo motivo, e provavelmente o mais importante, foi que Philip não queria ir a lugar nenhum e esperar (no banco de reservas). Ele queria jogar. Sentia que poderia entrar imediatamente, e NC State precisava de um quarterback.”

COLLEGE: NORTH CAROLINA STATE

Rivers se comprometeu com o NC State Wolfpack Football no inverno de 2000, após Joe Pate convencer os jovem e seus pais que a graduação precoce no high school seria boa para seu futuro como jogador de futebol. Com isso, Rivers já fez seu primeiro treino como QB do time no spring training do mesmo ano, uma vez que Jamie Barnette, QB titular dos Wolfpack, já estava concluindo o College. Rivers jogou sob o comando de Chuck Amato e Norm Chow, técnicos pelos quais tem imenso apreço e que foram também essenciais para sua escolha por NC State.

Philip Rivers em ação por North Carolina State

Naturalmente sofreu com os primeiros treinos e a diferente velocidade do jogo comparado com o high school. Rivers também chamou atenção por sua mecânica de passe pouco usual e sua perfil de liderança. Ambos aspectos se apresentaram rapidamente em campo, especialmente a liderança, uma necessidade que os técnicos viam no elenco.

Em seu primeiro ano pelo Wolfpack, Rivers conduziu a equipe ao recorde de oito vitórias e quatro derrotas. Teve jogos marcantes incluindo uma vitória sobre Minnesota no Tangerine Bowl. Somando 3054 jardas e 25 touchdowns, Rivers quebrou recordes da Universidade e se tornou o primeiro QB de calibre para All-American desde Roman Gabriel em 1968. Naturalmente ficava cada dia mais difícil encontrar ingressos para os jogos, com os torcedores cada dia mais apaixonados pelas performances de Rivers e o time. O segundo ano pelos Wolves também rendeu a viagem para o Tangerine Bowl, após mais uma temporada com recorde positivo, onde ganhou pelo segundo ano seguido o prêmio de MVP da partida.

Novamente fazendo história por NC State, Rivers levou o time, em seu terceiro ano, a nove vitórias em seus dez primeiros jogos, algo que jamais tinha acontecido. Dessa vez, enfrentaram Notre Dame no Gator Bowl e venceram o time de Indiana com uma performance avassaladora de Rivers. O placar final marcou 28-6 para os Wolfpack. A sua temporada como junior foi apenas um prenúncio do que viria a ser sua temporada como senior. Em seu último ano, Philip conseguiu lançar quase 4500 jardas em 12 jogos, além dos 34 touchdowns. Concluiu sua carreira de College como o QB mais prolífico da história da ACC, sendo coroado com o prêmio de jogador do ano da Conferência e mais uma vez o MVP do Tangerine Bowl.

O DRAFT

Para alguns, Philip seria um grande quarterback na NFL enquanto que para outros, seus números do College pouco importavam. Acreditavam que a fraca concorrência em sua Conferência havia inflado os números do jovem prospecto. No final das contas, o consenso era que Rivers não passava de um prospecto de fim de primeira rodada.

No mesmo Draft, Rivers concorria com Eli Manning e Ben Roethlisberger. Com a primeira escolha geral os Chargers escolheram mais um herdeiro da família Manning, ainda que estava claro que o QB não pretendia jogar pelo time de San Diego, o que também garantiria que os Giants pagariam qualquer preço para ter Eli. Após ser selecionado pelo time da Big Apple, Rivers foi trocado para os Chargers. O pacote incluiu uma escolha de terceira do mesmo Draft, além de uma escolha de primeira rodada e uma de quinta rodada de 2005.

CARREIRA NA NFL

Os primeiros anos de Philip Rivers nos Chargers não foram muito fáceis. Esteve inativo a maior parte de sua temporada de calouro e jogou apenas o último jogo da temporada regular. O mesmo se repetiu em sua segunda temporada: Drew Brees iniciando os jogos como titular e Rivers inativo frequentemente. Foi apenas em 2006 que Philip teve sua chance de mostrar que poderia comandar a equipe. Com Drew Brees rumando para New Orleans como free agent, Rivers assumiu a titularidade após anos sendo tutelado pelo titular anterior.

Frank e Reich juntos durante a prolífica parceria em San Diego

Com os Chargers, Rivers participou de um dos melhores ataques do século ao lado de LaDainian Tomlinson, Keenan McCardell e Antonio Gates. Não a toa, à época foi algoz dos Colts nos playoffs. Infelizmente, quando sua maior chance de chegar a um Super Bowl chegou, Rivers sofreu a pior lesão de sua carreira, rompendo o ligamento cruzado anterior (ACL) contra os Colts no Divisional Round da temporada 2007/08, e jogou assim mesmo a final de conferência contra os Patriots. Na ocasião, com os principais jogadores lesionados, os Chargers não alcançaram a vaga para disputar o título.

Na temporada seguinte os Chargers, comandados por Rivers, novamente acabaram com as esperanças dos Colts. Não podemos negar que o QB foi uma enorme pedra no sapato dos Colts. O fato deixava muitos torcedores em Indianapolis receosos sobre a sua contratação nos dias de hoje. Com o tempo, Rivers se mostrava mais sólido porém o time já não era bom o suficiente para ser considerado um candidato ao título. O time figurou nos playoffs apenas uma vez entre 2009 e 2018, exatamente numa das temporadas em que Frank Reich estava na comissão técnica do time de San Diego.

Os rumores de Rivers nos Colts ganharam muita força por conta da conexão entre o QB e seu antigo técnico Frank Reich. Foram três temporadas de parceria, que também contava com a presença de Nick Sirianni, entre 2013-14 até 2015-16. Durante esse período, Philip passou para 92 touchdowns e 42 interceptações, com uma média de passes completos de 67.4%. Naturalmente, a idade pode pesar para o veterano, visto suas duas últimas temporadas abaixo do esperado. Ainda assim, é inegável o upgrade que Rivers oferece em relação a Jacoby Brissett. A antiga rivalidade entre Rivers e Colts será colocada por terra pensando nos resultados a curto prazo.

Philip Rivers detém praticamente todo recorde relevante para um QB na história dos Chargers: com mais de 59 mil jardas passadas e 397 touchdowns em 235 jogos durante sua passagem de 16 anos pelo time. De acordo com a ESPN, Rivers detém mais de 30 recordes da franquia, além de outros recordes da Liga. Um exemplo é a marca atingida em 2014, quando o QB alcançou uma sequência de cinco jogos consecutivos com um passer rating de ao menos 120 numa mesma temporada.

O QB ainda foi eleito para o Pro Bowl em oito oportunidades, segunda melhor marca da franquia atrás apenas de Junior Seau (12). Numa esfera mais ampla, Rivers está apenas atrás de Manning, Brees e Brady em termos de jogos com mais de 300 jardas passadas na carreira. Em 2013, com o apoio de Frank Reich, foi eleito o Comeback Player of the Year. Também é conhecido por sua atuação fora de campo, foi finalista do prêmio Walter Payton Man of the Year, apoiando a Hope Foundation que acolhe crianças órfãs e abandonadas.

A última temporada de Rivers não foi boa com os Chargers. Impressão agravada pelas expectativas sobre o time no início do ano da NFL. Teve quase o mesmo número de interceptações (20) que de touchdowns (23), lançando para 4615 jardas com um passer rating de 88.5. Sofreu com bolas longas, tendo rating de apenas 58.9 em passes de 31 ou mais jardas, enquanto conseguiu lidar bem com passes de até 20 jardas. Ainda assim é importante destacar que lesões, problemas com a comissão técnica e jogo corrido debilitado tiveram grande influência sobre a temporada.

CHEGANDO A INDIANAPOLIS

Vários quarterbacks estavam entrando no mercado nessa offseason: Rivers, Brady, Winston e Bridgewater. Os Colts mostravam clara ligação com o QB dos Chargers e provavelmente o rumor mais esperado pelos fãs e jornalistas era a mudança de Rivers para Indianapolis. Ainda que outros rumores chegassem com menos força, como um possível interesse de Brady em jogar em Indy, reportado pela imprensa, qualquer contratação que não fosse Philip Rivers seria uma enorme surpresa. Com o corte de Brian Hoyer só ficou mais claro que Rivers era uma questão de tempo.

Como projetado, os Colts assinaram com o QB um contrato de curta duração (apenas um ano) com um valor consideravelmente amigável, de US$ 25 milhões. O mais preocupante foi o cap hit de Jacoby Brissett. O valor se aproxima do de Rivers, mesmo que o jogador tende a ser o reserva do time se não trocado. Diferente das temporadas anteriores, para garantir o QB em quem confiava, Ballard abordou o veterano rapidamente e já acertou a chegada de Rivers no início da free agency, até mesmo como uma estratégia de captação de talentos, que não deviam ver grande ambição tendo Brissett como QB.


 

Em breve traremos mais textos sobre os jogadores que acabaram de chegar em Indianapolis.

Fiquem ligados nas notícias sobre o Colts no @HorseshoeBr @potrosbr  e @fumblenanet , além dos pitacos da @CarolVago12 , do @pj1992 e do @William_Borella!

Assine o Colts Brasil no Spotify!

Assine o Feed do Colts Brasil para não perder nenhum episódio do podcast ou texto! http://fumblenanet.com.br/feed/coltsbrasil

Siga-nos no Instagram! https://www.instagram.com/podcastcoltsbr/

DEIXE UMA RESPOSTA