O San Diego Padres mostrou que a ‘Tatis Dependência’ da temporada passada parece ter sido superada sob o comando de Bob Melvin. Jogando um beisebol eficiente e coletivo, saiu-se vencedor da série de abertura da temporada, mesmo atuando fora de casa. No deserto do Arizona, em Phoenix, deu um chega para lá no Diamondbacks, que até pularam na frente na série, mas acabaram superados em três jogos contra um. O último deles um verdadeiro passeio.

 

Game 1: Arizona Diamondbacks 4×2 San Diego Padres
A única vitória dos donos da casa veio logo no primeiro encontro da série. Após liderar por 2 a 0 até a entrada final, o estreante arremessador venezuelano Robert Suárez espalhou a farofa e aprendeu a duras penas que a MLB e a liga japonesa não estão no mesmo nível técnico. O veterano Craig Stammen foi chamado às pressas para tirar o paciente da UTI, mas não conseguiu. ‘Walk off’ e festa no Chase Field.

Estragaram um belo desempenho de Yu Darvish, que atuou por seis entradas, sem ceder uma rebatida sequer. Foram três ‘strike outs’ e um incrível ERA de 0.00. Ou seja, nas estatísticas, um jogo perfeito do japonês, com uma média de corridas limpas zerada (earned run average). Isso mesmo se adaptando ao novo parceiro atrás do ‘home plate’, Austin Nola, visto que seu antigo parceiro Victor Caratini foi negociado com o Milwaukee Brewers, seu fiel escudeiro por anos, desde a época de Chicago Cubs.

A primeira rebatida dos Padres na temporada coube ao questionado Eric Hosmer, o que é significativo, pois a corrida de duas bases obtida mostra o quanto o veterano está disposto a se entregar ao time, deixando de lado o falatório dos bastidores, que sempre o colocam como primeira opção em uma negociação.

Outro que surfou a onda foi o coreano Ha-seong Kim, que pode não ter o atleticismo de Fernando Tatis Junior, mas se mostra a cada dia mais um atleta muito eficiente, agressivo no roubo de bases e que comete pouquíssimos erros defensivos. Além de estar mais paciente ao bastão, estendendo a batalha contra o arremessador adversário pelo maior número de bolas possíveis. Coube a ele, com justiça, as duas corridas anotadas pelo escrete ‘Café e Ouro’ na partida, sendo uma na terceira e outra na quarta entrada.

Para fechar, dois pontos a serem enaltecidos. A trombada de Manny Machado em Christian Walker, na quarta entrada, que renderá mais alguns pontos na fama de ‘bad boy’ do nosso ‘franchise player’. Aparentemente uma trombada normal, mas seu movimento final foi um prato cheio para os antis, que falarão por anos do lance. Outro ponto importante de ser noticiado é a má fase defensiva do segunda base Ketel Marte, do Arizona Diamondbacks. Que ela se perpetue nos jogos contra nós.

 

Game 2: Arizona Diamondbacks 0x3 San Diego Padres
O segundo jogo da série marcou a estreia do arremessador Sean Manaea na rotação titular dos Padres. E o ‘Aquaman’ não decepcionou Bob Melvin, que foi buscá-lo no Oakland Athletics. Liderou a defesa por sete entradas, sem ceder rebatidas ou corridas. Foram sete jogadores eliminados por ‘strike out’ e um ERA zerado, assim como o de Yu Darvish na partida anterior. Uma estreia de gala.

É bem verdade que ele teve uma ajuda providencial da defesa, principalmente da dupla Eric Hosmer e do novato CJ Abrams, que vem mostrando um belo entrosamento e funcionou por três vezes durante a partida. Hosmer ainda fez uma defesa muito difícil na primeira entrada, de costas, quase no campo externo. O primeira base voltou a aparecer bem na defesa na quinta entrada. Outro atleta que deu um suspiro de esperança ao torcedor foi Trent Grisham, com uma bonita defesa na quarta entrada.

Ocupando a vaga de Fernando Tatis Junior, o recém chegado as grandes ligas CJ Abrams parece não ter sentido o peso da responsabilidade. Defensivamente entregou muito. E na parte ofensiva se mostrou agressivo (até demais), principalmente na tentativa de roubar bases. Passou reto na segunda base. Faltou freio, mas sobrou talento.

Outro que merece destaque neste início de campanha é o apanhador de campo externo Jurickson Profar. Foi dele que saiu o primeiro ‘home run’ do San Diego Padres na temporada, na quinta entrada, valendo duas corridas de volta para casa. Hosmer alcançou uma rebatida dupla na oitava entrada e acabou impulsionado ao ‘home plate’ após um ousado ‘bunt’ de Profar, fechando a contagem em 3 a 0.

O arremessador Tim Hill entrou pelo segundo jogo seguido como apaziguador, não indo bem novamente. Acabou forçando a entrada de Dinelson Lamet no decorrer da oitava entrada, para salvar o trabalho feito até então. E coube ao retardatário contratado Taylor Rogers fechar a partida de forma segura, em apenas oito arremessos, garantindo a primeira vitória do San Diego Padres na temporada.

 

Game 3: Arizona Diamondbacks 2×5 San Diego Padres
No reencontro com o arremessador Zach Davies, o qual muitos lamentam sua troca com o Chicago Cubs até hoje, o ‘Café e Ouro’ precisou mostrar poder de reação para virar o placar e segurar o resultado contra o Dbacks.

Nesta partida o arremessador inicial foi o são-dieguense Joe Musgrove, nosso primeiro abridor a ceder corridas na temporada. Foi numa rebatida de Ketel Marte logo na primeira entrada. Depois ativou o ‘modo K’ e prosseguiu eliminado adversários até a sexta entrada, quando Trent Grisham mostrou o quanto não é confiável ao falhar em uma bola igual a que tinha feito uma grande defesa na partida anterior. Musgrove saiu do jogo após seis entradas, com um ERA de 3.00 e oito ‘strike outs’.

Grisham também cometeu um erro ofensivo na terceira entrada, ao tentar retornar à primeira base, quando o certo seria tentar avançar à segunda. Sorte que sua corrida não fez falta. O também jogador de campo externo Matt Beaty mostrou velocidade e atleticismo para obter uma corrida até a terceira base, com Manny Machado impulsionando o coleguinha de volta para casa e assim empatar a partida na terceira entrada.

Depois foi a vez de Jake Cronenworth retribuir a gentileza de Machado e também conduzir o terceira base em segurança de volta para casa, virando o placar. Machado voltaria a aparecer com destaque na oitava entrada, contando com mais um erro de Ketel Marte – desta vez em rebatida de Eric Hosmer – para pontuar mais uma vez no jogo. Também colocou Luke Voit na terceira base, até Austin Nola o devolver para casa e marcar a quarta corrida.

Por fim, Bob Melvin levou os garotos ao playground. E eles não decepcionaram. Na nona entrada, CJ Abrams contou com o impulsionamento de Jose Azocar e uma nova falha de Ketel Marte para chegar ao ‘home plate’ e fechar o marcador em 5 a 2 para os visitantes. Na parte alta da nona entrada, Taylor Rogers precisou de apenas nove arremessos para fechar o jogo e assegurar o segundo triunfo de San Diego.

 

Game 4: Arizona Diamondbacks 5×10 San Diego Padres
Quem assiste a série ‘O Mandaloriano’ da Disney já conhece a frase “como tem que ser”. E o jogo final da série entre Arizona Diamondbacks e San Diego Padres mostrou toda a experiência de Bob Melvin em administrar o elenco. Após Blake Snell que estava programado para abrir a partida, sentiu um incômodo no adutor. Com isso Melvin promoveu o chamado ‘bullpen day’, ou seja, um dia onde apenas arremessadores não abridores, aqueles do banco (o bullpen), participam da partida.

Começou o jogo surpreendentemente com o colombiano Nabil Crismatt (o ‘primo’ do nosso amigo Victor Salviano), que jogou por quatro entradas e saiu sem ceder corridas, mas não sem provocar alguns sustos ao torcedor. Na sequência ainda entraram na partida Austin ‘Hitman’ Adams (que não acertou bolada em ninguém e saiu ileso), Craig Stamman (também sem ceder rebatidas, recuperando a moral após não ter conseguido salvar a primeira partida da série), Robert Suárez (que jogou duas entradas, não foi bem novamente e cedeu um ‘home run solo’. Talvez precise de um estágio na MiLB) e o cubano Javy Guerra (que atuou por duas entradas e se esforçou para estragar um jogo ganho, mas não conseguiu).

No lineup, o coreano Ha-seong Kim voltou à posição de ‘shortstop’ no rodízio com CJ Abrams. Depois de três bons jogos, Eric Hosmer ganhou um merecido descanso, abrindo espaço para o rebatedor designado Luke Voit assumir a primeira base, com o catcher Austin Nola tomando seu posto no ‘lineup’ como DH, enquanto Jorge Alfaro performou atrás do ‘home plate’ como catcher, formando a primeira bateria (catcher e pitcher) colombiana na história da MLB atuando junto com Crismatt.

E naquele que parecia um jogo para ‘cumprir tabela’, os ‘Café e Ouro’ alcançaram uma vitória de dois dígitos, algo raro no beisebol. Um sonoro 10 a 5, com direito a ‘Grand Slam’ (Slam Diego como estamos acostumados) de Jurickson Profar na segunda entrada, para colocar o placar em 4 a 0. O defensor de campo externo vem se mostrando um dos principais atacantes do Padres até aqui na temporada, sempre levando muito perigo ao bastão.

Para fechar o martírio da jararaca em pleno deserto, a segunda entrada ainda teve um ‘home run solo’ de Alfaro, forçando uma troca de arremessador, sem nenhum atleta eliminado e cinco corridas no placar. O Padres tornaria a pontuar na quarta entrada, com Ha-seong Kim, que primeiro alcançou três bases em sua rebatida e depois foi conduzido por Austin Nola em segurança para casa, marcando o 6 a 0.

Na quinta entrada, Corbin Martin foi mal e cedeu mais duas corridas para San Diego. Sem controle e contnado com a ‘ajuda’ de Geraldo Perdomo, permitiu que Jake Cronenworth e Luke Voit completassem o diamante com tranquilidade, ampliando a contagem para 8 a 0. ‘La nona’ e ‘la decima’ vieram na sexta entrada, após Manny Machado impulsionar Ha-seong Kim para casa e Austin Nola para a terceira base, com uma rebatida em linha. Depois foi a vez de Jake Cronenworth permitir que Nola chegasse ao ‘home plate’.

Mas o jogo não foi só ataque. Na terceira entrada a defesa fez uma linda eliminação dupla, na jogada que envolveu Manny Machado, Jake Cronenworth e Luke Voit. Pelos lados do Arizona, Ketel Marte voltou a falhar neste jogo. Na segunda entrada, deixou passar uma rebatida de Jake Cronenworth.

O Diamondbacks bem que tentou um bote final na nona entrada, conquistando quatro corridas e baixando a vantagem para 10 a 5. Mas já era tarde demais. A vitória do San Diego Padres foi maiúscula e avassaladora, com Bob Melvin dando mostras de que não vai desgastar o elenco em séries onde obtiver as vitórias necessárias. Isso sem deixar de jogar sério e respeitar os adversários. Ou, como diriam os mandalorianos, ‘como tem que ser’.

Autor: Henrique Porto

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