Perder-se também é um caminho

Perder-se também é caminho. Quando Clarice Lispector nos lembrou dessa verdade certamente não falava de basquete, muito menos sobre uma derrota literal. Ela abriu nossos olhos para algo natural na vida: a queda. Hoje é dia de falarmos da derrota dos campeões da NBA em casa para os Wolves.

O Jogo em Si

Percorreu uma lenda na NBA esta semana. Pessoas se escondiam, os cachorros latiam e as janelas eram fechadas desesperadamente. A lenda é real. O Minnesota TimberWolves veio para a temporada com uma defesa decente. Apesar disso, o começo do jogo foi tão normal quanto um Gorila de tanga na Groenlândia. Simplesmente os Wolves acertaram 7/7 de maneira avassaladora e abriram quase dez pontos de vantagem em 3 minutos. Inacreditável. Era mesmo o Wolves?

Enalteço não só o trabalho defensivo do Minnesota, mas o começo desorganizado dos Bucks. Não há como varrer para baixo do tapete a nítida falta que Jrue faz. Giannis foi o “armador” mais efetivo do Milwaukee. Óbvio que isto prejudica seu jogo. Se isso ajudasse seu jogo, Jason Kidd estaria até hoje como Coach.

Contudo, o grande problema do início do jogo foi a defesa – ou melhor – a ausência dela. Sem trocas, deixando espaços e pouca agressiva, a defesa do Milwaukee esteve totalmente desconcentrada.

Aliás, o Campeão só jogou concentrado nos 3 minutos finais do último quarto, e perdeu. Merecidamente.

Uma defesa ruim uniu-se a um Wolves inspirado. Minha avó era uma mulher sábia e costumava dizer de maneira acalentadora: “se acalme meu filho, que tudo na vida pode mudar”. Mudou mesmo. Diferente do final do 1°Q onde os Bucks apenas defendiam mal, vimos que no 2°Q o Milwaukee defendeu e atacou mal. Três minutos. Tempo na quadra. Wolves com 20 de vantagem. Um momento mágico da partida foram os minutos em que Semi Ojeleye esteve em quadra. Sério, deu muito errado. Como ele tem família, não comentarei sobre.

Os Bucks melhoraram no ataque quando todos os jogadores – não só o Giannis – participaram das jogadas e enfim, os arremessos passaram a cair. Não foi o bastante para virar, mas diminuiu a vantagem para menos de dez e assim foi boa parte do jogo.

O 3°Q me trouxe paz. Carregava  dúvidas e esperanças sobre os Bucks até esse momento. O Milwaukee ainda pode vencer este jogo? Me perguntava. O 3°Q me trouxe a paz e a certeza que precisava: o Milwaukee não vai ganhar esse jogo.

Enquanto rolava a partida procurei observar as trocas, as movimentações, e isto me fez refletir filosoficamente sobre uma questão: “Meu Deus, quem afinal arma esse time?” A cada momento um jogador diferente controlava a bola. Não havia uma ideia de jogo. Resumidamente: víamos atletas do Wisconsin trocando passes e arremessando sem arranjo algum.

Rebotes. Um grave problema dos Bucks. Prejudicou demais a ausência deles. Os Bucks exageraram no péssimo aproveitamento do perímetro e em nenhum momento a defesa sobressaiu sobre o ataque dos Wolves. Até esta altura Giannis detinha 29 pontos enquanto o restante do elenco não passava dos 9 pontos. Giannis fez um jogo fantástico, mas não foi o bastante e como seria? Grayson Allen continua sem demonstrar que merece a titularidade; George Hill esteve em quadra? E o Ojeleye… Bem, o cara tem família, então…

Sem foco; um limitado jogo ofensivo; péssimo posicionamento defensivo. Principais ingredientes da derrota

Os motivos para o que citei acima são táticos, individuais, coletivos e até de cunho psicológico (falta de concentração). Um jogo para se esquecer. O Milwaukee quase venceu no final, provando que a grande questão do jogo fica em torno da FALTA DE CONCENTRAÇÃO do time.

Desfocado no ataque e na defesa, coletivamente e individualmente abaixo em todos os âmbitos, menos o Giannis.

Resumo – Enceramento:

Por fim, temos de parabenizar o bom trabalho dos Wolves. Espero que se encontrem no caminho o qual no seu, os Bucks se perderam. É normal em algum momento grandes times perderem. São 82 jogos, naturalmente que entre as 50 e poucas vitórias, surjam as 20 e poucas derrotas. Eu sei, a Clarice sabe e espero que a comissão e os jogadores saibam que: “perder-se também é um caminho”.

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