A contratação de Cam Newton por parte do New England Patriots foi, sem dúvida, uma das principais movimentações desta offseason na NFL. O Quarterback, que foi MVP da temporada de 2015 chega a Foxborough com a missão de substituir a lenda da franquia e da liga, Tom Brady. Além disso, ele precisará fazer com que os Patriots continuem na disputa pela AFC East. Mas, o que abordarei neste artigo é que, mesmo que com a chegada de Newton a New England, o favorito ao título da divisão em 2020 é o Buffalo Bills. A seguir, explicarei os motivos.

Defesas igualmente excelentes

Reprodução: Twitter Oficial @BuffaloBills

Na mesma medida em que a defesa dos Patriots era (com justiça) considerada a melhor da liga pela maioria das pessoas em 2019, pouco era comentado sobre a também ótima defesa de Buffalo. Na estatística de jardas cedidas na última temporada, New England foi o time que menos permitiu jardas totais ao seus oponentes (4414 yds). Entretanto, os Bills foram igualmente excelentes e ficaram em segundo nesse quesito (4772 yds).

Porém, os Patriots perderam um jogador fundamental do seu sistema: Kyle Van Noy. O Linebacker, que assinou com os Dolphins nesta Free Agency, desempenhava um papel fundamental na defesa de Bill Belichik; sendo usado com muita versatilidade e se destacando pela sua inteligência e liderança dentro de campo. Por mais que New England tenha feito uma boa escolha em Josh Uche no Draft, como forma de reposição a Van Noy; é improvável que o calouro chegue na liga causando o mesmo impacto que seu antecessor.

Por outro lado, Buffalo manteve os principais jogadores de sua unidade. Mesmo a perda do EDGE, Shaq Lawson, foi muito bem reposta com a contratação de Mario Addison, ex-Panthers, e com a boa seleção de AJ Epenesa no Draft. Além disso, embora os Patriots tenham sob o comando de sua defesa uma das maiores mentes da história da liga, os Bills têm em Sean McDermott um treinador que vem fazendo um trabalho ótimo; principalmente chamando as jogadas defensivas, e que merece ser mais valorizado.

Dessa forma, a narrativa de que a defesa de New England pode carregar a franquia ao título da divisão por si só não se sustenta; uma vez que a defesa de Buffalo se provou ótima e muito bem treinada também. Somado a isso, temos a baixa importante na defesa dos Patriots (citada acima) e a manutenção do grupo por parte dos Bills. Todos esses fatores fazem com que a expectativa de produção das duas unidades para 2020 seja, no mínimo, semelhante.

Ataque de Buffalo em crescimento

Reprodução: Twitter oficial @BuffaloBills
– Melhora de números ofensivos

O ataque de Buffalo não foi um dos mais produtivos da NFL em 2019, mas é inegável que houve uma evolução se comparado ao ano de 2018. Um dado bom para entendermos esse crescimento é a estatística de pontos por jogo. Os Bills saíram da 30° posição em 2018 para a 23° em 2019. Além disso, sem dúvida, o desenvolvimento no jogo do seu QB, Josh Allen, foi importante para esse processo.

Por mais que Allen ainda seja um QB impreciso, seus lançamentos tiveram 6% a mais de sucesso (58,8% x 52,8%). Além de que, mesmo tendo jogado quatro jogos a mais em 2019, o QB teve 3 interceptações a menos (12 ints x 9 ints). Ou seja, por mais que seu crescimento não tenha sido considerável, Allen deu amostras que é capaz de se desenvolver se bem trabalhado e, claro, municiado.

– Mais armas para Josh Allen

Além disso, o Front Office dos Bills se movimentou bem nesta offseason, a fim de dar mais armas para seu QB e criar condições para a continuação de seu crescimento. O nome mais badalado que se juntará a franquia é o do Wide Receiver Steffon Diggs. O jogador foi adquirido após uma troca com o Minnesota Vikings, na qual Buffalo envolveu sua escolha de 1° rodada do Draft deste ano.

Diggs, conhecido pela sua grande habilidade em correr rotas, chega para ser o legítimo WR1 da equipe. Mas vale lembrar que, sobretudo, ele complementa um grupo que já possuía nomes interessantes como John Brown e Cole Beasley.

Dessa forma, o Bills terá um dos trios de recebedores mais interessantes da liga. Com Diggs sendo o jogador mais técnico e de maior segurança para Josh Allen; Brown o recebedor que estica o campo e chama a atenção dos safeties; e Beasley o que explora muito bem o meio do campo.

– Jogo terrestre entre os melhores da liga e OL sólida

Ademais, a escolha de Zach Moss, na 3° rodada do Draft deste ano, faz com que o ataque terrestre dos Bills, 7° melhor em jardas por jogo em 2019 (130.9), se torne ainda mais intrigante. O time que já conta com o ótimo e muito promissor, Devin Sinlgletary (5° colocado da liga em média de jardas por corrida em 2019, com 5.), terá em Moss um excelente complemento. Além disso, dará a oportunidade para o coordenador ofensivo, Brian Daboll, a oportunidade de implementar um “comitê de Running Backs” em Buffalo.

Por fim, a linha ofensiva dos Bills teve um desempenho bem sólido em 2019 e deve continuar com o bom trabalho em 2020. Na proteção ao jogo aéreo, segundo a ESPN, os Bills foram o 9° time com o maior percentual de vitória em bloqueios de passe no ano passado, com 62%. E nos bloqueios para o jogo terrestre, o bom trabalho feito pela linha foi fundamental para o bom rendimento pelo chão que a equipe teve na temporada passada (melhor destacado acima).

Incógnita no ataque dos Patriots

A contratação de Cam Newton por parte dos Patriots foi bombástica e muito empolgante para os torcedores. Obviamente, por se tratar de um QB que já foi MVP da liga e que, se saudável, será um upgrade grande em relação a Jarrett Stidham. Mas, o real impacto e a produção que Newton terá em New England ainda é uma total incógnita.

Como é de conhecimento geral, Newton vem sofrendo com lesões há algum tempo, incluindo duas cirurgias no ombro. Ou seja, por mais que tenha circulado informações de que ele está bem recuperado e preparado para jogar, é algo que ainda precisa ser provado no campo.

Além disso, se Newton for de fato o QB titular dos Patriots para a temporada de 2020, como será o encaixe dele no esquema de Josh McDaniels? Será o coordenador ofensivo capaz de adaptar seu playbook tão bem estabelecido durante os últimas anos para o estilo peculiar de jogo de seu novo QB?

E, ainda, será que o MVP da temporada de 2015 conseguirá se manter saudável diante de um estilo de jogo totalmente físico e agressivo, depois de ter passado por duas operações? São dúvidas que circundam o ambiente em New England e que colocam sob questionamento a produção que esse ataque terá em 2020.

O que se sabe é que o corpo de recebedores, para além de Julian Edelman, também não inspira muita confiança. E que a tendência é que os Patriots, mais do que nunca, invistam no seu jogo terrestre (18° time com mais jardas terrestres por jogo em 2019), colocando uma pressão maior sob os ombros de Sony Michel e James White.

O ótimo e subestimado Sean McDermott

Reprodução: Twitter oficial @BuffaloBills

Que Bill Belichik é um dos melhores treinadores da história do futebol americano não é surpresa para ninguém. Mas, se tem um Head Coach na liga que merece ser mais comentado e elogiado, atualmente esse alguém é Sean McDermott. Treinador principal dos Bills desde 2017, quando foi contratado e promovido depois de trabalhar cinco anos como coordenador defensivo dos Panthers, McDermott já levou Buffalo para os playoffs duas vezes em três anos. Além disso, ele transformou a defesa da equipe em uma das mais temidas da liga.

Com um trabalho que se destaca pela disciplina e com um esquema que desenvolve e, até mesmo, potencializa suas peças, o Head Coach dos Bills se destaca a cada ano. Inclusive, merece ser colocado na conversa como um dos melhores treinadores da NFL atualmente.

Diante disso, é possível concluir que mesmo com a chegada de Cam Newton a New England, Buffalo larga na frente e é o favorito ao título da AFC East em 2020. Se o favoritismo se confirmará é outra história. Mas, o torcedor dos Bills tem motivos para acreditar que o título voltará a New York depois de 25 anos.

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