Passados os períodos de Free Agency e Draft e faltando pouco menos de 100 dias para o Kickoff (se tudo ocorrer bem), já é possível fazer algumas previsões e projeções para a temporada de 2020 da NFL. Nesse sentido, falarei nesse artigo sobre qual time eu acredito que chega mais forte para a nova temporada (claro que ainda pode haver lesões e mudar essa previsão), trazendo argumentos e dados para defender a tese. Então, sem mais delongas, vamos à resposta da pergunta central.

Baltimore Ravens

Reprodução: Twitter @Ravens

O Ravens vem de uma temporada regular impressionante em 2019, com uma campanha de 14-2 (melhor record da liga). Porém, mesmo chegando badalado e cotado como talvez o grande favorito da AFC ao Super Bowl, ficou pelo caminho nos Playoffs diante do Tennessee Titans; com uma atuação bem abaixo do que vinha apresentando, em jogo que aconteceu em Baltimore. O time sofreu muito para parar a corrida naquela partida e viu deficiências na linha defensiva e corpo de Linebackers serem expostas.

Dessa forma, mesmo alcançando a melhor campanha da NFL na última temporada; ficou explícito que Baltimore precisava ainda de reforços pontuais, e o fez. Além de bons nomes trazidos via Free Agency, os Ravens fizeram, para muitos analistas, um dos melhores Drafts da NFL. Para não passar batido, vou destacar os principais movimentos da franquia nesses dois períodos:

Free Agency da equipe

Aqui, Baltimore conseguiu muito provavelmente a maior barganha desse período: trocou uma escolha de 5° rodada do Draft pelo EDGE, Calais Campbell. Por mais que já seja um jogador veterano, o Defensive End chega do Jacksonville Jaguars com o status de ainda um dos melhores apressadores de passe da liga. Campbell, que terá um contrato de 2 anos no valor de $25 milhões com os Ravens; reforçará muito bem a linha defensiva de Baltimore, subindo o nível do pass rush e trazendo apoio contra o jogo terrestre.

Além dessa troca, Baltimore fez outras movimentações interessantes, como a contratação do Inside Defensive Lineman no mercado de Free Agents, Derek Wolfe, ex-broncos; e também a aplicação da Franchise Tag no EDGE, Matt Judon, que teve 9.5 sacks na última temporada pela franquia da Maryland e que seria Free Agent em 2020.

Draft da equipe

No recrutamento, além de reforçar posições carentes, os Ravens conseguiram ótimos valores. Diante disso, na 1° rodada, Baltimore selecionou com a 28° escolha geral o bem cotado Linebacker da universidade de LSU, Patrick Queen; o qual, juntamente com a escolha de 3° rodada Malik Harrison, chega para reforçar o setor mais frágil da equipe na temporada passada. Ainda na defesa, a franquia draftou na 3° rodada o extremamente atlético jogador de linha defensiva da universidade de Texas A&M, Justin Madubuike.

Já no lado ofensivo da bola, Baltimore se preocupou em selecionar na 2° rodada um jogador que pode contribuir para que o jogo terrestre da equipe continue sendo um dos melhores da liga à longo prazo: JK Dobbins, Running Back vindo da Ohio State. Mesmo não sendo uma posição carente, os Ravens viram no jogador um ótimo valor que promete ser capaz de contribuir por muitos anos em um esquema muito focado no ataque terrestre e, também, que pode ser uma arma interessante no jogo aéreo.

Além disso, a franquia também trouxe para o ataque dois novos alvos para Lamar Jackson: Devin Duvernay, WR da universidade do Texas (slot receiver que teve uma excelente produção universitária); e James Proche, WR de SMU.

Por fim, pensando na proteção ao MVP da temporada de 2019, Baltimore selecionou na 3° rodada o Offensive Tackle da universidade de Mississipi State, Tyre Phillips; e na 4° rodada o, quem sabe, substituto do aposentado Marshall Yanda, Ben Bredeson, Guard vindo de Michigan.

Visto as movimentações da franquia nos períodos de Free Agency e Draft, hora de falar sobre o que a franquia leva de produtivo e como lição do último ano para a temporada de 2020.

Os Ravens de 2019

Reprodução: Twitter @Ravens

– O ataque:

Para uma equipe atingir a melhor campanha da NFL, é preciso que um conjunto de fatores esteja funcionando em completa harmonia, e foi exatamente o que aconteceu com Baltimore na última temporada. Começando com o treinador, John Harbaugh, o qual entendendo os pontos fortes do jogo de seu Quarterback, montou um esquema extremamente eficiente que tirava de seu jogador o que tinha de melhor.

Diante disso, Harbaugh, conhecendo a mobilidade absurda de Lamar Jackson e as ameaças que ele poderia trazer com as pernas, usou e abusou de chamadas de read option e run pass option durante a temporada. Assim, juntando isso com os excelente trabalhos de bloqueios não só da linha ofensiva; mas também dos Tight Ends Wide Receivers, e com bom trabalho dos Running Backs; o resultado foi o melhor ataque terrestre da liga e um time que controlava o relógio das partidas.

Falando do MVP de 2019, Lamar Jackson, seria repetitivo comentar sobre sua brilhante temporada correndo com a bola e como que suas corridas (desenhadas ou não) ou apenas as ameaças de fazê-las, destruíram diversas defesas durante o último ano. Entretanto, o que quero destacar aqui é uma coisa não muito comentada: Lamar está em constante evolução como passador.

Isso porque, desde que foi selecionado de Louisville por Baltimore em 2018, o QB dos Ravens mostra uma evolução em relação ao que apresentava no college como passador; tanto em sua mecânica de lançamentos e leitura de jogadas, quanto até mesmo em sua presença de pocket. Os seus números passando a bola na última temporada nos ajudam um pouco a entender essa evolução: 3127 jardas aéreas; 36 TDs; 6 INTs e 66% de passes completos.

– A defesa:

A defesa dos Ravens também foi acima da média em 2019. Contando com uma secundária que encaixou muito bem com as chegadas de Earl Thomas e Marcus Peters; a defesa aérea que já tinha em Marlon Humphrey e Chuck Clark, foi uma das melhores da NFL na última temporada.

O pass rush, além de ser ajudado pelo ótimo trabalho da secundária, contou com chamadas criativas de blitz e stunts para confundir os ataques adversários e gerar uma “manufatura” de sacks (quantidade de sacks bem distribuídas entre os jogadores de defesa); algo que Bill Belichik gosta de implementar em New England.

No entanto, como já foi citado anteriormente no texto, o ponto fraco da equipe e que acabou, de certa forma, sendo primordial para a derrota nos playoffs, foi a defesa contra o jogo terrestre; atrelada principalmente a baixa quantidade de talento no grupo de Linebackers.

Além de ceder 195 jardas terrestres para Derrick Henry na partida de pós-temporada; os Ravens cederam 165 jardas e 3 TDs terrestres para Nick Chubb na derrota em casa para os Browns (uma das únicas duas derrotas do time na última temporada regular).

Os Ravens entrando na temporada de 2020

Baltimore perdeu alguns jogadores importantes para a Free Agency: como o LB Patrick Onwuasor e o IDL Michael Pierce; os quais saíram após o fim de seus contratos. Porém, com certeza a perda mais sentida será a do aposentado IOL Marshall Yanda, não só pelo que ele representava para a equipe. Afinal, foram 13 anos defendendo a franquia, mas também pelo o que ele mostrava em campo. Yanda jogou em alto nível durante toda sua carreira em Maryland, e tem tudo para ser eleito NFL Hall of Famer.

Mas, como citado anteriormente, o Baltimore Ravens fez bons movimentos na Free Agency e teve uma das melhores classes do Draft 2020. Ou seja, supriu suas perdas (mesmo que no caso de Yanda o downgrade seja grande), reforçou suas carências e tornou setores que já eram talentosos ainda mais fortes.

Além disso, e talvez o mais importante, os Ravens mantiveram em grande parte a base do time que teve a melhor campanha da temporada passada. Ou seja, a esmagadora maioria dos jogadores considerados fundamentais para o elenco permaneceram para 2020; além claro, do treinador do ano em 2019, John Harbaugh e sua equipe técnica.

Por último, se as defesas da NFL encontrarem maneiras de minimizar o impacto de Lamar Jackson correndo com a bola (para-lo é impensável); o QB dos Ravens, caso siga com o seu processo de evolução, terá condições de se sustentar mais como um passador e, consequentemente, preservar sua durabilidade.

Portanto, por essas e por outras, coloco o Baltimore Ravens como o melhor time da NFL entrando na temporada de 2020. Claro que ainda está cedo para fazer previsões definitivas. Afinal, ainda nem começaram os training camps, que é quando aparecem lesões que podem mudar completamente as projeções de um time. Porém, analisando o que temos em mãos, é difícil não ficar empolgado com o que o Baltimore pode fazer à curto, médio e longo prazo.

Foto de destaque: Reprodução / Twitter @NFL

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