A pandemia do novo coronavírus está novamente fora de controle. Depois de alguns meses com o número de casos controlados, os Estados Unidos enfrentam uma nova onda do vírus que já matou mais de 250 mil americanos. E, como esperado, essa segunda onda começa a se refletir na NFL.

Na semana passada, houve 52 novos testes positivos dentro da liga, incluindo 17 jogadores. Além disso, as infecções ocasionaram momentos difíceis para a liga no último final de semana. Primeiramente, a NFL se viu obrigada a adiar o já adiado confronto entre Pittsburgh Steelers e Baltimore Ravens, inicialmente marcado para a quinta-feira do dia de Ação de Graças (26/11).

Depois, o Denver Broncos foi submetido a jogar a partida contra os Saints sem qualquer quarterback disponível, já que todos do elenco estiveram em contato com o terceiro reserva, Jeff Driskel, que testou positivo. Ainda assim, tem o caso do San Francisco 49ers, que não poderá jogar em seu estádio no último mês da temporada, pois o condado de Santa Clara proibiu todos os esportes de contato de realizar jogos e treinos pelo menos até 21 de dezembro.

Efetividade dos protocolos

Havia muitas dúvidas no início da temporada quanto à efetividade dos protocolos da NFL. A liga até conseguiu contornar a situação de maneira razoável quando teve de adiar alguns jogos nas primeiras semanas. Mas, passadas 12 semanas de temporada, o caos se instalou.

Diante disso, a única medida da NFL até o momento foi enviar um memorando para as 32 franquias reforçando os protocolos, além de multar os times e os funcionários que não os cumprissem. Só que a liga precisa entender que isso não basta para controlar uma pandemia.

Aliás, é impossível que uma liga esportiva controle uma pandemia, considerando que nem o próprio país conseguiu controlar. E, além disso, esse controle se torna ainda mais impossível quando a liga realiza uma temporada em condições normais, como se nada estivesse acontecendo.

Desde o início, a NFL parece subestimar o novo coronavírus. Nunca houve um plano verdadeiro para conter a COVID-19 nas franquias, não importa quantos testes diários sejam feitos. Até porque, se a NFL tivesse levado a situação a sério desde o começo, não teria permitido que alguns times levassem torcedores aos estádios, mesmo com limite de presença. É impossível estar 100% protegido do vírus, mas é possível adotar medidas para minimizar as chances de contágio. E levar torcedores parece provocar um efeito contrário.

Ainda há tempo

Ainda dá tempo da NFL corrigir os erros que cometeu. Isso porque, offseason tem sete meses de duração, então, qual seria o problema de ocupar um ou dois meses desse período para fazer o encerramento da atual temporada? A liga realmente prefere que outras equipes passem pelo o que os Broncos passaram ao invés de estender a temporada por mais algumas semanas?

A NFL precisa admitir que a temporada pode ter o seu encerramento depois da data prevista (7 de fevereiro). Precisa garantir que cada equipe tenha um plano verdadeiro e justo no caso de outras cidades e condados decidirem proibir esportes de contato por um tempo. Precisa garantir boas estratégias paras as equipes que tiverem surtos coletivos de COVID-19. Essas garantias nunca existiram. O que a liga tem feito até agora é uma tentativa absolutamente falha de contornar a situação.

Marketing nota mil, questão humanitária nota zero

A NFL é uma das melhores ligas do mundo no que diz respeito ao marketing. Realiza espetáculos como poucos, tanto que o Super Bowl é um dos eventos esportivos mais assistidos do mundo. Não só pelo jogo em si, mas por toda atmosfera que o envolve, como o show do intervalo, os comerciais, a cerimônia de abertura, entre outros. Para vender o seu produto e obter lucros, a liga é nota mil.

Mas, percebe-se que ela não sabe lidar com questões humanitárias. Nós vimos isso nos protestos de Colin Kaepernick, na ausência de técnicos negros ao longo dos anos e presenciamos temporada após temporada os casos de violência doméstica por parte dos jogadores.

A liga não sabe lidar com essas situações, por mais que tente. Em 2003, implementou a Rooney Rule, na tentativa de trazer mais diversidade às comissões técnicas. Mas nenhum efeito foi sentido em 17 anos. Várias medidas de combate à violência doméstica já foram criadas, mas também com pouca efetividade. Com a pandemia do novo coronavírus, infelizmente, não tem sido diferente.

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