Olá, tudo bom? Meu nome é Pedro Fava (@oriolesbrasil) e junto com Vitor Silva (@BirdlandBR) escreveremos sobre possíveis cenários na primeira escolha do draft da MLB de 2022. Embora destinado ao público torcedor do Orioles, creio que o fã de beisebol pode usufruir desse texto.

Antes de começar a discutir prospectos, creio que seja importante definir conceitos e termos específicos que serão abordados, bem como a situação atual do Orioles. Assim, será possível compreender a motivação por trás de uma eventual escolha.

Para melhor compreensão do texto, definiremos certos termos e terminologias adotadas pelos scouts e por diversos analistas de beisebol.

  • Prospecto (Prospect): jogador que está sendo cotado para o draft ou jogador que já foi draftado e atua na farm system. A compreensão depende do contexto que for utilizado;
  • Farm (Farm System/Minors): é o termo utilizado para descrever os diversos times, em ligas inferiores a Major League, afiliados a uma franquia. Eles são separados por níveis e têm como função desenvolver jogadores que não estão prontos para as grandes ligas;
  • Draft Pool: é o valor total que um time tem para gastar em suas escolhas do draft;
  • Slot Value: cada escolha possui um valor determinado, no caso da primeira escolha geral, são $8.842.200;
  • Underslot: ocasião em que a equipe assina com a sua escolha por um valor menor que o slot value. Geralmente, isso ocorre quando a equipe tem muita confiança que o jogador irá assinar seu contrato de rookie;
  • Overslot: ocasião em que a equipe assina com a sua escolha por um valor maior que o slot value. Geralmente, isso ocorre quando a equipe não tem muita confiança que o jogador irá assinar seu contrato de rookie;
  • 20-80 grade: é uma métrica muito utilizada por scouts para avaliar o talento de um prospecto. Exemplos:
    • 20 -> entre os piores da liga. Como, por exemplo, a velocidade de Albert Pujols;
    • 30 -> Como o power (força) de Yonathan Daza;
    • 40 -> abaixo da média. Tal qual a defesa de Eloy Jimenez;
    • 50 -> na média. Como a velocidade de Alec Bohm;
    • 60 -> Como, por exemplo, a fastball (bola rápida) de Frankie Montas;
    • 70 -> plus-plus. Tal qual a defesa de Lindor;
    • 80 -> melhor dos melhores. Alguns scouts consideram que somente um jogador tenha a nota 80 em um atributo. Como, por exemplo, a fastball de Aroldis Chapman e a defesa do Nolan Arenado.

Cenário

Após uma campanha medíocre em 2021, o Baltimore Orioles foi coroado com a primeira escolha geral no draft. Essa é apenas a terceira vez na história da franquia que o time possui tal escolha. Em 1989, a franquia selecionou o pitcher Ben McDonald (atual comentarista nas transmissões do Orioles) e em 2019 selecionou Adley Rutschman. Este recentemente estreou na equipe principal.

Embora longe de competir, o futuro do Orioles é promissor e estamos cada dia mais perto de ver a franquia no topo novamente. Além de Adley Rutschman (melhor prospecto no esporte), temos também Grayson Rodriguez (melhor prospecto arremessador) e diversos outros prospectos promissores, como: Heston Kjerstad, Gunnar Henderson, Colton Cowser, DL Hall, entre outros.

Logo, vemos essa primeira escolha de 2022 como uma cereja no bolo, coroando um trabalho de reconstrução bem feito e uma farm estocada de talentos. Assim, não há caminhos certos para o Orioles seguir. Com diversos prospectos bons em várias posições, o time possui um leque de opções para a primeira escolha geral. Assim, aproveitamos para abordar os prospectos (em ordem alfabética) dos mais cotados para a primeira escolha:

Brooks Lee

Cal Poly Baseball’s Brooks Lee (22) against Harvard in the final game of a four-game series at Baggett Stadium on Sunday, March 13, 2022. (MANDATORY CREDIT: Kyle Calzia / Cal Poly Athletics)

Altura: 1,88m

Peso: 92kg

Idade: 21

Posição: SS

Rebate: S (switch)

Arremessa: R (direita)

Notas no sistema 20-80:

  • Hit: 65
  • Power: 55
  • Run: 50
  • Arm: 55
  • Field: 50
  • Overall: 60 

O primeiro (e único) citado entre os prováveis vindo da NCAA, ambiente esse onde os front offices mais analíticos gostam de dar mais atenção devido a ter mais dados para poder colocar na balança antes de uma decisão. Nos três drafts na gestão Elias, todas as primeiras escolhas vieram do beisebol universitário.

Lee optou por defender a universidade onde seu pai é o manager, a Cal Poly Mustangs. Foi eleito o melhor jogador da Big West com aproveitamento acima de 34% no bastão em 2021 e melhorou os números em 2022 sendo o seu melhor em produção ofensiva.

Bastante sólido e com as ferramentas bem apuradas, é visto como jogador para se firmar como shortstop a médio/longo prazo, sendo o pior cenário a mudança para a terceira base. É jogador para subir rápido nas minors, e o seu ponto ruim é não ter um teto alto que desperte um maior interesse numa classe recheada de high schoolers.

Porque o Orioles escolheria esse jogador?

O único motivo para a alta cúpula puxar o gatilho com ele é que eles não acreditam nos futuros jogadores vindos do ensino médio e o shortstop ter um algo a mais que só os scouts de Baltimore viram. E mais, Lee viria para uma posição que na própria farm já está recheada de nomes promissores como Gunnar Henderson, Jordan Westburg, Joey Ortiz, Coby Mayo e Darell Hernaiz. O que estocaria bastante valor numa única posição.

Druw Jones

Altura: 1,82m

Peso: 82kg

Idade: 18

Posição: OF

Rebate: R (direita)

Arremessa: R (direita)

Notas no sistema 20-80:

  • Hit: 55
  • Power: 60
  • Run: 70
  • Arm: 65
  • Field: 70
  • Overall: 65 

Se destacou vindo de Wesleyan, do high school da Geórgia. Filho do ótimo Andruw Jones, Druw chamou a atenção não só levando os prêmios de melhor jogador do Estado em 2022 como se auto-indicou para a primeira escolha divulgando os seus próprios números na temporada.

Comprometido com Vanderbilt, fez desse ano sua afirmação. Refinado, mais seletivo na hora de rebater, boa luva… Todos os aspectos que fizeram dele o melhor prospecto dessa classe com um potencial para ser um five-tool player.

Porém, ele não é tido como um “no-brainer” ou “slam dunk” como costumam dizer os americanos. Ainda falta um ‘algo a mais’ que pode fazer com que a cúpula fique com o pé atrás. Não só devido aos valores (o único que deve pedir para assinar no valor do slot) como vir de uma escola onde os dados são bem restritos.

Porque o Orioles escolheria esse jogador?

Primeira escolha = melhor talento disponível. Independente do quanto ele peça para assinar, Elias e cia veem nele um talento geracional visando o longo prazo. Se não como OF, pode atuar como shortstop devido a suas ferramentas bastante apuradas. Vale lembrar que nem tudo significa underslot para o FO, senão Adley Rutschman não seria a pick #1.

Elijah Green

Altura: 1,83m

Peso: 102kg

Idade: 18

Posição: OF

Rebate: R (direita)

Arremessa: R (direita)

Notas no sistema 20-80:

  • Hit: 50
  • Power: 60
  • Run: 70
  • Arm: 60
  • Field: 60
  • Overall: 60 

Não fosse o surgimento de Jones, estaríamos falando do principal nome da classe. Green era visto como o #1 do draft durante a temporada de 2021 enquanto o Orioles caminhava para mais uma triste campanha. Ele caiu um pouco, mas não está descartado na lista da alta cúpula.

Filho do ex-tight end Eric Green (que jogou no Baltimore Ravens), ele possui o melhor atleticismo da classe. Isso é um ponto, pois não é algo que se ensina, e sim se lapida para se formar um jogador refinado no próximo nível. As ferramentas ele possui para isso.

Porém, o que se vê nos Estados Unidos entre os analistas é semelhante ao caso ‘Marcelo Mayer’, com uma queda repentina no seu valor. Sendo visto entre as escolhas #3 até #7, por exemplo. Será que a desconfiança é justa, mesmo com uma classe sem nomes fortes vindos do college?

Porque o Orioles escolheria esse jogador?

Eles podem enxergar nele um potencial five-tool player e acreditam que, se bem moldado, vai ser o OF do futuro para fazer companhia para Mullins, Hays, Stowers e Cowser. Com atributos que não podem ser ensinados, o caminho pode ser facilitado para aproveitar o que o jogador tem a desenvolver.

Jackson Holliday

Altura: 1,83m

Peso: 79kg

Idade: 18

Posição: SS

Rebate: L (esquerda)

Arremessa: R (direita)

Notas no sistema 20-80:

  • Hit: 60
  • Power: 55
  • Run: 60
  • Arm: 55
  • Field: 55
  • Overall: 60 

Mais um filho de ex-jogador, agora de Matt Holliday. Jackson é o grande emergente do draft, onde seu valor foi ganhando força a cada atualização da lista da MLB Pipeline e dos relatórios dos scouts. Chega para a seletiva como uma escolha top-5.

Jogador com ferramentas que lembram muito o seu pai. Rebatedor consistente, que começou a chamar a atenção demonstrando que pode colocar força na basebola para mandar fora do estádio. Melhor jogador do colegial do Estado de Oklahoma, vem de quebra de recorde que pertencia a JT Realmuto em rebatidas (89) enquanto atingiu perto de 70% de aproveitamento.

O que pesa contra seria o físico, onde ainda precisaria ganhar massa. Aprimorando tudo e dado ao que já mostrou, principalmente sua inteligência para o jogo, pode surpreender e sair como #1. Dos cotados, é o que teria a menor pedida no valor do slot.

Porque o Orioles escolheria esse jogador?

Viram algo que ninguém viu e acreditam que ele pode ser moldado a longo prazo enquanto os nomes citados acima da mesma posição estarão na MLB ou sendo negociado por jogadores tarimbados na MLB. A flexibilidade também pesaria, já que o Orioles terá 22 escolhas e pode usar de todo o seu bonus pool para conquistar outros talentos e assinar com todos que selecionar dessa classe.

Termarr Johnson

Altura: 1,77m

Peso: 80kg

Idade: 18

Posição: 2B/SS

Rebate: L (esquerda)

Arremessa: R (direita)

Notas no sistema 20-80:

  • Hit: 70
  • Power: 60
  • Run: 50
  • Arm: 50
  • Field: 55
  • Overall: 60

Natural de Atlanta (GA), o segunda base é considerado um dos melhores rebatedores disponíveis nesse draft. Apesar de seu frame pequeno, muitos scouts estão convencidos que ele tem o que é necessário para obter sucesso na Major League.

Em seu melhor ano na Mays High School, Termarr teve números impressionantes. Uma slashline de .400/.558/.981 com 1.540 de OPS e um BB/K ratio de de 20:3. Fica claro, que Termarr estava muito acima de sua competição.

O seu melhor atributo, sem dúvidas, é a capacidade de rebater. Alguns scouts até coloca-a como 80. Isso significa que ele é um rebatedor capaz de espalhar a bola pelo campo sem maiores dificuldades. Além disso, ele mostrou ser um rebatedor extremamente paciente no High School e sua grade 60 de power o coloca como um possível jogador de 180+ hits e 25-30 HRs em uma temporada.

Contudo, nem tudo são flores. O maior ponto negativo dele é sua defesa limitada. Muitos scouts duvidam que ele terá valor, defensivamente, nas ligas maiores. Além disso, por ser um jogador vindo do High School, com comprometimento com Arizona State, talvez seja difícil convencê-lo a assinar seu contrato de calouro, o que certamente obrigaria o time a fazer um overslot.

Porque o Orioles escolheria esse jogador?

Em suas últimas escolhas na primeira rodada, Mike Elias escolheu jogadores vindos do college. Além disso, optou por seguir o caminho do underslot em duas, das últimas três escolhas. Logo, evidencia-se que a escolha de um jogador de HS que exigirá um overslot é improvável, certo?

Errado! Essa classe de draft conta um talento anormal de jogadores vindos do HS, além disso, creio que o perfil do Termarr Johnson agrada bastante a cúpula do Orioles. Um jogador muito similar a escolha #41 de 2021, Connor Norby, ambos possuem swings fluídos, rápidos e com capacidade de colocar a bola em qualquer lugar do campo, a diferença é que Termarr Johnson faz isso com uma qualidade sobrenatural. Resta saber, se esse talento na hora de rebater compensa a defesa mediana e o valor alto requisitado. Pessoalmente, creio que Termarr seja uma escolha muito provável pro Orioles. Para mim, o Termarr Johnson se assemelha muito com o Robinson Canó.

E para você, torcedor: quem o Orioles deveria selecionar na primeira escolha do draft 2022?

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