Passando o Draft da NFL em 2020, os Chiefs acabaram fazendo mais escolhas do que era o esperado, tendo seis jogadores novos vindo do recrutamento ao invés de cinco. Algumas escolhas acabaram sendo questionadas, mas, no geral, a análise dos especialistas em Draft acabou sendo boa para a equipe de Kansas City.

Os atuais campeões supriram necessidades, mas também melhoraram o que já era bom, com a adição de Clyde Edwards-Helaire como o novo running back. Aqui, vocês verão uma análise completa dos jogadores feita por Mattheus Prudente, dando notas (de 0 a 10) para as escolhas de acordo com o seu valor e sua importância para o sistema da equipe.

Veja a análise feita por Mattheus:

1ª rodada – Pick #32: Clyde Edwards-Helaire (RB, LSU)

E aqui vamos nós para a primeira escolha polêmica da noite. Os Chiefs escolheram Clyde Edwards-Helaire para ser seu running back titular, e aqueles que acham que não se deve gastar escolhas altas com RB acabaram não gostando da ideia. Eu acho o contrário: Edwards-Helaire é um cara que tem tudo para ser o melhor amigo de Patrick Mahomes dentro do campo.

Todos falam de valor da escolha, mas esse valor não deve ser apenas determinado pelo jeito que o jogador chega no Draft, mas, também, pelo seu encaixe na equipe. Nesse Draft, não existe nenhum running back que se encaixasse melhor no sistema de Andy Reid do que Edwards-Helaire, então a escolha na primeira rodada é correta, pois vai ser ainda mais importante para o dinamismo do ataque e pela chance de desafogar Mahomes, principalmente em situações de primeiras descidas e read option.

Edwards-Helaire é um exímio recebedor e um excelente bloqueador, o que pode, além de dar mais opções para Mahomes, ajudá-lo com a pressão pelo interior da linha, que acabou se tornando a melhor forma de limitar o QB. Não há nenhum problema em buscar um running back para sua equipe se você acha que o encaixe no time é bom, e eu não consigo acreditar que ainda existem pessoas que acham que Reid não sabe o que está fazendo.

Nota: 8,5

(Foto: Site LSU Tigers)

2ª rodada – Pick #63: Willie Gay Jr. (LB, Mississipi State)

A escolha de Willie Gay Jr. é importantíssima para uma das maiores falhas dos Chiefs na temporada passada: marcação no meio do campo. O atlético linebacker de Mississipi State é um exímio linebacker moderno, sendo rápido, atlético e pronto para jogar na Liga imediatamente, mas ele vem com um pacote de problemas a serem resolvidos.

O principal deles, talvez, seja fora do campo. Ele viveu uma polêmica na universidade ao brigar com o quarterback Garrett Shrader, agredindo o jogador e o fazendo perder o Music City Bowl na temporada passada. Além disso, ele acabou perdendo oito partidas por violar as regras da equipe. Gay também tem um problema em leitura de jogadas, onde ele, apesar de ser um jogador bem instintivo, acaba sendo lento para identificar as ações do time adversário.

Mesmo assim, ele ainda é um dos melhores linebackers reativos desse Draft, ou seja, ele consegue buscar as jogadas antes que elas se percam, muito por conta de sua velocidade e habilidade de dar tackles. Com um bom staff defensivo, seu maior defeito em campo não deve ser um problema muito grande, e os Chiefs finalmente vão ter um linebacker patrulheiro que não seja Anthony Hitchens

Nota: 8

(Foto: Site Mississipi State University)

3ª rodada – Pick #96: Lucas Niang (OT, LCU)

Essa é a minha escolha favorita desse Draft. Lucas Niang é outro jogador que Mahomes irá amar, e esse por um motivo bem óbvio: ele tem um imenso potencial para deixar o quarterback dos Chiefs tranquilo no pocket. Niang é uma escolha acertada tanto para agora quanto para o futuro.

Niang teve uma marca impressionante de nenhum sack sofrido em seu lado em seus dois anos no College em TCU, e, segundo o mesmo, ele pode jogar em mais de uma posição da linha, e, por isso, espera-se que ele comece 2020 como um dos guards dos Chiefs, podendo assumir a posição de titular do time com facilidade.

Além disso, ele é uma escolha importante para o futuro, ainda mais com a nova política da equipe de corte de gastos para a renovação de jogadores importantes, como o próprio Mahomes. Na temporada que vem, a equipe pode pensar em dispensar o left tackle Eric Fisher, dono de um dos maiores contratos da equipe e conseguir liberar cap para a renovação do quarterback, aumentando a qualidade, mas com um jogador ainda mais barato.

Nota: 9

(Foto: Texas Christian University)

4ª rodada – Pick #138: L’Jarius Sneed (CB, LA Tech)

Os Chiefs supriram sua necessidade de cornerbacks conseguindo um dos jogadores mais rápidos do Combine desse ano. L’Jarius Sneed é um dos jogadores de secundária mais agressivos dessa classe. Um exímio tackleador, apesar de ter problemas para encerrar as jogadas, consegue fazer uma ilha com o wide receiver e ganhar dele tanto na velocidade quanto no jogo físico.

É um jogador completo, mas cai muito por não ter um bom primeiro passo, ou seja, deixa os wide receivers ganharem vantagem com facilidade. Mesmo assim, consegue ser muito bom no poder de reação, usando sua velocidade para evitar que os adversários façam as recepções ou ganhem muitas jardas após ela.

No final, suas forças e suas fraquezas acabam sendo as mesmas, mas Sneed é um jogador pronto para jogar na Liga, principalmente como um press cornerback. Com a suspensão de Bashaud Breeland por quatro partidas, vai ser interessante ver como ele vai ser utilizado, talvez como titular no outside.

Nota: 8

(Foto: LA Tech University)

5ª rodada – Pick #177: Mike Danna (DE, Michigan)

Essa foi a única escolha que eu não gostei. Na quinta rodada, não se espera um talento muito grande, mas sim um jogador que possa vir do banco e impactar uma equipe, e os Chiefs precisam muito de depth na posição de EDGE, mas Mike Danna não é o jogador certo para isso, apesar de ter sido pedido de Brandon Daly.

Danna é um jogador pequeno para a sua posição, e, como não teve snaps de linebacker no College, com certeza vai ser muito difícil mudá-lo de posição. Apesar de seu tamanho ser menor do que o normal, ele não é como Zach Baun que talvez consiga levar vantagem na agilidade, pois não é tão veloz.

A parte boa de seu jogo é contra o jogo terrestre, pois, jogando no 4-3 tradicional de Steve Spagnuolo, ele consegue ser muito bom parando a corrida, e, por isso, parece ter sido um pedido de Daly. No final, eu acho que não vai ser um jogador que vai dar certo na Liga, mas, para uma pick “desperdiçada”, que pelo menos seja uma de rodada baixa.

Nota: 3

7ª rodada – Pick #237: BoPete Keyes (CB, Tulane)

Vindo da universidade de Cairo Santos, BoPete Keyes foi uma escolha de oportunidade dos Chiefs, que trocaram para ter uma escolha a mais e pegar o cornerback. Seu talento era para ser um jogador de quinta rodada, e ele não teve números impressionantes no Combine. No final, foi apenas uma pick para não ter que competir para assinar como undrafted free agent.

É improvável que ele seja titular nos Chiefs, mas, ainda assim, ele consegue ser um jogador rápido que pode dar certo vindo do banco, ou até como cornerback de nickel, o que as pessoas deixam como uma posição aberta na equipe, apesar de Rashad Fenton ser o principal candidato a assumir.

Nada de impressionante para falar de Keyes. Apenas que ele é um cara rápido com boas mãos, então não é uma escolha ruim para fechar o Draft.

Nota: 7

 

Texto por: Mattheus Prudente

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