Os dez principais acertos do San Diego Padres na temporada regular

Quanto tempo, né pessoal? Tinha a pretensão inicial de escrever sobre todas as séries do San Diego Padres nesta temporada da MLB. Consegui certo sucesso até o All Star Game, mas depois a vida tratou de encher minha agenda com outras prioridades e os textos foram ficando para trás. Sempre tive a intenção de voltar a escrever e nada melhor do que este momento, quando retornamos aos playoffs depois de um longo tempo.

Então, confira na sequência a minha avaliação sobre os dez principais acertos do San Diego Padres na temporada regular. Aproveite e faça o seu contraponto nos comentários ou em nossa igrejinha no Whatsapp. Boa leitura!

1) O Padre cansou de ser bonzinho
Já tem algum tempo que os Padres vêm avisando que cansaram de ser um time bonzinho e querem virar uma equipe ‘marvada’. E isso ficou claro na última janela de trocas, quando nosso presidente – Peter Seidler, o tiozão gente fina – destrancou o cofre para trazer de uma vez só Soto, Bell, Hader e Drury. Também liberou polemicamente o líder Hosmer (amado e odiado na mesma proporção) e o explosivo Luke Voit (o Sr. Tetas), dois atletas que vinham rendendo bem naquele momento da temporada.

2) O fim da ‘Tatisdependência’
Apesar de ainda não ter completado uma temporada na MLB, quando em campo Fernando Tatis Jr chama para si os holofotes. E também causa uma certa acomodação nos atletas, que tem nele uma espécie de anjo da guarda. Mas nesta temporada não havia o interbases para tirar o time das enrascadas e foi preciso encontrar soluções. Aos trancos e barrancos, elas vieram. Inicialmente com as opções que tínhamos em casa e mais tarde com a chegada de reforços. Talvez, este foi o grande ganho a longo prazo. Tatis virou a cereja e não mais o bolo.

 

3) A consolidação de Machado como líder
Se nas temporadas anteriores o vestiário tinha várias lideranças, desta vez não. Hosmer foi trocado, Tatis suspenso e Machado passou a ser o único dono da bolinha, das luvas e dos tacos. Liderou pelo exemplo e liderou com naturalidade. Em campo, fez valer os milhões do seu contrato. Fora dele, deu aval para contratações, dispensas e manteve o grupo unido. Um líder nato.

4) A confiança inabalável nos abridores
Não teve um abridor dos Padres que passou incólume pela temporada. Todos tiveram seus altos e baixos, variando o tempo em que a gangorra ficou no chão. Foi o caso de Snell, que muitos queriam a troca no decorrer da temporada. Mas Melvin e Niebla tinham um plano e, por mais enrascada que tivesse a situação, deixaram os próprios arremessadores encontrarem suas soluções durante os jogos. Foram criticados? Certamente. Perdemos jogos? Com certeza. Mas ao final da temporada regular, todos os abridores estão no ápice da performance. Ponto para Melvin e Niebla.

5) A força da fiel torcida
Durante muito tempo existia uma piada na MLB de que se alguém desejava se esconder, para não ser encontrado, era só ir num jogo do Padres ou do Marlins. Ninguém ia, ninguém ligava. Mas isso mudou com a saída dos Chargers para Los Angeles, concomitante com o sonho de grandeza dos Padres. A comunidade mostrou sua fidelidade à única equipe que foi fiel a San Diego e abraçou o escrete café e ouro de forma nunca antes vista. Foi o décimo jogador em campo. E isso durante toda a temporada regular.

6) Senta lá, Dodgers
Se nas duas últimas temporadas o San Diego Padres fez das tripas coração para vencer aquela equipe de azul mais ao Norte, com jogos históricos e entradas extras de perder a conta, desta vez só faltou fazer o pitofió (num bom paranaês). Deixamos eles nos varrerem, massacrarem, trucidarem e por aí vai. E porquê? Para não gastar energia desnecessária na hora errada. Apenas no fim da temporada regular, quando a vitória era necessária, fomos para cima deles. De resto, foi um ‘senta lá, Cláudia’ e nos encontramos nos playoffs.

7) A pontualidade dos reforços
Mais do que nomes, os Padres foram atrás de posições na janela de trocas. Mas não só isso, com exceção do campista externo Soto, todos os demais chegados são polivalentes. Bell joga na primeira base e no campo interno. Drury também faz a primeira base e é um braço forte no campo externo. Desta forma, Bob Melvin ganhou opções para montar seu quebra-cabeças durante a extenuante temporada regular. Também conseguiu testar variações e descansar atletas, deixando o time menos limitado. Ah, e veio também o Hader, tido por muitos como o melhor fechador da MLB. Substituiu ao esforçado Taylor Rogers, que vinha atuando improvisado na função.

8) Empilhando as séries corretas
No Padres Cast, sempre batemos na tecla de que ganhar séries é mais importante do que ganhar jogos. Tommy Lasorda já dizia que “não importa o quão bom você seja, você perderá um terço dos jogos, e não importa o quão ruim você seja, você ganhará um terço. É o terço restante que faz a diferença”. E foi neste terço que os Padres oraram (perdão pelo trocadilho), vencendo os duelos-chave e abrindo frente na corrida pela vaga na pós-temporada.

9) A consolidação do campo interno
Cada torcedor vai puxar a sardinha para o seu lado, mas verdade seja dita, com a espinha dorsal de Cronenworth, Kim e Machado, os Padres possuem um dos campos internos mais entrosados de toda liga, além da qualidade técnica incontestável dos jogadores. Cronen teve seus altos e baixos, mas chega ao fim da temporada por cima e com sua Cronenzone quase intransponível. Kim, rápido e mortal, chegou ao ponto de ser cobiçado pelos Yankees e também está jogando muito. Já Machado, o nosso Ministro da Defesa, bom, esse dispensa qualquer tipo de comentário.

10) A paciência no tratamento das lesões
Com exceção do ‘Tatis Gate’, os Padres souberam conduzir bem o tratamento e a recuperação dos atletas nesta temporada. Foi o caso de Will Myers, que teve o tempo que precisou para voltar à sua melhor forma e entregar o beisebol que conhecemos. Por outro lado, atletas que não aceitaram passar por cirurgia foram alijados do elenco, como ocorreu com o arremessador Dinelson Lamet. Neste ponto pesou a experiência e a voz forte de Bob Melvin, ao contrário do que ocorreu na temporada passada.

E por falar em Bob Melvin, existe um 11º ponto a ser elencado, porém de forma separada. Bastante contestado em alguns momentos da temporada regular, principalmente nesta reta final, Melvin mostrou que sua contratação valeu cada centavo de dólar. A experiência e a tranquilidade que ele trouxe aos Padres inexistia no ano passado, principalmente pelo fato do antigo comandante se apegar na fé e não ao seu conhecimento profundo sobre o jogo. Com certeza vamos discordar mais vezes de Melvin até o fim deste ano, porém amamos fazer isso. Nos mostra que o beisebol é um jogo muito mais complexo do que imaginamos e é preciso estar sempre analisando mais a fundo cada movimento, para entender seus objetivos. Tal qual no xadrez, os movimentos de Melvin são mais complexos do que se imagina.

Autor: Henrique Porto

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