Sejam todos muitos bem-vindos ao novo ano da NFL, jogadores trocando de time e um março maluco na corrida por free agents mesmo com a pandemia do Coronavírus. Muitos torcedores não esperavam uma offseason tão movimentada para o Indianapolis Colts de Chris Ballard, nada muito além dos jogadores mais especulados. Com um dos maiores valores disponíveis no cap space vemos a primeira free agency movimentada de Ballard como GM do time azul e branco.

O jogador que apresentaremos aqui chegou por meio de uma troca, provavelmente o movimento mais ousado de Chris Ballard no comando dos Colts após entrar em seu quarto ano como GM. Qual jogador chegaria para os Colts na 13ª escolha geral do Draft? Ouvíamos especulações de Jordan Love, um wide receiver, um jogador para linha defensiva e até linha ofensiva foi especulado. Mas no fim das contas, nenhum jogador será escolhido pelos Colts graças a troca por DeForest Buckner, que chegou para suprir uma das maiores necessidades do time: a linha defensiva.

HIGH SCHOOL

DeForest Buckner, filho de pai afroamericano e mãe samoana, nasceu no condado de Honolulu, no Hawaii, onde fez seu high school. Na Punahou High School, jogou tanto basquete quando futebol americano. Em seus anos no colegial jogou como strongside defensive end, chamando a atenção de algumas universidades grandes, especialmente da costa oeste dos Estados Unidos. À época, foi companheiro de Ka’imi Fairbairn, hoje kicker dos Texans.

Buckner em campo por Punahou School

Kale Ane, o técnico de futebol da Punahou School, comentou a chegada de DeForest na escola: “não me importava com o esporte que ele estava jogando, eu sabia que ele iria jogar futebol. Então, estava muito feliz com a chegada dele”. Tendo experiência de sete anos na NFL, como center do Kansas City Chiefs, Ane incentivou Buckner a se desafiar e estabelecer metas para seu desenvolvimento desde cedo, visando o seu futuro como jogador profissional. O prório jogador cita a importância de Kale Ane na sua carreira: “ele realmente abriu o caminho do jogo pra mim, mas também sobre a vida. Eu estava pensando pequeno e eu o agradeço por isso todos os dias”.

Os sites especializados em scout de jogadores do high school avaliavam Buckner como um prospecto quatro estrelas (rivals.com e 247sports). Para os avaliadores, era o segundo melhor jogador da posição no Hawaii e variava entre 17º e 25º melhor da posição no país. Ao fim do tempo no colegial, foi nomeado first-team All-State como defensive end em seu ano de senior. Recebeu propostas de universidades como Oregon, California, Ucla e Washington, além de ter despertado interesse de Notre Dame. Escolheu jogar pelos Oregon Ducks, destino comum de jogadores que tem origem no Hawaii. Foi recrutado por Jerry Azzinaro e se comprometeu com a universidade ainda no início de janeiro de 2012.

COLLEGE: OREGON

Em seu primeiro ano jogando pelos Ducks, apesar de ser titular em apenas dois de 13 jogos, foi o terceiro jogador em tackles dentro os defensores de linha. Também participou do Fiesta Bowl, onde teve um bom desempenho apesar de não ser titular absoluto do time. Em seu ano de calouro teve 29 tackles, 2.5 tackles para perda de jarda e 1 sack. Como esperado, evoluiu ao longo do tempo e no segundo ano pelos Ducks já obteve números mais expressivos, aumentando consideravelmente sua produção pressionando o QB adversário: 2.5 sacks em 13 jogos, sendo oito como titular.

Em campo pelos Ducks

Em 2014 seu brilho aumentou, sendo selecionado para o second-team da Pac-12 após liderar o time com 13 tackles para perda de jardas. Na temporada contabilizou 81 tackles, um dos melhores do time e aumentou ainda mais a sua presença no backfield adversário. Em três dos jogos conseguiu dois ou mais tackles para perda de jardas, sendo uma das ocasiões o Pac-12 Championship Game. Também registrou ao menos um tackle em cada um dos jogos pelos Ducks, mesmo com titularidade em oito jogos. Com a performance, foi eleito o melhor jogador de linha defensiva de Oregon, recebendo o Joe Schffeld Trophy. As performances o credenciaram a ser considerado, ainda no ano de junior, como um prospecto que poderia ser draftado no primeiro round, entretanto o jogador escolheu permanecer em Oregon para seu último ano de College.

Em seu último ano pelos Ducks confirmou ser o grande prospecto, sendo considerado o Most Outstanding Player do time defensivo de sua universidade. A honra veio graças à sua eleição para melhor jogador defensivo da Pac-12, sendo apenas o segundo Duck a ganhar o prêmio desde 1983. Eleito first-team All-America pela USA Today e second-team pela Associated Press e FWAA, além de menções entre os candidatos a melhor defensor do ano a nível nacional. Ao final de seus quatro anos em Oregon, Buckner registrou 232 tackles, sendo 109 solo, mais 36 para perda de jardas, 18 sacks e 10 passes desviados.

O DRAFT

Entrando no Draft, DeForest apresentava uma combinação amedrontadora de tamanho, potência, inteligência, velocidade e atleticismo. Possuia todas as medidas necessárias no Combine para ser um protótipo perfeito de defensive tackle, logo, atleticismo jamais seria um problema a nível profissional. Era um prospecto que tinha destaque por sua explosão na linha de scrimmage utilizando suas valências físicas e técnicas para permanecer na briga com os jogadores do ataque continuamente. Ainda possuía boa velocidade lateral e controle do seu corpo para manter-se sempre ativo nas jogadas. Já possuía capacidade para enfrentar bem situações de dupla marcação e ajudando sempre os linebackers do seu time a ter uma avenida limpa para chegar ao adversário. Seu único “problema” era não ter a velocidade suficiente para jogar também pelos flancos da linha defensiva como um jogador de elite.

Buckner durante o NFL Combine

Algumas comparações incluiam Calais Campbell, à época no Arizona Cardinals, e Arik Armstead (que foi seu companheiro em Oregon e viria a ser também em San Francisco). Para os analistas, Buckner tinha potencial para ser um Pro Bowler e até mesmo ter temporadas produtivas como All-Pro. Era considerado um jogador apto para chegar a um time e contribuir. Muitos apontavam seus ótimos números tackleando ao sair do College dada a posição que jogava e também sua inteligência em campo. Para alguns, era um prospecto de primeiro round enquanto outros o consideravam não apenas isso, mas um dos melhores jogadores do Draft de 2016. Jogador que para muitos poderia facilmente se adequar a qualquer base defensiva (3-4 ou 4-3) e contribuir tanto como run stuffer quanto como um pass rusher pelo interior da linha. No Draft, o San Francisco 49ers o escolheu na 7ª escolha geral.

CARREIRA NA NFL

Buckner chegou como uma adição a um setor necessitado do San Francisco 49ers, com jogadores que já tinham problemas com idade ou lesões. Pelo time da costa Oeste reencontrou o antigo companheiro Arik Armstead, e já era avaliado como um jogador melhor que o companheiro quando comparando ambos chegando a NFL. Com Chip Kelly no comando do time, era natural a confiança em escolher Buckner, com quem já havia trabalhado em Oregon, ainda que o treinador insista que o trabalho prévio não influenciou na escolha.

Chip Kelly: “Ele estaria no topo da board (do 49ers) mesmo que eu não estivesse aqui. Não importa quem estaria aqui, qualquer time da NFL diria que Buckner é uma escolha Top 10 do Draft”. Ainda elogiou as qualidade do jogador: “Quando originalmente o recrutamos em Oregon ele jogou como outside linebacker como calouro. Foi muito bem e continuou a crescer, ele tem a habilidade atlética necessária. É extremamente inteligente e competitivo”.

Em seu primeiro ano como um 49er, iniciou 15 dos 15 jogos em que esteve disponível. Contribuiu com mais de 70 tackles, 7 para perdas de jardas, 18 hits no QB e seis sacks. Sua presença ficou marcada por liderar o número de snaps entre todos os jogadores de linha defensiva da Liga, reafirmando a sua importância para SF. Sua produção em sacks foi a quarta melhor entre todos os calouros daquela temporada. Suas performances foi um ponto positivo dentro de uma temporada desastrosa do time vermelho e dourado. Além disso ainda conseguiu bater suas próprias metas de desempenho estabelecidas antes do início da temporada.

Ao fim de sua segunda temporada, Buckner foi um dos jogadores mais disponíveis na NFL, tendo o maior número de snaps dentre os jogadores de DL. Enquanto os 49ers não encontravam grande reforço para pressionar o QB adversário, Buckner se mostrava a melhor alternativa do time, anotando mais 22 hits e 3 sacks. Foi capaz de criar pressão mesmo no interior da linha, sendo um dos jogadores melhor avaliados estatisticamente, ao lado de Aaron Donald, Fletcher Cox, Geno Atkins e Gerald McCoy.

Antes do início da sua terceira temporada na NFL, no ano de 2018, Buckner foi escolhido como um dos jogadores do All-Under-25 do NFL.com. A lista considera para escolha todos os jogadores com até 25 anos antes do início da temporada regular. O jovem jogador já mostrava seu impacto na NFL. Sua temporada atendeu às expectativas, conseguindo seu melhor ano em termos de pressão ao QB adversário. Com 12 sacks atingiu a melhor marca de um defensor dos 49ers desde Aldon Smith em 2012, com 19.5 sacks. Ainda acumulou mais 20 hits e 17 tackles para perda de jardas. Os números o credenciaram à sua primeira aparição no Pro Bowl. Novamente, Buckner foi o ponto positivo de mais uma temporada ruim dos 49ers.

Em 2019 foi novamente uma das âncoras da defesa do San Francisco 49ers, tendo sua performance acompanhada pelos companheiros.

CHEGANDO A INDIANAPOLIS

A chegada de Buckner com uma troca foi provavelmente o movimento mais badalado da carreira de Chris Ballard como GM dos Colts. De acordo com os insiders os Colts procuravam a troca por Buckner desde a época do Super Bowl. Desde o últimao Draft muito se comentava sobre a necessidade de reforçar o interior da linha defensiva, motivos que fizeram a torcida se questionar sobre a ausência de jogadores chegando para a posição. Com o contrato estendido e estando agora vinculado aos Colts por cinco anos, Buckner já chega com a expectativa de ser uma das âncoras defensivas do time nos próximos anos.

Os treinos já prometem grandes emoções, projetando um embate entre Quenton Nelson e DeForest Buckner. Logo em sua chegada, em entrevista online devido à quarentena, Buckner fez questão de destacar a vontade de jogar com seus novos companheiros e de dar tudo nos treinos como se estivesse em campo num jogo.

Trazendo quem conhece um pouquinho mais sobre o jogador, o pessoal do The Gold Rush Podcast, parceiros que falam sobre os 49ers aqui no Fumble na Net, comentara, pra gente o que podemos esperar do defensive lineman:

“Buckner é um jogador único, extremamente forte e veloz para um defensive lineman. No 49ers foi o alicerce e principal jogador na defesa por 2 anos. Na sua temporada de calouro gerava muitas pressões e nos anos seguintes conseguiu transformar essa capacidade em sacks, liderando o time na estatística mesmo jogando no meio da linha.

No último ano teve uma temporada com números inferiores, principalmente pela mudanças no esquema da DL, onde foi implantada a wide 9, na qual os edges são os principais responsáveis pela pressão e se alinham na parte externa da OL, próximos ao TE adversário. Isso fez com que Buckner ficasse muitas vezes com o trabalho sujo da DL, muitas vezes responsável por segurar gaps com 2 OL, no entanto sua capacidade de pressão continua presente e deve ser um excelente jogador nos Colts produzindo como Top 3 DL, que é não só seu potencial mas sua posição por mérito já atingido.”

 


 

Em breve traremos mais textos sobre os jogadores que acabaram de chegar em Indianapolis.

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