O Miami Dolphins escolheu com a 5° escolha geral do NFL Draft de 2020 (realizado no último mês de abril) o Quarterback Tua Tagovailoa. O jogador, que vem da universidade de Alabama, chega com o status de possível solução para os problemas enfrentados pelos Dolphins na posição mais importante do jogo nos últimos 20 anos. Mas, será Tagovailoa capaz de resolver essas dificuldades sofridas pela franquia nos últimos tempos; ou trazer uma nova cultura para Miami? É o que buscaremos abordar neste artigo.

O péssimo histórico recente de QBs no Miami Dolphins

Desde a aposentadoria de Dan Marino em 1999, os Dolphins parecem estar em uma busca incessante por seu novo Franchise QB. Um exemplo disso é que Tagovailoa foi o 5° jogador da posição selecionado por Miami em uma das três primeiras rodadas do Draft durante esse período. Além disso, a franquia da Flórida teve ao todo 9 QBs diferentes que iniciaram uma temporada como titular desde 2000.

Outro dado que ajuda a perceber o péssimo histórico de QBs nos Dolphins durante essa “era pós-Marino” é que o último jogo vencido em playoffs por Miami foi em 2000 (!); e, sem dúvida alguma, o fato de não ter contado com um jogador confiável na posição mais importante do esporte, durante esses últimos 20 anos, contribuiu enormemente para esse período de seca.

Além disso, para concluir a argumentação, os dois QBs que mais tiveram jogos por Miami desde 2000 foram: Ryan Tannehill e Jay Fiedler, com, respectivamente, 88 e 59 jogos iniciados como titulares. Porém, ambos tiveram carreiras bem inconsistentes defendendo os Dolphins. Tannehill somou: 123 TDs e 75 INTs; enquanto Fiedler contabilizou 68 TDs e 63 INTs

Tua Tagovailoa: talento e liderança

Reprodução: Twitter oficial @Tua

Sem dúvida alguma Tua Tagovailoa é um dos melhores QBs da história de Alabama e, para muitos, da história do College Football. Logo em seu ano de freshman (primeiro ano universitário), em 2017, Tua foi campeão universitário com Alabama; entrando no decorrer da partida válida pela final do college contra Georgia e conduzindo a sua equipe à vitória com um passe para touchdown na prorrogação. Sendo assim, eleito o melhor jogador o ofensivo daquela decisão.

A partir disso, Tagovailoa passou a mostrar todo o seu talento. Somando números excepcionais e mostrando atributos bem maduros para um jogador do college, como sua presença no pocket e sua tomada de decisão, o jogador chegou a decisão universitária novamente na temporada de 2018. Porém, dessa vez, saindo derrotado para Clemson. Ao final de sua carreira em Alabama, Tagovailoa somou em 32 jogos: 7442 jardas; 87 TDs e 11 INTs.

Contudo, o que quero mais destacar aqui não é seu excepcional talento e sua ótima carreira, os quais são inegáveis, mas sim, sua grande liderança e competitividade, possível de perceber em jogos do college e reforçadas pelos seus companheiros de equipe em Alabama. Em entrevistas no Combine de 2020, jogadores como Henry Ruggs, Jedrick Wills e Jerry Jeudy rasgaram elogios para o atual QB do Miami Dolphins, destacando sua liderança, conduta profissional e competitividade. As entrevistas que podem ser conferidas aqui.

Possível fator limitante: lesões

Como nem tudo são flores, existem motivos para algumas desconfianças ao redor do mais novo QB dos Dolphins; e o maior deles são as lesões sofridas pelo jogador durante sua carreira universitária. As principais foram um entorse no tornozelo direito e uma fratura no quadril direito, as quais precisaram de cirurgia.

A questão aqui é: de nada vai adiantar as qualidades citadas de Tagovailoa, se ele não conseguir estar em campo. As constantes lesões no college, por mais que algumas tenham sido de grau leve, colocam em dúvida a sua durabilidade. Assim, as contusões podem ser um fator limitante em seu desenvolvimento como um grande QB na NFL.

No entanto, vamos explicar no próximo tópico o por que é um risco que Miami precisava correr:

Uma aposta necessária por parte de Miami

Reprodução: Twitter Oficial @AlabamaFTBL

Como foi destacado no primeiro tópico, os Dolphins estão sofrendo com uma instabilidade na posição de QB há 20 anos e isso acarretou em apenas uma vitória em playoffs nesse mesmo período. Ou seja, Miami perdeu sua cultura vencedora, ou até, sua cultura competitiva. Brian Flores trouxe uma nova pegada para a equipe na temporada passada e tirou “leite de pedra” com o elenco que tinha, mostrando-se um trabalho de enorme potencial. Porém, ainda faltava alguém para trazer uma nova mentalidade na posição que mais impacta no jogo: o Quarterback. E é com essa credencial que Tua Tagovailoa chega a Flórida.

Diante disso, Tagovailoa chega como um jogador vencedor e premiado em sua carreira universitária, com uma ética profissional e liderança elogiadas ao máximo por seus companheiros de equipe e com um talento comprovado no campo e nos números. Por mais que sua durabilidade contestável traga incertezas ao seu redor, Chris Grier sabe que é o tipo de jogador que pode mudar uma franquia de patamar e, no caso de Miami, resgatar uma cultura vencedora de outrora. É um risco necessário.

Portanto, é possível concluir que Tua Tagovailoa é o jogador capaz de trazer uma nova mentalidade ao Miami Dolphins e mudar a cultura recente da franquia. O risco de uma nova lesão existe, mas não é maior do que a oportunidade de ter um jogador como esse e de mudar o cenário que se desenhou na franquia nos últimos 20 anos.

 

 

DEIXE UMA RESPOSTA