No último domingo (03), os Packers bateram o Chicago Bears e garantiram a melhor campanha da conferência nacional, terminando com um recorde 13-3. Com isso, a equipe de Wisconsin entrará apenas no Divisional Round, além de ter a vantagem de jogar todos os jogos em casa até o Super Bowl.

Mas, quais foram os segredos do sucesso de Green Bay na temporada regular e o que esperar do time para a pós-temporada? É o que abordaremos no artigo.

Ataque espetacular e marcas expressivas

Reprodução oficial: Twitter @packers
Desempenhos memoráveis

Sem dúvida nenhuma, quando falamos deste ataque, temos que começar por Aaron Rodgers. O Quarterback dos Packers manteve um nível extraordinário durante toda temporada regular, se colocando como favorito na briga pelo prêmio de MVP. Rodgers somou 48 passes para touchdowns; 5 interceptações; 70.7% de passes completados; e um rating de 121.5. Além disso, esse é o segundo melhor QB Rating da história da NFL, perdendo apenas para o mesmo Aaron Rodgers, em 2011.

Somado a essa temporada absurda do QB, o wide receiver Davante Adams também teve um desempenho memorável. Mesmo perdendo dois jogos por conta de lesão, Adams foi o segundo da liga em recepções (115) e o líder em touchdowns (18), igualando, inclusive, a maior marca da franquia em uma única temporada. Tendo uma sintonia espetacular com Rodgers e sendo praticamente imparável na marcação mano a mano, o WR se confirmou ainda mais como um dos melhores da posição.

Linha ofensiva e excelentes chamadas

Para além desses dois monstros, é preciso ressaltar o trabalho da linha ofensiva dos Packers. Isso porque, foi, sem dúvida nenhuma, uma das melhores da liga neste ano. Seja dando tempo para Aaron Rodgers operar, seja abrindo espaços para o jogo terrestre, a OL de Green Bay brilhou durante toda a temporada regular.

Por fim, um dos grandes nomes desta campanha de 13-3 fica na sideline. Matt Lafleur foi excepcional chamando as jogadas de ataque e conseguiu deixar seu QB muito confortável durante as partidas. Equilibrando bem passes e corridas, Lafleur rodou muito o play action, principalmente na redzone. Nesse sentido, ele deixou o ataque dos Packers muito eficiente, letal e até mesmo imprevisível para os adversários.

Com isso, ao fim da temporada regular, Green Bay terminou no topo da maioria das estatísticas do lado ofensivo da bola. Como, por exemplo, 1° em pontos por jogo (31.8); 1° de tempo de posse de bola por jogo (32:31) e 1° em porcentagem de TDs anotados em idas para a redzone (80%, maior marca dos últimos 40 anos).

Defesa talentosa, mas dá para confiar?

Reprodução oficial: Twitter @packers

Não há dúvidas de que é o lado defensivo da bola que pode limitar o teto dos Packers entrando na pós-temporada. Por mais que seja talentosa, a defesa sofreu em alguns jogos e ainda não passa muita confiança ao torcedor. Porém, há elementos apresentados, especialmente nas últimas partidas, que podem fazer as pessoas olharem com mais carinho para essa unidade.

Evolução defensiva e mudança de postura

Desde a temporada passada, a fragilidade mais conhecida da defesa de Green Bay é a contenção ao jogo terrestre. Isso ficou mais do que exposto na final de conferência diante do San Francisco 49ers no início deste ano. Além disso, nesta temporada, a equipe levou 163 jardas terrestres de Dalvin Cook na derrota para os Vikings, por exemplo. No entanto, se analisarmos as duas últimas partidas, os Packers fizeram um trabalho muito bom contra equipes que vinham correndo muito bem com a bola.

A defesa terrestre de Green Bay conseguiu desacelerar tanto Derrick Henry, quanto David Montgomery e, consequentemente, deixar Ryan Tannehill e Mitchell Trubisky em situações desconfortáveis durante os jogos. Além disso, na estatística de jardas terrestres cedidas por jogo, os Packers aparecem na sólida colocação de 13°, com 112.8. É verdade que por ter um ótimo ataque, Green Bay coloca muitos pontos no placar e obriga os adversários a lançarem mais a bola, mas isso é algo que deve se manter para a pós-temporada.

É válido ressaltar ainda que esse bom desempenho contra o jogo terrestre nas últimas partidas se deu, também, muito por conta de uma mudança de postura por parte do coordenador defensivo, Mike Pettine. Isso porque, muito criticado pelo seu conservadorismo durante a temporada passada e primeira parte desta, Pettine passou a ser mais agressivo. Ou seja, colocou mais jogadores próximos à linha de scrimmage para buscar conter os avanços por terra.

Talento e produção

Nas demais funções, Green Bay conta com muito talento e o desempenho em campo vem fazendo jus a isso. A começar pela secundária, que tem uma ótima dupla de safeties em Adrian Amos e Darnell Savage, que combinou para seis interceptações e 158 tackles na temporada. Além disso, na posição de cornerback, Jaire Alexander se consolidou como um dos melhores da liga, cedendo apenas 35 recepções em 69 bolas lançadas em sua direção. Assim, contando com o bom rendimento da unidade, os Packers terminaram em 7° em jardas aéreas cedidas por jogo (221.2).

Por fim, a equipe vem fazendo um bom trabalho apressando o passe, principalmente a partir de Za’darius Smith, que terminou como 3° da liga em sacks, (13). Ademais, Preston Smith e Rashan Gary mostram-se bons complementos pela beirada da linha e Kenny Clark consegue chegar no QB adversário pelo interior.

O que esperar do Packers para a pós-temporada?

Os Packers garantiram a melhor campanha da conferência nacional e irão folgar no wild card. O que esperar da equipe na pós-temporada?
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Cenário de pós-temporada

Como garantiu a melhor campanha da NFC, Green Bay entrará apenas no divisional round, o que significa uma semana de folga no wild card. Essa vantagem significa ainda mais do que nos outros anos, visto que nesta temporada apenas um time de cada conferência poderia conquistá-la. Além disso, visto todas as restrições por conta da Covid-19 e o fato da bye week dos Packers ter sido no início do calendário (semana 5), essa semana a mais de preparação é muito bem-vinda.

Ademais, os Packers terão a oportunidade de jogar a semifinal e, caso cheguem lá, a final de conferência no Lambeau Field. E, como é de conhecimento geral, ir para Green Bay na época de inverno norte-americano não é nada agradável. Ou seja, com promessa de muita neve, os Packers receberão seus adversários na “frozen tundra”, e poderão levar muita vantagem no ponto de vista da adaptação.

O que esperar do time?

Dentro de campo, no ataque, a expectativa é que Matt Lafleur continue usando do equilíbrio em suas chamadas para buscar uma imposição física correndo com a bola. Mas, claro, sem deixar de pôr ela nas mãos do provável MVP, Aaron Rodgers.

Além disso, Davante Adams em fantástica forma deve continuar sendo um grande fator e devemos ver essa conexão com Rodgers continuar aparecendo muito nos playoffs. Por fim, a linha ofensiva terá o desafio de manter o grande nível de desempenho após perder o excepcional David Bakhtiari por contusão.

Por outro lado, na defesa, a torcida dos Packers espera que Mike Pettine continue usando da agressividade para combater o jogo terrestre. Até porque, funcionou bem nos últimos jogos da temporada. Além disso, a secundária deverá manter o bom nível de jogo, fazendo um bom trabalho na marcação e continuando a forçar alguns turnovers.

Por fim, especialmente em terceiras descidas, a linha defensiva de Green Bay terá que fazer um bom trabalho para apressar o passe, principalmente pelo fato da equipe ser uma das que menos mandam blitzes na liga (22° da NFL, segundo o pro football reference).

Com isso, o Green Bay Packers chega para a pós-temporada com muitos elementos que podem levar a franquia ao quinto título de SB de sua história. Muitos desafios virão e ajustes precisarão ser feitos, mas o torcedor cabeça de queijo tem motivos para acreditar que o troféu Vince Lombardi voltará para titletown depois de dez anos.

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