O draft se foi, os principais nomes da free agency também e a torcida de New England  está apreensiva com o futuro do time. Mas e agora, o que esperar dos Patriots no futuro?

O primeiro ponto importante a ser explanado é o fato de que, apesar de muitos não aceitarem, o Patriots com certeza já sabia há algum tempo da decisão de Tom Brady de deixar a equipe. Ou seja, Belichick já sabia que iria trabalhar com um novo quarterback como titular.

Quem assume o posto?

Oportunidades não faltaram para substituir Brady. Cam Newton, dispensado pelo Panthers e que já havia sido elogiado publicamente por Belichick era o grande nome no mercado; porém, de acordo com notícias internas, o interesse por ele nunca aconteceu.

O draft chegou, Tagovailoa e Herbert, nomes bem interessantes não chegariam ao colo do Pats. Se falou sobre Jordan Love para a escolha de número 23, mas também nada aconteceu e nenhum QB foi selecionado. Além disso, mais recentemente Andy Dalton foi dispensado do Bengals, e novamente o Patriots surgiu como possível destino, mas o QB acabou sendo contratado por Dallas. E agora?

É o início da “era Stidham”?

Foto: Reprodução Site patriots.com

Com isso em mente, fica claro a opção do treinador de dar uma chance ao jovem Jarrett Stidham, selecionado na 4° rodada do draft de 2019. Ano passado, Stidham lançou apenas 4 passes, completando dois e sofrendo uma interceptação. Mesmo assim, ao que tudo indica, ele fez por merecer a confiança de um dos maiores treinadores da história da NFL.

Pouco se fala, mas Stidham teve uma carreira boa como titular por Auburn: em dois anos passou para 36 touchdowns e 5.952 jardas, além de ter como principal característica ser um pocket passer, estilo que casa com o que o time fez nos últimos 20 anos. É verdade que ele precisa ser muito mais cuidadoso com a bola, afinal são 11 interceptações em paralelo aos 36TD’s, um número elevado.

Diante disso, se nenhuma reviravolta acontecer Stidham será o QB do time na semana 1 e isso não é necessariamente terrível. É difícil saber se Cam se adaptaria ao estilo de jogo da equipe ou se haveria tempo hábil para um novo sistema com ele. Love não é nem de perto um jogador pronto, muito pelo contrário, e neste momento não acrescentaria muito ao roster. Por fim, Dalton sempre se mostrou na média, nada além disso, então apostar em um novo nome pode ser um caminho válido considerando as opções.

O Ataque

Sem dúvida, o ataque foi a grande fraqueza do time na última temporada. A perspectiva aqui não é das melhores, nenhum jogador relevante foi adicionado ao corpo de recebedores e o temor é real e justificável, mas nem tudo é tragédia. Foram selecionados jogadores interessantes para a linha ofensiva no draft; além de dois Tight Ends com muita força e capacidade de serem trabalhados para ajudarem nos bloqueios.

Além disso, Sony Michel já mostrou ser um running back capaz quando tem uma OL minimante boa. E obviamente o plano não é deixar um QB segundo anista lançando 30 bolas por jogo. Estabelecendo um bom jogo corrido e encontrando ao menos mais um alvo confiável ao lado de Eldeman, o time pode ao menos não ser um fiasco marcando pontos.

A Defesa

Foto: Reprodução Twitter Oficial @Patriots

O sistema defensivo, especialidade do head coach da equipe, é uma máquina. Pode se dizer, sem sombra de dúvidas, que muitas vitórias do ano passado foram graças a defesa, foram muitos turnovers forçados e pontos conquistado graças a ela.

Entretanto, o time teve perdas significativas no setor; os Linebackers Kyle Van Noy e Jamie Collins saíram, além do DT Danny Shelton. Era evidente que era preciso fazer escolhas, com um dead cap enorme, o Patriots não poderia manter todos os nomes de sua muito bem sucedida defesa. Van Noy foi um dos melhores jogadores do time ano passado, mas não seria possível mante-lo considerando o já alto salário do companheiro de posição Hightower.

Collins também foi muito bem ano passado, mas é mais fácil de ter sua saída compensada do que a de Kyle. Shelton foi muito regular, porém não chega a ser insubstituível. Apesar das perdas, temos de lembrar da manutenção de Hightower e da contratação do experiente Brandon Copeland para posição de LB. O jovem e promissor Chase Winovich vai para seu segundo ano na liga, os irmãos McCourty permaneceram, Chung é um senhor safety e o CB e vencedor de melhor defensor da última temporada, Stephan Gilmore, também permanecem. Além desses grandes nomes temos o general Bill Belichick com sua genial mente defensiva.

Portanto, a defesa deve continuar não sendo um problema para a torcida. E por falar em BB…

Fator Belichick

Foto: Reprodução Twitter Oficial @Patriots

Todas as dúvidas e preocupações da torcida e de especialistas são extremamente válidas; contudo, o fator Bill Belichick precisa ser adicionado a equação. Ele não venceu 8 Super Bowls e disputou o evento em 12 ocasiões por mera coincidência. Não da para esperar que isso ocorra novamente neste ano, mas seu histórico deve ser um alento a torcida e um alerta aos críticos. É realmente difícil prever com exatidão o que esperar de New England nesse ano, pode ser até que o time volte a ter um campanha negativa depois de muitos anos, mas eu não apostaria em nada menos do que 7 vitórias.

A defesa, comandado por BB, ainda é extremamente forte, o ataque pode ser uma incógnita, porém, se conseguir ser razoavelmente produtiva e com um plano de jogo bem preparado, talvez seja até melhor que no ano passado, o que não é exatamente dificíl. Foxboro é um caldeirão e, ainda que com muitas mudanças, a torcida com certeza estará presente e fazendo a diferença nos jogos em casa.

Portanto, considerando todos esses fatores, o futuro do New England Patriots pode não ser tão tenebroso assim, com um bom trabalho esse ano e com a provável melhora no salary cap nos próximos, a equipe pode voltar a competir no mais alto nível em breve.

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