O Chicago Bears acertou nesta offseason uma troca com o Jacksonville Jaguars pelo Quarterback, Nick Foles. O MVP do Super Bowl LII chega com a missão de colocar Chicago de volta na briga pela NFC North; depois da equipe ter tido uma temporada muito inconsistente em 2019 sob a liderança ofensiva de Mitchell Trubisky. Mas, será que apenas com a chegada de Foles os Bears voltarão a disputar o título da divisão?

O ataque e suas limitações

Foto: Reprodução oficial twitter @ChicagoBears

Não há dúvidas de que o grande calcanhar de aquiles de Chicago na última temporada tenha sido a segunda escolha geral do Draft de 2017, Mitchell Trubisky. Porém, o entorno do QB no ataque dos Bears também não foi favorável por grande parte da temporada.

Começando pelo Head Coach e play caller do ataque, Matt Nagy, o qual depois de ter feito uma ótima temporada com a equipe em 2018 (principalmente com Trubisky) e ser eleito o técnico do ano, não conseguiu repetir o bom trabalho em 2019. Em muitos jogos, o QB produto de North Carolina foi colocado excessivamente em shotgun, e suas falhas foram completamente expostas. As chamadas criativas de read options por parte de Nagy em 2018, que aproveitava muito bem a boa mobilidade de seu QB, praticamente não existiram no ano passado.

Outro fator preocupante no time de Chicago na temporada passada foi o jogo terrestre. Além de um baixo volume de corridas durante a temporada (Chicago foi o 21° em tentativas terrestres por jogo), David Montgomery e Tarik Cohen tiveram um ano complicado. Sem espaço para correr contra as linhas defensivas adversárias, Montgomery e Cohen tiveram uma média de, respectivamente, 3.7 e 3.3 jardas por tentativa de corrida. Dessa forma, dificilmente Trubisky ficava em situações confortáveis para lançar a bola e pouco operava em play action.

A linha ofensiva também foi um ponto de carência dos Bears em 2019. Por mais que a proteção ao QB tenha até sido sólida (win rate de 61% no bloqueio de passe; 13° da liga), era uma linha com buracos; principalmente nos bloqueios para o jogo terrestre. As jardas médias por tentativa de corrida dos Running Backs da equipe (citadas acima), nos ajudam a entender essa situação.

Por fim, apesar do corpo de recebedores contar com o ótimo Allen Robinson II, o complemento ao WR1 da equipe deixou a desejar. Anthony Miller foi o que melhor apareceu, com 656 jardas; mas, ainda é um jogador inconsistente. Tirando esses dois jogadores e o dinâmico RB Tarik Cohen, Trubisky não tinha muito com quem contar para receber seus passes.

Setor pouco reforçado até aqui

Passados os períodos de Free Agency e Draft, os torcedores de Chicago pouco têm para comemorar com os reforços para o ataque do time. Mesmo precisando de boas adições no lado ofensivo da bola, os nomes mais badalados que se juntarão a franquia são os Tight Ends, Cole Kmet e Jimmy Graham. Kmet tem seu impacto em 2020 como uma incógnita; tanto por ser um rookie, quanto por ser um jogador que apresentava no college pontos a serem trabalhados em seu jogo. Graham, por sua vez, está em uma queda de rendimento constante na carreira e teve uma passagem bem apagada pelo Green Bay Packers. Os dois jogadores se juntam aos outros sete Tight Ends da equipe e a promessa é de que o valor que será agregado não seja considerável.

A linha ofensiva, que precisa de ajuda para a temporada de 2020, só foi reforçada em rodadas profundas do Draft; e na Free Agency tem em Germain Ifedi e Jason Spriggs improváveis soluções. Ou seja, uma das unidades mais vulneráveis do time não foi devidamente reforçada e deve continuar sendo um problema. Assim como o corpo de WRs, que com a chegada de Ted Ginn Jr. e Trevor Davis não deve dar um salto de qualidade em relação ao ano passado.

Foles será a solução no ataque?

Foto: Reprodução oficial twitter @NickFoles

Visto os outros dois tópicos, é possível perceber que a expectativa para o ataque dos Bears em 2020 não é das melhores. Mas, será que Nick Foles será capaz de lidar com todas essas adversidades no seu entorno e conduzir um ataque muito acima do que foi em 2019? Muito provavelmente não.

Desde que entrou na NFL, em 2012, Foles nunca se consolidou de fato com um “QB starter“. Seus melhores momentos foram quando, como backup, entrou durante a temporada em times com sistemas bem estabelecidos e com bons elencos (caso da temporada de 2017 com os Eagles). Quando testado como titular e colocado para jogar em situações menos favoráveis, deixou a desejar.

Mesmo sendo um QB mais experiente em relação a Trubisky e, provavelmente, mais capaz; não é um jogador que passa uma confiança de que poderá lidar com as situações adversas presentes no ataque de Chicago. Se Matt Nagy não montar um sistema mais favorável para o seu QB e o jogo terrestre continuar não aparecendo, o ataque dos Bears vai continuar sendo preocupante para 2020.

Ótima defesa poderá ser o suficiente para brigar por divisão?

Que a defesa dos Bears é uma das boas na NFL não é surpresa para ninguém. Mesmo perdendo jogadores como Nick Kwiatowski, Leonard Floyd, e Prince Amukamara; a unidade comandada por Chuck Pagano conta com vários jogadores acima da média e se reforçou bem com a chegada do EDGE Rusher, Robert Quinn. Mas, a questão aqui é: visto os problemas no lado ofensivo da bola, a defesa de Chicago será capaz de levar a equipe a brigar pela divisão? Pouco provável.

Basta ver os próprios Bears da temporada passada e os Jaguars de 2018 como exemplos. Mesmo uma defesa contando com excelentes jogadores, o fato do ataque ser limitado e pouco produtivo faz com que a defesa fique muito tempo em campo e comece suas campanhas em posições desfavoráveis; o que além de criar um desgaste físico, cria também um desgaste psicológico.

Assim, além dos jogadores defensivos estarem mais propensos a sofrerem com lesões; o fato de eles estarem fazendo o trabalho de conter a equipe adversária e o ataque não capitalizar em cima disso, vai criando uma irritação que pode ser levada para o vestiário ou traduzida em um “desinteresse” em campo.

No caso dos Bears, vale ainda destacar que isso se torna ainda mais irreal devido os bons adversários dentro da divisão. Tanto Vikings quanto Packers são times que apresentam elencos competentes dos dois lados da bola; além dos Lions, que podem ameaçar principalmente no ataque. Assim, caso Chicago queira disputar o título da divisão terá que atingir um equilíbrio bem maior durante essa temporada.

Portanto, torna-se possível perceber que para Chicago voltar a brigar pela divisão, apenas a chegada de Foles e a boa defesa da equipe não serão suficientes. O ataque precisará crescer de diferentes formas em relação a 2019; e, os problemas nesse setor que a equipe traz da temporada passada, somado com o fato de ter pouco endereçado essas carências durante a offseason até aqui, fazem com que o trabalho de Nagy se torne um desafio.

Um bom sistema, que crie mais espaço para o jogo terrestre e coloque seu QB em situações mais favoráveis é o que Nagy precisará desenvolver (como fez em 2018) para atingir um equilíbrio que poderá levar os Bears de volta a briga pela divisão e pela pós-temporada.

1 COMENTÁRIO

  1. Cara, ninguém acha isso: mas eu confio em Nick Foles.
    Ele era o melhor encaixe disponível para os Bears no mercado de free agency.

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