Não foi falta de aviso. Você sabia que esse time não era bom, que não brigaria por mais nada, que o ano já tinha acabado. Não, você não quis ouvir a razão, não quis ouvir a si mesmo. Seu tolo! Deixou-se levar pelo devaneio do momento, acreditou que essa casa construída sobre a areia poderia resistir quando viesse as inundações e os ventos tempestuosos, agora veja ela desmoronando, veja a sua queda! Agora lide com as consequências das suas ações, com a decepção da expectativa adiada, com os sonhos que jamais se realizarão, os desejos que não foram concedidos.

Sejam bem-vindos a terceira análise geral do Cincinnati Reds.

Síndrome do pato

Um pato faz de tudo, corre, nada, voa, mas não faz nada disso muito bem. O Reds é mais ou menos isso, é verdade que o time melhorou bastante em relação ao desempenho de abril, mas não é nada que encha os olhos. A grande mudança é a parte ofensiva, agora o time parou de depender de só um jogador e agora depende de dois: Brandon Drury e Tyler Stephenson (trataremos da lesão do Steph em outro artigo).

Esse maio/junho fez muito bem para Kyle Farmer, que deixou de ser o pior shortstop da liga (.217 AVG/.278 OBP/.317 SLG/64 OPS+) para se tornar o melhor shortstop da liga ofensivamente (.379 AVG/.440 OBP/.636 SLG/193 OPS+). Essa performance não é sustentável, o rendimento vai cair nas próximas semanas, mas espero que ele mantenha a boa fase para ser trocado em alta nessa trade deadline. Joey Votto também voltou a jogar bem após a sua lesão e quarentena da COVID-19, tendo médias de .306 AVG; 419 OBP; 667 SLG; 192 OPS+.

Esse é o ataque do Reds, dois caras muito bons, dois perdidos que do nada aprendem a rebater e outros que de vez em quando aparecem em base e ninguém sabe como.

Quanto ao arremesso, o time é o 14° da liga, conseguindo muitos strikeouts (9.27 K/9 4° geral), mas com os mesmos problemas de walks e home runs. Os starters mantiveram uma sequência forte, com 3.90 FIP, o 10° melhor da liga no período. Vou tratar especificamente da rotação em outro artigo, mas eu preciso citar Graham Ashcraft e como ele está jogando bem. 2.22 ERA; 1.020 WHIP em 5 partidas e 28.1 entradas. Ash tem a MELHOR CUTTER DA LIGA, e um índice altíssimo de groundballs e baixíssimo de hardhits. É verdade, poucos strikeouts, apenas 15 ao todo, mas veja bem, menos strikeouts significam menos contagens cheias, maior durabilidade do arremessador. Além disso, no final do dia, seja uma groundball que morre na luva do primeira-base, seja um strikeout, todos valem a mesma coisa, um out dos vinte e sete necessários.

Já o bullpen continua sendo um problema, 7° pior da liga, com 4.66 FIP. Não vou me estender em reclamar do bullpen pois já fiz muito isso. Pelo menos agora temos Alexis Diaz, que presta pra alguma coisa.

O Recorde

O time teve uma campannha de 10-13, o que é melhor do que eu imaginava, poderia/deveria ter jogado melhor contra Arizona e Washington nas partidas em casa, acabou empatando e perdendo essas séries, o que vai fazer falta. Tirando isso, o time foi bastante guerreiro nas outras partidas e fez o que era possível, ora, ninguém esperava que fossemos ganhar de St. Louis lá no Missouri.

Cincinnati na sua divisão continua uma tragédia, confortavelmente colocado na quinta posição e não parece muito disposto a sair dali. Os Reds estão atrás dos Cubs por 2.5 jogos e dos Pirates por 3.5 jogos, para Brewers e Cardinals a distância aumenta para 11.5 jogos e 13 jogos respectivamente. Imagino que podemos sair desse buraco nesse mês de junho/julho.

Próximos jogos

Até o final de junho teremos:

@ Arizona – 3 jogos

vs Brewers – 3 jogos

vs Dodgers – 3 jogos

@ Giants – 3 jogos

@ Cubs – 3 jogos

Imagino que podemos terminar junho com um recorde geral de 29-46, na melhor das hipóteses um 32-43, não mais do que isso.

Considerações finais

O parágrafo de introdução reflete o meu sentimento com o time no geral. Eu imaginava que seria uma temporada de 70~75 vitórias, mas duvido que passemos de 65 vitórias nesse momento. Me sinto frustrado com o todo, direção do time, jogadores, decisões de negócios, etc. Ora, estamos pertinho de trocar todo mundo e começar o quarto ou quinto rebuild da era Bob Castellini, pertinho de trocar Joey Votto, Luis Castillo, Mahle, India. Tudo isso é muito frustrante, acordar triste porque o time perdeu a sétima partida seguida, porque perdeu o jogo na oitava entrada por culpa do bullpen, porque é ruim.

Eu aceitei a nova realidade do time, entendi que agora somos um time vendedor, que vai se reconstruir em cima da rotação, que vai voltar a ser competitivo apenas em 2025, ou 2024 na melhor hipótese, mas é muito frustrante ver o seu time, a sua paixão – que ficou por muito pouco fora dos playoffs ano passado – agora ter quase o dobro de derrotas em relação as vitórias.

Não adianta chorar, espernear, nada disso vai mudar a cotação do dólar ou dar uma crise de consciência no front office do time, mas ainda assim é duro sentir suas energias sugadas por uma coisa que você ama, mas que no fundo está te fazendo mal. É triste, vida não anda fácil, mas não importa quão mal esse time esteja eu vou continuar lá, porque eu acredito que se você não apoia o time no mau momento, não merece ele quando estiver no momento bom.

Muito obrigado se você teve paciência de ler esse pequeno desabafo, espero ter sido claro no geral. Beba água, faça exercícios, seja feliz, não torça para o Cincinnati Reds.

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