O que aconteceu em Cincinnati nesse mês de março foi um atentado contra todo redleg, mas não é surpreendente. Se tem uma coisa que o Cincinnati Reds é por toda a gestão/regime Bob Castellini é incompetente, consistentemente incompetente. O time não tem competência para encontrar jogadores de elite mesmo tendo uma tonelada de picks compensatórios no draft, o time não acerta em jogador bom na janela internacional, ainda trouxe o Akiyama, com 30 anos nas costas, pagando o peso dele em ouro pro Saitama Lions. Pior de tudo é que quando acha um jogador bom dentre 400 bilhões de busts, ou não consegue desenvolver o atleta ou deixa ele sair na free agency.

Já to irritado escrevendo isso aqui, funcionando no puro suco do ódio, vamos começar logo esse negócio antes que eu desista.

                                               Castellanos chegando à Philladelphia

Êxodo Movimentações da intertemporada

Já abrimos os trabalhos de maneira muito positiva, não pagando uma club-option arbitracion de 10 milhões para o nosso melhor arremessador na temporada, Wade Miley, que teve 5.9 WAR, 3.39 ERA, um no-hitter contra os Indians e ainda era projetado pra ter 3.88 ERA em 2022, mesmo tendo 35 anos. Pra melhorar esse movimento brilhante da direção, ele ainda assina com o nosso rival, Chicago Cubs. Não fazia sentido liberar Wade, e com as movimentações que ainda vou detalhar, fica ainda mais burra a sua liberação.

Pra melhorar, ainda perdemos nosso melhor rebatedor, e atualmente um top 5 RF (sem saudade/clubismo) Nick Castellanos, que teve uma temporada de .939 OPS e 100 RBIs, além de ter sido titular do All-Star game e Silver Slugger. Perder Nick, mesmo já sabendo que ele não seria pago, foi um golpe grande pra mim, ainda mais quando ele assinou um contrato de 100mi/5 anos com o Phillies. 20 milhões é um valor ok para um jogador que é o melhor rebatedor do seu time e xodó da torcida, ainda mais sabendo que o time ofereceu apenas 17,5 milhões por ano para ele. Além disso, em sua entrevista chegando na Philadelphia, Nick deu a entender que queria ficar nos Reds, queria ser campeão aqui, descascando a diretoria do time (com razão).

Além desses dois, perdemos outros role players: Mychal Sivens (Reliever), Osdrubal Cabrera (3B), Michael Lorenzen (Reliever), Brandon Bailey (Reliver). Nenhum deles merece grande consideração ou menção mais detalhada, desejamos sucesso a todos e paz no coração.

 

O Tank que eu não tanko

Como eu disse, a gestão Bob Castellini é consistentemente incompetente, e com respeito a trocas não poderia ser diferente.  Começamos trocando com o Minnessota Twins o arremessador Sonny Gray, um nome sólido da rotação. Em 2021, Sonny teve 4.19 de ERA, 10.3 K/9, mas 4.46 RA9 e 1.219 WHIP, ou seja, em uma entrada ele teria em média 1 strikeout e uma rebatida pelo menos. Os números não são ruins, Sonny foi bastante competente durante o ano, mas ele foi trocado por uma grande incerteza.

Recebemos com a troca o RHP Chase Petty, escolha de primeira rodada do Twins no Draft de 2021. O arremessador de 18 anos é projetado para chegar ao time em 2025, e atualmente é o nosso prospecto número 7.

Sinceramente, já que abraçamos o tank descaradamente, achei esse um movimento interessante, dado que Sonny tem 32 anos e custaria 24 milhões nos próximos dois anos. Além disso, Chase Petty era considerado o melhor arremessador da nação no high school e é um prospecto muito interessante, com uma bola rápida quase irrebatível, porém, como eu disse antes, é uma grande incerteza. Só pra mencionar, o RHP Francis Peguero foi incluído no pacote enviado para Minessotta. Quem é? Não faço ideia.

Se fosse só essa troca eu estaria feliz, mas ainda não acabou…

Dia 14 de março, eu estava feliz jogando videogame quando vejo a fatídica notícia, Jesse Winker e Eugénio Suarez trocados para o Seattle Mariners. Confesso que entrei em desespero, eu via as notícias, via os insiders reportando a troca e ainda não conseguia acreditar nisso, olhava para aquelas palavras feitas de pixels incrédulo, era inverossímil pra mim crer que a vilania do time tomaria essas proporções. Meus olhos se encheram de lágrimas, precisei me conter para não chorar. Perder Castellanos era duro, perder Winker era um golpe quase fatal. Ali eu soube que 2022 seria um ano muito longo para mim, e que essa franquia na verdade não é incompetente, é facínora.

Vamos a troca: Seattle Mariners recebe o LF Jesse Winker, All-star, .307 BA, .949 OPS, 140 WAR+, .314 BAbip. Winker não é um especialista em homers, mas consegue rebatidas de extra base com consistência. A produção ofensiva do ano passado passou muito por ele sendo a ignição do motor. Também envolvido na troca está o terceira-base Eugénio Suarez, que sejamos sinceros, apresentava uma queda de produção desde o seu estrelato em 2018. Geni, apesar de ter números que causam arrepios (.198 BA, -0,7 WAR, .713 OPS), era uma peça importante como clean-up, tendo 31 homers na temporada, mas que sofrendo muitos strikeouts.

Cincinnati Reds recebe: RHP Justin Dunn, um reliever de 26 anos acima da média – mais pra frente vou falar do nosso bullpen para a temporada. Também desembarcou em Ohio o LHP Brandom Williamson, parça do Nick Lodolo e atualmente nosso prospecto número 5, projetado pra estrear nesse ano. Jake Fraley também foi envolvido na troca, um outfielder comum, de 26 anos, nada muito diferente do que já temos no plantel, o que é ruim. Seattle também enviou o RHP Connor Phillips, que se tudo der certo vai ser um reliever sólido para o nosso Bullpen, nada mais do que isso. Resumindo, fomos assaltados, trocamos uma nota de 50 reais por uma de 10.

Também houve uma troca com o Kansas City Royals, troca essa que foi bem… água de salsicha. Enviamos para o Missouri o RHP Amir Garret e recebemos o LHP Mike Minor, além de uma quantia em dinheiro não declarada.

Amir Garret era um reliever mediano, ano passado ele jogou 47.2 entradas e teve 6.04 ERA, 79 ERA+. Resumindo, ele não faria lá muita falta, porém, o salário dele era de $2mi e estava em ano de avoid arbritation. Já Mike Minor também não é essa coca-cola toda (até porque se fosse, não estaria no Reds), ele vai ser parte da nossa rotação titular durante o ano, o que me dá medo… ele teve 5.05 ERA, 91 ERA+, bem medíocre. O lado bom é que ele tem um alto número de K/9, com 8.5, porém, vem com uma bomba de contrato, 10 milhões nesse ano e 13 milhões no ano que vem, quando já terá 35 anos.

De trocas foi isso o que aconteceu, a ver se a diretoria até o final do ano não troca o Luis Castillo e acaba de vez com qualquer talento de major league que temos.

 

Assinaturas da Free Agency

Vários jogadores renovaram a sua avoid arbitration, entre eles: Jeff Hofman (reliever), Luis Cessa (reliever), Luis Castillo (RHP), Kyle Farmer (SS), Tyler Mahle (RHP), Nick Senzel (CF), Tyler Nanquin (OF).

Contratamos os agentes livres: Donovan Solano (INF) vindo de uma temporada ok no San Francisco Giants, onde teve 1.1 WAR, .280 BA, .748 OPS, 103 OPS+, chega para ser um seguro para se/quando Kyle Farmer se machucar, ou até jogar na terceira base.

Ronnie Dawson: Vindo do Houston Astros, não jogou o suficiente para ter qualquer opinião sobre ele, mas parece ser um útil rebatedor designado ou pinch hitter.

Colin Moran: Terceira base, vindo do Pittsburgh Pirates. É a definição de médio. Todas as estatísticas dele, tanto ofensivas quanto defensivas são quase exatamente iguais a média da liga. Pode ser útil para o time, sendo projetado para ter .327 OBP nessa próxima temporada.

Tommy Pham: Outfielder. Teve um ano muito bom na carreira em 2017, jogando pelo Cardinals. Desde então, vive em cima desse hit de verão. Estava lá no San Diego Padres ano passado, e não fez nada de extraordinário para um jogador com 8 anos de experiência na liga. O único caso que eu vejo fazendo sentido essa contratação é para ele colocar o Akiyama no banco por toda a temporada, fora isso, é um bom dinheiro jogado fora.

Passamos pelas movimentações da intertemporada, vamos agora ter um panorama geral de como está o time.

 

Bullpen

Lucas Sims Futebol Clube. Nosso bullpen foi uma catástrofe total e completa no ano passado, ficando entre as 5 piores da liga (uma liga que tem DBacks, Pirates, Orioles, Guardians, Rangers…), e nessa temporada saiu bastante daqueles pesos mortos que tinha no roster. A rotatividade foi grande, mas traz a incerteza, pois agora o grupo é composto basicamente por Lucas Sims rogai por nós, rookies da Triple A e free agents desconhecidos.

Sinceramente, não acho que tem como ser pior do que foi na temporada passada, a ver como Lucas volta da lesão. Muitos dos atuais relievers do time são jogadores que não conseguiram se firmar em outros times e estão tendo uma segunda oportunidade na carreira, como Luis Cessa e Justin Wilson. Esse sangue nos olhos e o pensamento de “se Deus quiser fazer um bom campeonato e ir pra um time grande” pode ser benéfico para um bom ano do bullpen do Reds

 

Rotação

Nossos starters atualmente são: Luis Castillo (se não for trocado na trade deadline), Tyler Mahle, Mike Minor, Hunter Greene e um 5° nome que deve flutuar entre Vladimir Gutierrez, Tejay Antone e Nick Lodolo. Ou seja, dois jogadores bons, um velho, um rookie e um revezamento de jogadores que claramente não estão prontos para jogar no mais alto nível de base bola.

A esperança do time para o futuro gira em torno dos arremessadores jovens, Hunter Greene, Nick Lodolo e Brandon Williamson. Se o time souber lapidar bem esses talentos, podemos ter uma ótima rotação pelos próximos 5 anos.

É esperado uma queda com relação a produtividade absurda que o time teve no ano passado, afinal, perdeu dois ótimos starters nessa intertemporada, mas nada que assuste um time em rebuild.

 

Line-up

Perdemos 3 titulares, dois deles foram all-star ano passado. Os únicos resquícios de talento no bastão são Joey Votto, Jonny India, Stephenson e Kyle Farmer quando chegar em julho, o resto é mid no melhor dos casos.

C- Stephenson

1B- Joey Votto

2B- Jonathan India

3B- Mike Moustakas

SS- Kyle Farmer

LF- Tommy Pham

CF- Nick Senzel

RF- Tyler Nanquin

DH- Colin Moran

 

O que esperar desse time?

Nada.

Temos chance de playoffs?

  Não.

 

Sobre o time e suas movimentações era isso o que eu tinha para dizer, realmente pioramos muito, só vamos voltar a ser competitivos em dois, três anos, mas agora eu gostaria de falar um pouco sobre a franquia Cincinnati Reds, o Front Office e as decisões que o time vem tomando nos últimos anos.

O Cincinnati Reds é uma grande pizza, vários donos diferentes têm “fatias” das ações do time – o atual CEO, Bob Castellini, tem 15%. Como toda empresa com acionistas, ela existe apenas para o lucro, única e exclusivamente em fator do lucro, esse é o caso dos Reds.

Mas o Cincinnati Reds não é uma empresa comum, ou pelo menos funcional, como todas as outras. Fazendo um paralelo com administração de empresa, é como se ao invés de acumular capital para montar um fluxo de caixa considerável e investir na expansão da empresa (afinal dinheiro atrai dinheiro), os donos se apropriassem do dinheiro do fluxo de caixa, dinheiro que seria usado na “expansão” da marca, em reforços, e colocassem o dinheiro no próprio bolso, ao melhor estilo Seu Sirigueijo.

Enquanto o time for administrado por pessoas avarentas e medrosas, esse time jamais vai competir seriamente por algo grande de novo. Eu precisava explicar tudo isso para contextualizar vocês do ABSURDO que foi feito nessa intertemporada. A melhor maneira de resumir esse time (essa franquia, essa quadrilha, organização terrorista, sei lá) não é usando palavras, é com suspiros e lágrimas (Onde eu estava com a cabeça quando eu achei que seria uma boa ideia torcer pra esse time?).

A única coisa em que se agarrar agora é nos prospectos do time, como: Elly de la Cruz, Matt McLain, Jay Aleen, Austin Hendrick e Jose Torres, esse ano e o próximo já foram pro ralo.

Espero que tenham tido uma boa leitura e tenham captado toda a experiência desagradável que foi essa intertemporada pra mim. Se protejam da covid, bebam água e aproveitem o beisebol. Agradecimentos especiais ao pessoal do Cast do Marinheiro, podcast do site Fumble na Net que cobre o Seattle Mariners. #ATOBTTR

 

Apaixonado por beisebol e pelo Cincinnati Reds. Escrevo por diversão. #ATOBTTR

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