A cavalo dado não se olha os dentes

Antigamente, os compradores tinham o hábito de observar a arcada dentária do cavalo antes de fechar negócio. Através do estado dos dentes do cavalo, era possível saber, por exemplo, se o animal era jovem ou não. Assim, mesmo que o vendedor tentasse mentir a idade do cavalo que estava por vender, a mentira poderia ser facilmente descoberta.

A ideia é uma analogia: assim como seria indelicado por parte de uma pessoa que ganhasse um cavalo ficar verificando os dentes do animal para saber se ele é jovem, adulto, etc., também seria indelicado que uma pessoa presenteada ficasse fazendo questionamentos sobre o presente recebido. Que belo presente os Bucks receberam nesta terça.

O Jogo em Si:

Depois de três derrotas consecutivas, enfim o Milwaukee Bucks voltou a vencer. Inclusive, uma bela vitória. Os campeões fizeram um jogo decente, e ponto. Por mais que pareça óbvia e obrigatória, a vitória veio com requintes de crueldade. Giannis Antetokounmpo no modo MVP contribuiu com: 28 pts, 8 reb, 9 ast e 4 blocks. 7/7 nos lances livres e 3/7 na linha dos três. Dominante nos dois lados da quadra, fez uma atuação segura e trouxe mais uma vitória.

Ao longo do jogo a vantagem só foi aumentando. Em média variou entre 20 e 30 pontos, mas se manteve constante. Sobre os Pistons, claramente é um time sem um time ainda. Cade Cunningham não se encontrou, e em geral, o time peca até nos fundamentos mais básicos. 

Imaginava os Pistons como um time ruim, mas após o jogo de hoje minhas definições de ruim foram atualizadas. Detroit precisa melhorar muito para ser ruim. Isso não retira os méritos dos Bucks, mas é algo que precisa ser mencionado: precisávamos vencer depois de três derrotas consecutivas.

Para o leitor ter ideia da fragilidade do Detroit, atualmente, eles são a pior equipe do perímetro, e mesmo assim arremessaram 47 VEZES para 3 pts. Acertaram 8 vezes. Os Bucks não foram tão dominantes na área pintada, porém a fragilidade do adversário não tornou isso um problema. Hoje. Falarei mais à frente.

Em dado momento o jogo parecia uma briga de foice entre cegos no escuro. Sério, que negócio feio. Isso aconteceu porque os elencos em quadra se equivalem em alguns momentos. Sobre os jogadores: George Hill jogou “safe” (seguro), fez o mínimo que se espera dele, dar assistências.

Robinson e Pat Connaughton ao lado de Bobby são os “reservas” mais confiáveis até agora na temporada. É difícil analisar os Bucks defensivamente, este jogo é muito fora da alçada e do patamar de um time que está desfalcado, porém é melhor treinado e é mais efetivo que esse Pistons em construção.

Os Bucks fizeram o mínimo para bater o fraco garrafão do Detroit. Não afobou ou perdeu a intensidade com a vantagem criada, e isto demonstrou força psicológica. O diferencial foram os arremessos do perímetro. Além dos grotescos erros dos Pistons do perímetro, vimos o Milwaukee acertar 17 bolas de 3 pts. Muito eficiente. Claro, o adversário era fraco e o placar do jogo era seguro, logo, naturalmente, os jogadores se sentiram mais à vontade em quadra.

Os Bucks foram totalmente dominantes em todas as estatísticas, demonstrando ser um time confiável mesmo com seus desfalques. O último quarto foi um respeitoso jogo entre o “terrão” até vir a vitória do Milwaukee por 117 a 89, a quarta na temporada.

Resumo – Enceramento:

Os Bucks precisavam vencer depois de três derrotas consecutivas. Um dos melhores adversários era o Detroit Pistons. A cavalo dado não se deve olhar os dentes. Quando se recebe algo não se deve fazer exigências, nem cobranças nem questionamentos sobre aquilo que é recebido. Apesar da vitória não ter sido difícil, “suada”, o mérito veio pelo placar construído. O elenco está ganhando rodagem, principalmente os jovens e os bancários. Que frutos apanharemos desta seleta?

Para você, por enquanto, quais jogadores dos Bucks são a decepção/surpresa da temporada até agora?

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