Primeiro jogo do Colts no Lucas Oil Stadium nessa temporada. Antes do início da temporada projetava-se um estádio lotado esperando Luck retornar da cirurgia no ombro, mas infelizmente não foi o que vimos. Nosso melhor jogador fora por mais um semana, ingressos sendo vendidos a preço de banana, expectativa de um jogo ruim do time (talvez mais uma lavada do adversário).

Após uma partida terrível (para não falar outra coisa) de Tolzien contra o Rams em LA, Pagano colocou Brissett em campo desde o início do jogo. A escolha não criou controvérsias (acredito) após ver o veterano ex-Packers entregar de mão beijada 14 pontos em interceptações na semana 1. Talvez a inexperiência (um pouco de medo também) fez com que Brissett distribuísse de forma pouco homogênea a bola, claramente evitando TY Hilton. Este, inclusive, foi muito bem marcado por Peterson, tornando algumas escolhas de nosso QB minimamente entendíveis, ainda que questionáveis.

Em compensação Jack Doyle, o alvo preferido de Brissett, a cada dia se consolida como um pilar do ataque. Bem bloqueando (4º pelo PFF) e bem recebendo (9º pelo mesmo site), sem dúvidas o jogador mais confiável do sistema ofensivo, podendo ser considerado o melhor do time até então. Além do TE, Kamar Aiken já mostrou que pode ser útil, recebendo bolas importantes de forma segura.

Enquanto isso, não existem palavras para descrever o início de ano ruim de Moncrief. Mais uma vez o recebedor teve problemas, dropando 3 bolas consideradas fáceis para alguém que, em anos anteriores, mostrou-se um bom alvo para ser usado na red zone. A desculpa da vez? As luzes do Lucas Oil Stadium. Parece que, não de forma inédita, os refletores atrapalharam a visão do jogador o impedindo de enxergar as bolas mais longas.

Durante a offseason já observamos reclamações e indiretas (bem diretas inclusive) do detentor da camisa 10 do time. Declarações que muitas vezes demonstram insatisfação do jogador, aparentemente sem motivos, ainda que o principal motivo da falta de continuidade do mesmo deve-se às lesões recorrentes. Acredito que os torcedores já se cansaram das desculpas e reclamações do jogador, que se mostra cada vez mais parecido com um garoto mimado.

Quando observamos o trabalho do ataque nas trincheiras podemos ver uma leve evolução da linha ofensiva. Os jogadores conseguiram dar um mínimo de tempo para Brissett pensar para quem lançar a bola e, além disso, conseguiram fazer um trabalho minimamente bom para as corridas de Gore e Turbin. Em contrapartida, as corridas pelos flancos da linha não foram bem executadas, fazendo com que Marlon Mack quase sempre fosse tackleado sem obter ganho de jardas.

Os dois veteranos tiveram melhores desempenhos, Turbin indo muito bem nas corridas curtas para 1 ou 2 jardas. Gore teve uma avenida aberta para marcar o seu primeiro touchdown corrido do ano, tendo um enorme espaço aberto pela linha pelo lado direito do ataque. Em um balanço geral, um rendimento bom para corredores que dependiam de uma linha ofensiva ruim contra uma linha defensiva muito boa de Arizona.

Quando tratamos da defesa ainda podemos continuar felizes, podendo assim dizer, com a nossa linha defensiva e o trabalho contra o jogo corrido. Mais uma vez o Colts conseguiu limitar a ação dos RBs do time adversário. Johnson, Williams, Ellington e Palmer (sim, o QB adversário) foram limitados a 77 jardas totais, tendo uma média de 3,08 jardas corridas por tentativa.

O valor da média foi pouca coisa maior que o observado contra o Rams. Hoje a defesa contra o jogo corrido, problema mais gritante nos anos anteriores, é a segunda melhor da Liga. Cedemos em média 2,52 jardas por tentativa, mostrando que as contratações para a DL foram muito boas, até mesmo excedendo as expectativas. Em compensação o jogo aéreo é o pesadelo mais temido de Indianapolis. Coloque o ranking inverso e você terá novamente a defesa de Indy em segundo. Cedendo uma média de 8,68 jardas por tentativa, o Colts tem a 31ª defesa contra o passe.

Mais uma vez os passes curtos pelo meio do campo, junto com o mau posicionamento e a fragilidade dos LBs na cobertura foi o ponto chave para os avanços aéreos dos Cardinals. Dentro os LBs apenas Jeremiah George, uma grata surpresa, teve uma boa atuação, sendo avaliado em 83.3 pontos segundo o PFF. Além de parar duas corridas o jogador ainda teve apenas um passe recepcionado em sua direção, sendo um screen com perda de 6 jardas. Se há algum vencedor entre os LBs, esse é George.

O pass rush melhorou de forma considerável. Ainda que a linha ofensiva de Arizona tenha atuado com desfalques, a pressão dos OLBs do Colts foi muito mais efetiva, sendo que Simon conseguiu sackar Carson Palmer. Os demais jogadores também conseguiram exercer pressão sobre o QB adversário, mostrando melhoras, sendo que Sheard atormentou o RT adversário com frequência.

O que dizer de Quincy Wilson? O rookie vindo do Florida Gators impressiona os torcedores cada vez mais. Agressivo na marcação, colado com o recebedor, defendendo passes e impedindo recepções. Excelente cartão de visitas para um primeiro jogo como starter. Até mesmo quando cedeu um touchdown o CB do Colts marcava muito bem o recebedor de Arizona (méritos para o passe de Palmer e do controle de bola de JJ Nelson). Ótimo jogo, dando a impressão pra muitos que tem condições de ser titular imediato, não restando dúvidas que o tempo de TJ Green no Colts está contado.

Mas do que seria uma secundária com bons CBs mas sem um ball hawk? Malik Hooker conseguiu no jogo de domingo sua primeira interceptação na liga, lendo muito bem a jogada e se posicionando para agarrar a bola lançada por Carson Palmer. Outro jogador que não deixa dúvidas quanto ao seu talento e iminência de ser titular absoluto no time do Colts (jogou todos os snaps defensivos do time).

Hairston teve outro bom jogo, mostrando que pode ser muito útil ao time. Além de marcar o passe ainda foi feliz em uma blitz sackando Palmer, ainda no primeiro tempo de jogo. Outro “destaque” da secundária foi Rashaan Melvin, que vinha de um péssimo jogo contra o Rams. Selecionado para o time de defesa da semana, apesar de ceder duas big plays aos Cardinals, Melvin teve um bom desempenho permitindo a recepção em 3 de 8 vezes em que foi alvo, limitando Palmer a um rating de 54,7.

Mais uma semana se passou e nosso (já querido) Rigoberto Sanchez continua fazendo bons punts. Com exceção a um único chute considerado mediano o punter rookie dos Colts esbanjou talento em campo fazendo o torcedor de Indianapolis até se esquecer (momentaneamente) do ex-jogador Pat McAfee. Ele foi outro jogador que entrou para o time da semana segundo o PFF evidenciando suas boas atuações.

Apesar da derrota, tida de certa forma como um grande fracasso pelo decaimento de rendimento do time ao longo da partida, ainda podemos ter esperanças com o time do Colts. Ainda que com a derrota o time mostrou que pode ter um futuro bem melhor do que o projetado na semana 1 contra o Rams, contanto que Chuck Pagano esqueça as desculpas e passe a trabalhar de forma a desenvolver esse jovem e talentoso elenco.

OBS.: Texto escrito com a colaboração de Pedro Jorge Marinho, @pj1992