Hoje, 31 de janeiro de 2018, eu e os demais torcedores dos Redskins acordamos com um susto: nosso sempre contestado front office fez uma troca com o Kansas City Chiefs, onde enviamos a escolha de terceira rodada deste ano e o excelente slot corner segundanista Kendall Fuller e recebemos o QB Alex Smith, o mr. check down guy.  Além disso, herdamos o último ano de contrato do QB (U$17,8 milhões) e já engatamos um contrato de mais 4 anos, com U$71 milhões garantidos e uma média anual de U$23,5 milhões a partir de 2019 – os efetivos termos do contrato, obviamente, só serão sabidos em 14 de março, quando ele será passível de ser assinado.

Ufa.  Preciso desabafar: com nosso histórico na posição de QB, o posicionamento do mercado e a novela Kirk “Kurt” Cousins, a estafa estava vencendo e os cenários que se desenhavam para a franquia eram cada vez mais nefastos.  Foi bom acabar com a tensão na posição, que se extendia ano após ano, conseguindo, ao menos, o segundo melhor QB disponível, em minha avaliação – o primeiro era obviamente o ex-querido Primos (porque eu agradeço os serviços prestados, mas ele já se foi, e aqui a fila anda).

E é por isso que citei casamentos no título: seja na vida ou na NFL, casamentos podem durar ou não.  E os Redskins, infelizmente, tem um problema crasso: a franquia não acredita que casamentos sejam duradouros.  Há também outra questão: apesar de não acreditar na durabilidade dos casamentos, parece que a franquia também não acredita em contratos pré-nupciais…  Notem, leitores: Bruce Allen, o infernal presidente da franquia, ofertou U$53 milhões garantidos ano passado para o Kirk.  No novo QB, pagará U$71 milhões* garantidos a um QB cinco anos mais velho.  Faz sentido?  Se você não acredita em casamentos e em contratos pré-nupciais, faz.  Para a maioria das pessoas normais, não faz.

Mas, analisando um pouco mais a fundo a troca, há também a certeza, porque perdemos nosso duas vezes franchise tagged QB, que receberemos uma pick compensatória de 3ª rodada em 2019.  Assim, a questão fica um pouco mais fácil de digerir: Kansas recebe uma pick de 3ª rodada em 2018 mais o melhor slot CB da liga, que tem dois anos de contrato de calouro ainda; os Redskins recebem Alex Smith e uma pick de 3ª rodada de 2019.  Kirk Cousins iria embora de qualquer jeito, não faz parte da troca. O acordo fica melhor quando visto desta perspectiva, não?

E como explicar enviar o CB Kendall Fuller para Kansas?  Porque eles queriam uma pick de 2ª rodada, como amplamente noticiado – e os Browns DARIAM esta pick, não só porque são os Browns, mas porque eles têm TRÊS escolhas de segunda rodada neste draft (33ª, 35ª e 63ª).   Há muito tempo é reportado que eles iriam atrás de Alex Smith para deixar o diamante bruto DeShone Kizer ganhando experiência no banco de reserva – ou pegar um novo QB via draft este ano, seja Rosen ou Mayfield (ou o Josh Allen, porque são os Browns, afinal de contas).  Os Broncos, por sua vez, ofertaram uma escolha de 2ª rodada e o CB Aqib Talib (que não cabia no cap dos Chiefs).  O CB Kendall Fuller, no segundo ano do contrato de calouro, foi o atrativo que levou o negócio a se concretizar, o preço a se pagar para conseguir um QB que é, sendo bastante pessimista, funcional.

E um quarterback funcional é algo extremamente necessário neste momento da franquia.  Todos os nossos principais jogadores têm por volta de dois anos a mais de contrato.  Em 2020, certamente precisaremos fazer um rebuild da franquia, porque teremos jogadores velhos ou estaremos com pouco cap para renová-los.  Win now é a palavra de ordem.   E perder uma escolha de terceira rodada, que será readquirida ano que vem, quando poderemos pensar mais no futuro, é essencial.

Devemos lembrar, também, da visão do general manager Scot McCloughan quando foi contratado: devemos ter todo um time em volta do quarterback, para que um jogador mediano da posição possa por números e render como um atleta elite.  Essa foi a visão comprada, e parece que continua sendo a do nosso “front office” mesmo com a demissão de Scot.  Acabamos sem o “Kurt” e sem um excelente nickelback, mas “trocamos”, no fim das contas e em minha avaliação quase acéfala, um top10 QB por um top15 QB – além de um nickelback para o qual, no próprio elenco, há peças de reposição decentes (Fabian Moreau, Quinton Dunbar e Joshua Holsey vêm à minha mente).  Não é uma perda muito grande, além do que Alex Smith vem levando times aos playoffs em um esquema bastante parecido com o dos Redskins – baseado no conceito da West Coast Offense.

E é tudo que podemos falar.  Ganhamos mais flexibilidade de cap, ganhamos a possibilidade de novamente focar o draft em nossa defesa e, se tudo der errado, “poderemos ver finalmente Allen fora da franquia”, como citado pelo meu colega Thiago Lobo em conversa privada.  Traduzindo uma expressão usada em tuítes internacionais, foi a melhor saída para a bagunça que o próprio “front office” aprontou.

Obrigado, Kirk Cousins.  Bem vindo, Alex Smith.  E segue o bonde pele-vermelha.

É isso.

#HTTR

*posteriormente, foi reportado que o valor de U$71milhões é garantido contra lesões.  Efetivamente, o valor garantido do contrato é de U$40milhões.

Texto por Antonio Cruz