Faltam 52 dias para a 100ª temporada da NFL e hoje relembramos mais uma grande história da liga: quando os dois maiores quarterbacks de uma era se enfrentaram em um Super Bowl! Acesse fumblenanet.com.br/nfl100 para conferir outras histórias da NFL.

Um lugar comum quando começamos a apreciar a NFL é nos depararmos frequentemente com dois nomes que não estão mais em campo: Joe Montana e Dan Marino. Dois dos principais quarterbacks de todos os tempos, eles dividiram os holofotes na década de 80 com inúmeras lendas do esporte e pararam o país quando se enfrentaram no Super Bowl XIX, entre o São Francisco 49ers e o Miami Dolphins.

Pré-jogo e Curiosidades

Além do duelo dos quarterbacks e das temporadas avassaladoras das duas equipes (14-2 dos Dolphins e 15-1 dos 49ers), o jogo estava cercado do mais puro hype: era o primeiro Super Bowl do norte da Califórnia – na região da Baía de São Francisco – e a segunda vez na história que teríamos um time disputando o título da temporada praticamente em casa (48 Km de São Francisco). Também seria a primeira transmissão do jogo pela ABC (que se juntava à CBS e à NBC no rodízio do Super Bowl) e a primeira participação efetiva – ainda que via satélite – de um Presidente dos Estados Unidos no sorteio da Moeda. Um detalhe curioso é que neste mesmo dia iniciava-se o segundo mandato de Ronald Reagan na Casa Branca e todas as celebrações públicas oficiais foram adiadas em um dia, para que a população pudesse assistir o Super Bowl.

Na imprensa, Dan Marino era o homem da vez. O quarterback segundanista que quebrou vários recordes e estabeleceu novas marcas naquela temporada era o franco favorito dos jornalistas e monopolizava as manchetes – onde seu nome aparecia, na maioria das vezes, antes do de Montana – que previam ser o Super Bowl XIX apenas o primeiro de muitos na carreira do jogador. A despeito da defesa um tanto inconsistente, os Dolphins tinham um ataque poderoso – que contava com nomes também aclamados como os wide receivers Mark Clayton e Mark Duper – que contabilizou 513 pontos e mais de 7.000 jardas na temporada e liderou o ranking da liga naquele ano. Nos playoffs, o ataque de Miami atropelou o Seattle Seahawks (31–10) e conquistou a AFC vencendo o Pittsburgh Steelers por 45–28.

Mas o hype não era exclusividade dos Dolphins. Como conjunto, o ataque dos 49ers passou sobre os adversários como um rolo compressor e o time se tornou o primeiro a conseguir 15 vitórias desde a expansão do calendário para 16 partidas na temporada regular. Além de Montana – o então líder do ranking de passes da Liga -, os 49ers contavam ainda com os running backs Roger Craig e Wendell Tyler que brilharam nas corridas e recepções além do fullback Earl Cooper e dos wide receivers Freddie Solomon e Dwight Clark, que juntos somaram 20 touchdowns. O então segundo ataque da liga tinha ao seu favor a melhor defesa, que cedeu o menor número de pontos (227) da temporada regular. Nos playoffs, a defesa de São Francisco parou os adversários com suas sequências intermináveis de blitzes, vencendo o New York Giants por 21–10 e estraçalhando o então badalado Chicago Bears por 23–0.

O duelo

Um intenso nevoeiro parou sobre a Baía de São Francisco naquela noite de domingo. Mesmo assim, os primeiros drives de cada equipe davam a impressão de que teríamos um jogo à altura das expectativas. Os ataques avançavam mas não o suficiente para chegar ao touchdown. Os Dolphins abriram o placar com um field goal de 37 jardas. Joe Montana contra-atacou com um drive de 78 jardas em 8 jogadas e um passe de 33 jardas para o running back reserva Carl Monroe. A reação dos Dolphins foi proporcional: em uma sequência de ataques sem huddle que segurou as substituições da defesa dos 49ers (armada para corridas), Marino completou 4 passes seguidos para 65 jardas e finalizou o drive com um quinto passe, um touchdown de 2 jardas para Dan Johnson.

Atrás no placar de 10-7, os 49ers iniciaram o segundo quarto acertando a defesa que conseguiu inibir tanto as tentativas de corridas quanto o jogo aéreo de Marino. Montana, beneficiado pelo punt, correu e lançou a bola com facilidade para mais um touchdown, retomando a liderança. E assim foram os drives seguintes: Marino sufocado pela defesa adversária, punts de Miami versus drives objetivos e certeiros para Montana (dentro e fora do pocket) e seus 49ers. O two-minute warning chegou com o placar de 28-10 para os 49ers. Dessa vez Miami até reagiu, mas não com a mesma intensidade. Sempre bem marcado pela defesa adversária, Marino só conseguiu avançar até a área de field-goal, diminuindo a diferença em apenas três pontos. Graças à indecisão do lineman Guy McIntyre dos 49ers, que sofreu um fumble enquanto hesitava entre cair com a bola e correr, Miami conseguiu mais um field-goal e no intervalo o placar era 28-16.

O segundo tempo não foi diferente. O nevoeiro parecia jogar pelo time “da casa”, aos poucos “embaçando” o ataque, a defesa e até mesmo a sideline dos Dolphins. Os jogadores não conseguiam reagir e as escolhas da sideline (fossem as chamadas ou as substituições) não surtiam efeito. Para Miami só haviam sacks, perdas de jardas, passes incompletos e punts. Joe Montana e companhia, por sua vez, tinham o jogo nas mãos. Aumentaram a diferença do placar com um field-goal de 27 jardas e, com mais um drive fulminante, Montana matou o jogo ainda no terceiro quarto ao lançar 16 jardas para o terceiro touchdown de Roger Craig. Joe Montana – o MVP do Super Bowl XIX – venceu Dan Marino por 38-16.

O legado dos dois é inegável. Dan Marino, apesar de não ter vencido nenhum Super Bowl, tem em seu currículo nove Pro Bowls, o prêmio de calouro do ano (1983) e de Comeback Player of the Year (1994). Chegou ao Hall da Fama em 2005 e teve sua camisa #13 imortalizada pelos Dolphins. Joe Montana se aposentou em 1994. Venceu os quatro Super Bowls que disputou (XVI, XIX, XXIII, XXIV), sendo eleito o MVP de três deles. Com oito Pro-Bowls, chegou ao Hall da Fama em 2000 e sua camisa #16 também foi aposentada pelo São Francisco 49ers.

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