Sem necessidades tão grandes no Draft deste ano, o Kansas City Chiefs vai para o recrutamento buscando jogadores para o futuro da equipe, que deve começar a cortar gastos por conta de várias renovações importantes que estão chegando nos próximos anos, incluindo a do quarterback Patrick Mahomes, que pode se tornar o jogador mais bem pago da Liga quando renovar.

Para cortar gastos e continuar competitivo, as escolhas do Draft são imprescindíveis, e, para isso, é necessário que os jogadores mais caros sejam substituídos por outros das mesmas posições. Esse mock Draft foi baseado nessa premissa, e, em todas as rodadas, estão atletas que podem fazer um impacto a médio prazo.

Com isso, nós, da Chiefs Kingdom Brasil, preparamos uma análise completa das cinco possíveis escolhas dos Chiefs no próximo Draft, sob o olhar de Mattheus Prudente, apresentador do podcast Chiefs Kingdom Brasil. As escolhas são feitas com base no board próprio do editor, de acordo com os rankings disponíveis no The Draft Network.

1ª rodada – Pick #32: Justin Madubuike (IDL, Texas A&M)

Partindo da premissa já apontada no início do texto, Justin Madubuike chegaria como um substituto natural de Chris Jones. Um dos principais sackadores do time dos Chiefs no momento, jones vive dúvidas contratuais, já que, mesmo que o general manager Brett Veach tenha demonstrado interesse em renovar com ele a longo prazo, não se sabe ainda se isso será possível. CJ já demonstrou infelicidade com a franchise tag, e ainda há a possibilidade de ser trocado.

Madubuike tem o mesmo estilo de Jones. Um jogador de interior de linha muito forte que consegue pressionar bem o quarterback, e tem um potencial impressionante para ser um dos melhores pass rushers de interior da Liga. Talvez a principal diferença entre ele e Jones seja a defesa de jogo terrestre, já que Madubuike demonstrou dificuldades quando tackleava running backs mais fortes e que quebram tackles, caso que acontece muito na divisão, onde Melvin Gordon, Phillip Lindsay e Josh Jacobs são exímios tackle breakers.

Com o desenvolvimento certo, Madubuike tem tudo para ser um dos jogadores mais dominantes da Liga, e seria um complemento certo para Khalen Saunders, que deve ser o titular após a saída de Xavier Williams. Saunders é um especialista contra o jogo terrestre, mas não é tão bom pressionando o quarterback, enquanto Madubuike faz o estilo contrário. O IDL de Texas A&M é a minha principal esperança neste Draft.

(Foto: Site Texas A&M University)

2ª rodada – Pick #63: Bryce Hall (CB, Virginia)

No começo do processo de Draft, muitos analistas tinham Bryce Hall como um dos principais cornerbacks da classe, mas ele acabou perdendo muito espaço por conta de lesões e a ascensão de outros jogadores. Mesmo assim, ainda é um jogador que pode facilmente ser titular na secundária dos Chiefs.

Talvez essa fosse a maior necessidade dos Chiefs antes da renovação de Bashaud Breeland, que garantiu, pelo menos, os dois cornerbacks de outside do ano passado. Hall, no entanto, seria um upgrade imenso para a posição, que vai precisar de um futuro, já que Breeland não deve ficar por muito tempo. Com o CB de Virginia e Charvarius Ward, KC deve manter a competitividade da secundária, ficando ainda maior.

Hall é um jogador que tem o potencial para criar uma “ilha” contra o wide receiver, e consegue impedir o passe com muita facilidade, pois sua marcação individual é muito boa. Seu maior problema, talvez, seja a habilidade para dar tackles, mas isso é algo que ele conseguiu desenvolver durante sua carreira universitária, e deve conseguir desenvolver mais na NFL. Bryce acaba sendo um jogador com habilidade de primeira rodada caindo para a segunda, e isso é importante.

(Foto: Site Virginia University)

3ª rodada – Pick #96: Troy Dye (LB, Oregon)

Um dos maiores problemas dos Chiefs desde a aposentadoria de Derrick Johnson é ter um linebacker patrulheiro bom. A tentativa falha com Anthony Hitchens e Reggie Ragland mostra que a abordagem de trazer jogadores consagrados da free agency pode nem sempre ser a solução, pois vimos uma evolução muito grande de Ben Niemann, linebacker undrafted pelos Chiefs em 2018, enquanto vemos Hitchens, com um dos maiores cap hits do time, falhar em várias marcações e ser praticamente inútil quando se fala de poder reativo, pois geralmente se mostra muito lento para identificar jogadas.

Em Dye, temos o contrário de Hitchens. Um jogador muito inteligente quando se fala de leitura de jogadas, que se mostra bem incisivo quando precisa, explorando os gaps com muita velocidade, sendo um encaixe muito bom para o jogo de Steve Spagnuolo, que gosta de linebackers que saibam jogar bem em blitz, já que ele é um dos coordenadores que mais mandam blitzes em toda a Liga.

Talvez o maior problema de Dye seja a sua falta de tamanho. Ele não é o jogador mais físico do mundo, e precisa desenvolver esses atributos para se tornar um jogador completo. Na marcação individual, principalmente contra tight ends, ele consegue acompanhar o jogador, mas acaba perdendo na força. A comparação dele com Luke Kuechly (dadas as devidas proporções) mostra que ele não é um jogador que possa ser subestimado, apesar de ter um talento de terceira rodada.

(Foto: Site Oregon University)

4ª rodada – Pick #138: Tyler Biadasz (IOL, Wisconsin)

Esse talvez seja o maior exemplo de como uma lesão pode acabar com o Draft stock de um jogador. Tyler Biadasz era tido como um dos principais jogadores de linha ofensiva deste ano, muito por conta da espetacular temporada que fez em 2018. Depois de um 2019 fraco e duas cirurgias (quadril e ombro), o jogador acabou perdendo muito espaço, e pode facilmente ser um jogador com talento de primeira rodada caindo para a quarta.

O que mais me impressiona em Biadasz é a sua inteligência. Dentro de uma linha ofensiva com pilares definidos, ele pode entrar e se tornar o principal líder da OL, pois tem a liderança nata como uma das suas principais características. Além disso, a sua versatilidade para jogar tanto de guard quanto de center coloca ele como um dos meus jogadores favoritos para ser escolhidos pelos Chiefs.

Existem muitas dúvidas quanto ao interior da linha ofensiva dos Chiefs. A saída de Stefan Wisniewski deixou um buraco que talvez só consiga ser coberto com um jogador top de Draft. A minha principal escolha na primeira rodada seria Cesar Ruiz, mas ele não deve sobrar. Portanto, não vejo nenhum problema em apostar que Biadasz vai ficar saudável para se tornar um titular absoluto, e abrir espaço de cap em mais uma posição.

(Foto: Twitter Wisconsin Badgers)

5ª rodada – Pick #177: Gabriel Davis (WR, UCF)

Nem só de velocidade se vive o homem. A “Legion of Zoom” também precisa de um jogador que consiga correr rotas mais curtas e ser uma bola de confiança de Mahomes. É por isso que os Chiefs investiram em Ricky Seals-Jones para ser o backup de Travis Kelce e trouxe Demarcus Robinson por mais um ano, mas nenhum deles deve durar muito.

Para o futuro, Gabriel Davis acaba sendo um steal nesse Draft. O jogador de UCF tem um ótimo ball tracking, ou seja, sabe muito bem onde tem que estar e corre rotas muito bem. Seu maior problema, no entanto, é que ele tem um skill set muito limitado, que não o deixa ser uma ameaça em bolas mais verticais. Em um playbook tão complexo como o dos Chiefs, ele talvez não se dê bem.

Essa seria a escolha mais arriscada dos Chiefs em todo o Draft, mas, se tratando de uma pick de quinta rodada, essa é a hora de arriscar.

(Foto: Site UCF)

 

Texto de : Mattheus Prudente

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