O Cleveland Cavaliers mostrou uma evolução antes da pausa da NBA. Será que o torcedor já pode sonhar com dias melhores? Ou ainda é cedo?
Photo by Jason Miller

Fundado em 1970, o Cleveland Cavaliers viveu seu auge após draftar LeBron James, em 2003. A propósito, poderíamos dividir as duas última décadas da equipe de Ohio em: com e sem James. Nesse período o time só foi aos playoffs quando tinha o astro no elenco, além é claro, de conquistar seu único título da NBA em 2016.

Entretanto, esta era acabou definitivamente e, após sua saída, caiu sob os ombros de Kevin Love a responsabilidade de ser referência em mais uma reconstrução. E finalmente, após uma temporada de pouca perspectiva, parece que o Cavaliers encontrou esperança e sua torcida vê uma luz no fim do túnel.

Pode soar estranho dizer isso de um time com recorde 19-46, a segunda pior campanha da liga. Mas é exatamente essa a sensação. Nos últimos 12 jogos foram 6 vitórias, incluindo triunfos contra o 76ers, Heat, Spurs e Nuggets. Exatamente o período em que está sendo comandado pelo novo Head Coach, J.B Bickerstaff. Entretanto, apenas algumas conquistas não fariam a torcida criar expectativas para o futuro. Há outros fatores para isso.

A Juventude

Certo, as vitórias começaram a aparecer, mas essa não é a melhor notícia. Um jovem promissor parece estar se soltando e mostrando do que é capaz; Kevin Potter Junior, apelidado de Young Bull, de apenas 19 anos.

Ele vinha atuando muito bem sob a batuta do novo treinador e ganhando elogios, dele e de companheiros mais experientes, até que uma concussão o tirou de alguns jogos antes da pausa na liga. Foram 12.2 pontos por partida nas últimas 10, incluindo um carrer high de 30, no triunfo sobre Miami. Além disso, a personalidade que KPJ vem demostrando tem animado muito os torcedores do Cavs.

Mesmo com a recente melhora do Young Bull, o destaque da temporada é outro e atende pelo nome de Collin Sexton, armador de 21 anos. São 20.6 pontos por jogo, uma disposição e coragem de enfrentar qualquer adversário de frente que o credenciam a esse merecido posto. Sexton é ágil e habilidoso, converte 50% de seus arremessos para 2 pontos e 38% do perímetro. Excelentes estatísticas para um segundo anista.

Com certeza dois jovens e promissores jogadores que podem ser a cara da franquia em alguns anos.

A Experiência

Para ajudar a guiar as jovens promessas, o Cleveland conseguiu uma incrível troca no meio da temporada. Acrescentou Andre Drummond, 26, ao plantel. O pivô tem médias de mais de 15 pontos, 11 rebotes e 1.4 tocos na carreira. Não é um fora de série, mas é extremamente regular, além de um exímio defensor. Com certeza, permanecendo no time, vai acrescentar muito a longo prazo.

Além disso, após até ter brigado com companheiros de equipe, Love finalmente parece estar exercendo a liderança que dele se espera. É visível que ele tem sido um conselheiro e porta voz do time, especialmente nas derrotas onde o time chega a liderar boa parte da partida, mas deixa a vantagem se perder próximo ao fim.

Não é só fora das quadras que Kevin Love melhorou, ele tem estado mais saudável, jogando mais minutos e contribuído bastante na produção ofensiva da equipe. Para se ter uma ideia, o ala jogou mais partidas essa temporada do que nas duas últimas somadas, ainda tem sua melhor média de pontos e rebotes por jogo das últimas quatro temporadas.

Ainda não é o suficiente!

Ter perspectiva e se iludir são coisas diferentes e o torcedor do Cleveland não pode deixar se levar. O time precisa de reforços se quiser aspirar uma vaga aos playoffs novamente, mas em que posições?

Uma das falhas mais evidentes do time é não conseguir administrar vantagens e tomar decisões ruins na hora definir jogadas. Nenhum dos armadores do plantel tem a capacidade de cadenciar o ritmo de jogo, pensar as jogadas.

Sexton, apesar de armador, ainda é jovem e tem uma característica mais definidora. O que não é uma notícia ruim, o teto para evoluir é alto, mas o ideal é alguém pronto para isso e que pudesse ajudá-lo a se desenvolver. Darius Garland ainda não está pronto e apesar de demonstrar capacidade precisa ser bem mais trabalhado. Ou seja, um armador devia ser uma das prioridades da equipe.

As alas também precisam de reforços urgente. Love vai fazer 32 anos e não é mais o mesmo do perímetro. Mesmo com Tristan Thompsom, que as vezes também atua como pivô, cooperando muito na defesa e tendo elevando bastante seu jogo ofensivo é preciso mais um jogador com capacidade de pontuar e decidir jogos. KPJ também tem atuado na posição, mas tem apenas 19 anos e não pode ter essa responsabilidade. Além deles as opções para o setor não são nada animadoras e nem inspiram confiança.

Andre Drummond precisa de ajuda, até porque já tem um histórico de contusões e não pode ter toda a responsabilidade como único pivô confiável do time.

É possível voltar a lutar na próxima Temporada?

O time não tem espaço salarial, mas pode trabalhar alguns contratos e tem um número razoável de jogadores que poderiam ser trocados para tornar possível a chegada de outros, que fariam o time subir alguns degraus na classificação. Além disso, vale citar que a conferência leste normalmente classifica ao menos um, as vezes até dois times com campanha negativa aos playoffs.

Se considerarmos as peças que o time já tem, um bom trabalho sendo realizado no draft e a realização de boas trocas, como a por Drummond, o torcedor do Cleveland Cavaliers poderia sim sonhar em retornar aos playoffs e voltar a construir um time competitivo, como os dos anos 80′ e os liderados por Lebron James.

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