Por Carol Vago

Colaboração: Pedro Jorge Marinho

A TENSÃO PRÉ-DRAFT

Em Abril de 2017 pudemos ver o primeiro Draft de Chris Ballard como General Manager do Indianapolis Colts. Muita expectativa se acumulava, naturalmente causada pelo trauma que Ryan Grigson deixou em todos torcedores. Desde 2012, as escolhas pouco agradavam a torcida, e até mesmo o HC Chuck Pagano. Para o leitor relembrar, vimos jogadores como Björn Werner, D’Joun Smith, Philip Dorsett e TJ Green foram frutos do trabalho de Ryan Grigson. Avaliamos então o desempenho dos recém-chegados e o impacto na construção do time.

 

AS ESCOLHAS

Primeiro round, pick #15: Malik Hooker, S, Ohio State Buckeyes

Um jogador que, para muitos, não passaria da quarta escolha geral no Draft. Vindo de uma universidade com tradição em revelar bons jogadores, chegou à liga sendo comparado a grandes nomes da posição. Alguns acreditavam que o FS se assemelhava muito ao Ed Reed, ídolo do Ravens. Enquanto outros faziam comparações com Earl Thomas (SEA), considerado por muitos como o melhor FS da liga. Comparações a parte, as características do jogo de Malik Hooker traziam o cartão de visitas de um jogador que tinha absolutamente tudo para dar certo no nível profissional. Malik era um prospecto com ball hawk skills e atleticismo invejáveis. Até hoje não se justifica a queda no Draft.

Sendo starter a partir do segundo jogo da temporada, Hooker chegou a acumular 3 interceptações em 4 jogos, brilhando contra o Arizona Cardinals na semana 2. Chegou fazendo barulho, conseguindo desviar passes, interceptando, realizando tackles que muitos achavam que não conseguiria. Como todo rookie teve falhas, entretanto não podemos negar que o Colts encontrou uma futura estrela para a defesa. Já se firmou como dono da posição, onde deve permanecer por mais alguns anos. Infelizmente a temporada avassaladora de Hooker foi interrompida por uma lesão: rompeu os ligamentos cruzado anterior e colateral medial do joelho direito contra o Jaguars em um bloqueio controverso de Keelan Cole.

Nota: A

 

Segundo round, pick #46: Quincy Wilson, CB, Florida Gators

Quincy Wilson já causou controvérsias desde o momento em que foi escolhido. Para alguns analistas, antes do Draft era tido como jogador de first round. Entretanto com as escolhas se desenhando um pouco diferente do esperado, o jogador passou a ser cotado para fim de segundo round. O Colts o escolheu no meio desse round, sendo assim considerado por alguns um reach e por outros um steal. Assim como Hooker, Wilson tinha todos os atributos para ser um jogador dominante na posição. Seu scouting report se assemelhava muito ao do Richard Sherman (SEA), quando o CB foi draftado em 2011, e por isso se esperava muito do jovem vindo do Florida Gators. Teve um início de temporada ruim, como todo o time do Colts, mas ainda assim mostrava um grande potencial.

E foi aí que a história ficou estranha. Até hoje não se sabe ao certo os motivos pelos quais Wilson participou de pouquíssimos jogos na temporada, ainda mais com a concorrência de nível baixo pela posição. Pagano usou, até mesmo, a desculpa do jogador não contribuir com o special teams, que nunca foi levada a sério e entendida plenamente por parte dos insiders e torcida. Quando retornou ao time (muito graças as lesões dos demais jogadores), conseguiu uma interceptação e teve bons jogos, com excelente participação contra o Texans na última semana da temporada regular. Ainda que a amostra para avaliação seja pequena graças a todos os problemas enfrentados na temporada, Wilson teve um desempenho bom, mostrando potencial para ser starter pelo Colts nos próximos anos.

Nota: B     

 

Terceiro round, pick #80: Tarell Basham, DE, Ohio Bobcats

A necessidade por jogadores de linha defensiva do Colts era enorme, visto os vários movimentos de Ballard para a unidade desde o período de Free Agency. No Draft, naturalmente, o time precisou adicionar jogadores, e então Basham chegou como uma alternativa para ajudar na rotação dos DEs, sendo considerado um reach. O desempenho do calouro foi bem abaixo do esperado, não conseguiu ser consistente durante a temporada, pouco pressionou o QB adversário. Teve apenas dois sacks e um fumbles forçado em toda a temporada, participando de quase todos os jogos (ficou de fora apenas do primeiro jogo contra o Titans).

Com a mudança da defesa para 4-3 e um novo técnico de DL vindo do College e com histórico de desenvolver bem jogadores da posição, espera-se que Basham possa evoluir. Por enquanto, parece que o DE está num nível apenas de reserva, sem expectativa de se tornar um grande jogador pelo apresentado em sua temporada de rookie.

Nota: C-

 

Quarto round, pick #137: Zach Banner, G, USC Trojans

A famosa “Escolha do Orangotango”. Banner foi escolhido pelo Colts muito graças aos seus atributos físicos e desempenho no Combine. Desde o primeiro dia como GM da franquia de Indianapolis, Chris Ballard disse que a competição pela posição de starter seria encorajada. E foi exatamente por essa disputa que Zach Banner não chegou a estar entre os 53 jogadores no roster para da temporada regular. Chegou com o status de jogador que possuía todos os atributos físicos para ser bem-sucedido na NFL como jogador de OL, alternativa para uma das principais needs do time, jogando como guard. A disputa pela posição não era exatamente difícil, ao menos não para um jogador que chegou com certa expectativa e quando se considera os jogadores da posição no Colts.

Frustação foi o resultado da escolha. Cortado e depois sendo utilizado pelo Browns como OT em 8 jogos na temporada, podemos dizer que Zach foi o pior movimento de Chris Ballard em todo seu tempo como General Manager do Colts.

Nota: F  

 

Quarto round, pick #143: Marlon Mack, RB, South Florida Bulls  

Escolha muito comemorada pela torcida do Indianapolis Colts. Se uma palavra pode definir o jogo de Marlon Mack, essa palavra é “velocidade”. Ainda que muito mal utilizado, graças as péssimas chamadas de Chuck Pagano e Rob Chudzinski, o calouro conseguiu algumas jogadas explosivas quando acionado. Com a lesão de Robert Turbin durante a temporada, Mack passou a ser mais usado, ainda que tenha características completamente diferentes.

Terminou a temporada com três touchdowns, pouco menos de 100 carregadas e uma média de 3,8 jardas por corrida. Também apresentou certa habilidade para receber passes, conseguindo um touchdown e uma média de 10,7 jardas por recepção, entretanto é um fundamento a ser muito trabalhado para a próxima temporada. Ainda precisa aprimorar também o jogo corrido, principalmente quando precisa realizar corridas entre tackles. Com a companhia certa ao seu lado, e num ataque que promete muitas mudanças para a próxima temporada, tem tudo para ser um jogador importante no ataque multifacetado de Frank Reich e Nick Sirianni.

Nota: B- 

 

Quarto round, pick #144: Grover Stewart, DT, Albany State Golden Rams  

Um dos jogadores menos utilizados entre os rookies, talvez pelas boas opções do Colts para a posição de DT, o que torna a sua avaliação um tanto quanto complicada. A expectativa sob Stewart era de uma boa participação na rotação, atuando como um run stuffer. O jovem possui potencial, mas não deve passar de uma boa peça para a rotação. Teve apenas 12 tackles e conseguiu parar apenas uma corrida.

Nota: D  

 

Quinto round, Pick #158: Nate Hairston, CB, Temple Owls

Uma grata surpresa! Se podemos eleger a melhor escolha quanto ao custo-benefício do Colts, ela será Nate Hairston. Conseguiu assumir o posto de nickel ao longo da temporada, ganhando a posição graças a suas atuações em campo. Esteve entre os melhores rookies da posição em algumas semanas, muito bem na cobertura e ainda conseguindo ter importante papel como pass rush corner. Como esperado, não desempenhou bem o papel de outside corner, mas isso não deve ser problema, uma vez que se firmou em outra posição.

Chegou duas vezes ao QB adversário, com dois sacks, sendo um para causar um safety ao derrubar Russell Wilson na end zone adversária. Ainda teve uma interceptação contra o Titans, na semana 12.  Tem tudo para se tornar um ótimo nickel na Liga.

Nota: B-

 

Quinto round, pick #161: Anthony Walker Jr., LB, Northwestern Wildcats  

É um tanto quanto difícil falar algo do corpo de LBs do Colts. As más atuações dos starters, Morrison e Bostic, se estendem a Anthony Walker. O jovem chegou conhecido por seus atributos físicos e a habilidade de liderança. Quase não atuou, e quando o fez, inicialmente, pouco conseguiu produzir. Ainda que nos últimos dois jogos da temporada regular tenha ido bem, com a chance de iniciar os jogos, a predominância da inconsistência define o ano de rookie de Walker Jr.

Ano ruim como regra para os LBs, e para Walker essa regra também se aplicou. Tem potencial para evolução e espera-se que possa melhor seu jogo futuramente e contribuir na rotação do atual pior grupo de jogadores da defesa do Colts.

Nota: C-

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