Joe Namath, zebra
Joe Namath, zebra

Qualquer um que acompanhe qualquer esporte, evento, votação… Resumindo, algo que eleja um líder ou vencedor já ouviu falar da expressão zebra.

Na última segunda-feira, uma das maiores zebras da história esportiva se concretizou quando o Leicester City foi campeão inglês de futebol. Um time com um orçamento baixo, com um elenco sem nomes de peso, que apostou em desconhecidos e desbancou os gigantes. Um feito que, mesmo para um site especializado em futebol americano, merece ser aplaudido e mencionado.

O título do Leicester me fez ter um devaneio, e tentar pensar quais times da NFL poderiam ser potenciais zebras na temporada 2016/2017. De antemão, vale lembrar que a política financeira de outros esportes divergem muito do que é aplicado na NFL. Os times têm tetos salariais, de gastos e até mesmo uma cota mínima do que precisa ser investido.

Além disso, a maneira como novas promessas chegam à liga é bem diferente. A “categoria de base” da NFL é a NCAA. São raras as exceções de jogadores que não passaram pelo esporte universitário e se tornaram profissionais (um assunto que será abordado com mais calma em breve), portanto, já podemos prever que a situação da zebra na liga é diferente da de outras modalidades.

No ano passado, a maior surpresa da temporada com certeza foi o Washington Redskins. Eu fui infeliz em diversas oportunidades, sendo cético ao não acreditar que Kirk Cousins e companhia seriam capazes de sequer ter uma campanha positiva. Porém, Washington se manteve apenas como uma equipe que chegou lá, mas não venceu.

Vendo desta forma, a temporada de 2015/2016 da equipe da capital norte americana pode ser considerada uma meia zebra (jamais desmerecendo o trabalho excelente que foi feito na equipe).

Historicamente, a NFL teve outras equipes que foram legítimas zebras. O New York Giants de 2007, o Denver Broncos de 1998, mas a maior zebra aconteceu em 1969.

Em 12 de janeiro daquele ano, New York Jets e Baltimore Colts se enfrentaram no antigo Orange Bowl, naquela que seria a primeira final a levar o nome “Super Bowl”. O Colts vinha de uma temporada regular impecável, com 13 vitórias e apenas uma derrota (30-20 contra o Cleveland Browns na 6º rodada), além de fazer uma série de jogos dominantes nos playoffs (24-14 sobre o Vikings e 34-0 sobre o Browns).

Contextualizando um pouco mais a situação, nos primórdios do que viria a se tornar o futebol americano como conhecemos hoje, a liga era dividida em NFL e AFL. Como já dito em alguns dos nossos podcasts históricos, principalmente no do Cleveland Browns, a força que a AFL tinha não se equiparava à da NFL. Simplificando de maneira geral, a NFL era uma liga profissional e a AFL uma liga semi-profissional (não de fato, mas em termos de investimento, estrutura, renda, qualidade dos jogadores).

Do outro lado da moeda, tínhamos o New York Jets, time que havia vencido 11 partidas e perdido 3 na temporada regular e penou para passar pelo Oakland Raiders na final de conferência. Dentro dos padrões da AFL, o próprio Jets estava longe de ser a equipe mais forte da conferência. Kansas City e Oakland já tinham disputado os Super Bowls I e II, respectivamente, e estava quase tão bem estruturados quanto os times da NFL.

O quarterback Joe Namath era sólido e de língua afiada. Três dias antes da final, em uma conferência com jornalistas, “Broadway Joe”, como era carinhosamente apelidado, afirmou em alto e bom tom que seu time seria campeão. Seria a mesma coisa que em 2004, Theodoros Zagorakis, capitão da seleção grega de futebol, dissesse antes da final da Eurocopa contra Portugal que seriam campeões. Em meios as risadas da imprensa e dos torcedores, a equipe do Jets comprou as palavras de seu líder. Comissão técnica e jogadores, por mais desacreditados que fossem, tiveram personalidade para bancar que sim, era possível vencer.

Os detalhes do jogo serão contatos a fundo em um dos nossos próximos podcasts de Super Bowls históricos, portanto, me atentarei apenas ao fator que move este texto: a zebra. Nas casas de apostas dos Estados Unidos, o prêmio estava em 18/1, ou seja, se você apostasse 1 dólar no Jets, ganharia 18. Essa é até hoje à maior diferença paga para uma aposta em Super Bowl. Na última final, as apostas favoreciam o Carolina Panters em 1,95.

Ser a zebra não quer dizer ser o menos, mas sim o mais. O mais desacreditado, o mais desencorajado, o mais improvável. Ser a zebra não significa absolutamente nada quando se dá o kickoff inicial e os snaps começam a rolar. Nenhuma equipe pode ser menosprezada, tampouco taxada como melhor ou pior. O esporte nos mostra a cada dia que dinheiro, estrutura, grandes atletas, patrocínios milionários, não fazem uma equipe campeã. Garra, força de vontade, preparo, estudo, dedicação, e até mesmo um pouco de sorte… Isso torna uma equipe vencedora. Nem tudo é preto no branco, ou branco no preto, não é mesmo, zebra?

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