É muito comum ouvir os torcedores do Eagles falando que a próxima temporada é “o ano do Zach Ertz”, afinal, isso já vem acontecendo faz, pelo menos, duas temporadas. A “demora” pelo breakout season do Tight End já faz muitos o rotularem como “uma eterna promessa”, ou seja, um jogador que demonstra lapsos de grandeza e potencial, mas que no fim sempre acaba por não alcançar as expectativas da torcida.

Zach Ertz, tight end de 26 anos e 1,96 metros chegou ao Eagles em 2013, quando foi a 35° escolha da segunda rodada do Draft. É uma pick alta, e por isso, muitos torcedores já criaram uma expectativa sobre o jovem, que chegou e mostrou serviço, animando todos os adeptos, que perceberam que para Ertz, o céu era o limite.

O jovem TE costuma receber críticas sobre sua “falta de vontade” de bloquear. Alguns torcedores dizem que ele não tem motivação para desempenhar essa função, chamando Zach de wide receiver, alegando que ele “só sabe receber”. Mas afinal, qual é o problema? Claro, em certas jogadas o bloqueio do Tight End é muito importante, mas no atual ataque dos Eagles, comandado por Doug Pederson, isso acontece com bem menos frequência em relação a época de Chip Kelly, e quando é necessário um bloqueador, entra Brent Celek. Certamente o bloqueio é um fundamento mais do que necessário para um bom jogador que atua como TE, mas Ertz ainda tem bastante tempo para melhorar nesse quesito, que não é uma fraqueza tão evidente do jogador.

A produção de Ertz engana quem não se aprofunda, e é justamente esse grupo de torcedores que dizem que o TE é uma “eterna promessa”. Zach melhorou seu número de recepções ano após ano, se mostrando um alvo cada vez mais confiável para receber passes. O número de jardas aumentou gradativamente durante os três primeiros anos, e quando finalmente caiu, foi uma diferença de apenas 37 jardas. Ertz vem se mostrando cada vez mais consistente, ganhando cada vez mais maturidade e evoluindo com o tempo, o garoto faz de tudo quando recebe um passe, ele inclusive é um dos jogadores que tem as mãos mais confiáveis no elenco.

O melhor ano de Ertz foi, sem dúvida, 2016, quando ele teve 78 recepções para 816 jardas e 4 touchdowns, tudo isso com esquema, técnico e quarterback novos. Vale ressaltar que Carson Wentz, apesar de ter se mostrado um QB muito bom, era novato e com certeza não mostrou o seu melhor, devido ao período de adaptação. Também é importante lembrar que Ertz teve todos esses números jogando apenas 14 jogos. Se o TE tivesse jogado por toda a temporada, provavelmente teria chegado a 80 recepções e 1,000 jardas, números excelentes para um jogador que atua como Tight End.

E engana-se quem pensa que o melhor de Ertz já passou. O Tight End tem de tudo para melhorar na temporada de 2017. É esperado que a linha ofensiva esteja inteira para essa temporada, já que na última, Lane Jonhson, grande peça da OL dos Eagles acabou sendo suspenso e prejudicou a equipe. Além disso, o novo corpo de recebedores da Philadelphia vai ajudar muito, já que com a adição de Alshon Jeffery e Torrey Smith, além da mudança de Jordan Matthews para o slot vão atrair mais a atenção da defesa, que acabará deixando Ertz com mais espaço para fazer suas rotas, sem tanta pressão dos defensores. Esses fatores, combinados com a evolução constante de Ertz fazem com que o ano de 2017 seja realmente “o ano do Ertz”.

Ertz pode enganar a torcida e parecer apenas uma eterna promessa, que nunca vai se concretizar. Mas a verdade passa longe disso, o jovem tem mãos extremamente confiáveis, habilidade de sobra, vontade de vencer e é um dos jogadores que ainda não está em seu auge, que ainda vai chegar. Juntando tudo isso com o fato do Eagles já ter encontrado seu franchise QB e com a constante evolução por temporada de Ertz, os torcedores do time da Philadelphia só tem motivos para se animar, afinal, imaginar um cenário onde o Tight End tenha mais de 1,000 jardas não é tão difícil, e é até muito provável.

Zach Ertz é muito bom, e a enorme expectativa sobre ele faz parecer o contrário, mas na hora do jogo, o camisa 86 sempre mostra serviço, principalmente na reta final da temporada, quando os jogos mais importam. O ainda novo Tight End já se estabeleceu como um dos mais confiáveis que o time já teve, e ao final de sua carreira com certeza será top 5 da história dos Eagles. O céu é o limite para Ertz, que pode não parecer um TE tão bom, mas não se engane, ele é.


  • Guilherme Paglia

    Realmente não eh um Alien Gronk. Mas não precisa ser, sendo pika já tá valendo. E ele é. Esse não vai ser “o ano dele”, esse vai ser “mais um ano dele”. #FlyEaglesFly